Do apoio às mães ao envelhecimento de qualidade, as propostas de Lula para o cuidado
Visitas domiciliares a idosos, creches, escolas em tempo integral, cuidotecas, jornada de trabalho menor e formação profissional estão entre as prioridades do próximo mandato
Dar banho e alimentar um bebê, trocar e passear com um idoso, dar suporte a uma pessoa com deficiência que não tem autonomia. Isso tudo é trabalho, muitas vezes não remunerado. Também é um direito para quem necessita desses cuidados. No entanto, o trabalho de cuidados realizado no interior das famílias representa uma sobrecarga para as mulheres. Elas dedicam 21,3 horas semanais a essas atividades, contra 11,7 horas dos homens. Para 5,3 milhões, essa carga pode chegar a 40 horas.
O cuidado virou um direito, via Política Nacional de Cuidados, criada e depois sancionada pelo presidente Lula em 2024. Creches e cuidotecas, escolas em tempo integral, visitas domiciliares a idosos, cursos de capacitação e lavanderias públicas são algumas ações previstas e em andamento. O fim da escala 6×1, com redução da jornada máxima de 44 horas para 40 horas semanais sem perda salarial, compõe essa demanda dos trabalhadores, especialmente mulheres.
“A mulher tem tripla jornada, ela tem que cuidar do marido e cuidar das crianças, depois ela vai trabalhar, depois ela volta, cuida do marido e das crianças, ela é a primeira a levantar, é a última a dormir. Chega sábado e domingo e ela trabalha, trabalha, trabalha. Por isso, o fim da escala 6 por 1 é importante para dar um dia de folga à mulher”
Presidente Lula
“A mulher tem tripla jornada, ela tem que cuidar do marido e cuidar das crianças, depois ela vai trabalhar, depois ela volta, cuida do marido e das crianças, ela é a primeira a levantar, é a última a dormir. Chega sábado e domingo e ela trabalha, trabalha, trabalha. Por isso, o fim da escala 6 por 1 é importante para dar um dia de folga à mulher”, analisou o presidente Lula, que enviou a proposta ao Congresso, que já passou pela Câmara e aguarda a apreciação do plenário do Senado.
O trabalho de cuidados realizado no interior das famílias representa, sobretudo para as mulheres negras e pobres, as que vivem na zona rural ou nas periferias urbanas, uma sobrecarga que limita o acesso à educação, à formação profissional, ao trabalho decente e à participação na vida pública, reproduzindo pobreza e desigualdades.
Para 34% das mulheres que estão fora do mercado de trabalho, elas não buscam emprego porque precisam cuidar da casa, de filhos/as ou outros parentes. Percentual que chega a 87% das mães com filhos de 0 a 3 anos, 50% das quais são jovens e 35% jovens mulheres negras, segundo dados da PNAD Contínua do IBGE de 2024.
ECONOMIA – O investimento em políticas de cuidados no Brasil pode gerar, até 2035, mais de 11 milhões de empregos diretos, 79% dos quais seriam ocupados por mulheres, com alta formalização. Para cada real investido, haveria um retorno de até 2,5 reais (CEPAL/OIT/MDS).
São também as mulheres, principalmente as mulheres negras, que realizam a maior parte do trabalho remunerado nos diversos setores da economia do cuidado (como as trabalhadoras domésticas e as cuidadoras). Dos 18 milhões de empregos no setor de cuidados, 75% são ocupados por mulheres — 45% por mulheres negras.
PROPOSTA – A proposta de Lula para o quarto mandato é ampliar a formação profissional em cuidados, aumentando a escolaridade e a formação cidadã para mulheres em situação de vulnerabilidade social, especialmente trabalhadoras domésticas e cuidadoras. Mais de 11 mil vagas estão sendo ofertadas pelo Programa Mulheres Mil + Cuidados em 2026, por meio da rede de institutos federais.
IDOSOS – O Brasil terá 29,5% da sua população com 60 anos ou mais em 2053. Hoje são 15,5%. Projetando esse aumento da demanda por cuidado e um envelhecimento de qualidade para a população, Lula propõe o cuidado em casa para pessoas idosas com limitações para as atividades da vida diária, com equipes integradas dos Sistemas Únicos de Saúde (SUS) e de Assistência Social (SUAS). Além de garantir dignidade e qualidade de vida para pessoas idosas, a ação libera tempo e apoia suas cuidadoras familiares — quase sempre mulheres e frequentemente mulheres idosas que já precisam de cuidados.
TEMPO INTEGRAL – Com Lula, as matrículas nas escolas de tempo integral chegaram a 1,8 milhão desde 2023. O objetivo nos próximos 4 anos é ter oferta de vagas para todas as crianças da rede pública. A escola em tempo integral garante aprendizado, proteção e desenvolvimento integral para crianças e adolescentes — e reduz a sobrecarga diária das famílias, especialmente das mães. O mesmo vale para as creches. O Plano Nacional de Cuidados tem como meta a criação de 100 mil novas vagas, com atenção especial para mães solo.
CUIDOTECAS – Uma inovação do governo Lula foi a criação das cuidotecas. São espaços públicos e gratuitos de acolhimento de crianças de 3 a 12 anos, com e sem deficiência, em horários fora da jornada escolar (noite, fins de semana, feriados). Esses locais permitem que mães estudantes e trabalhadoras – muitas das quais são jovens negras e periféricas – acessem cursos de formação profissional, empregos e outros serviços. A meta é chegar a 300 cuidotecas instaladas até o fim de 2026. As cuidotecas nas universidades e institutos federais têm se mostrado importantes na permanência estudantil.
| Proposta | O que muda na vida |
| Envelhecimento Saudável | Novas políticas para o cuidado e a inclusão social de idosos em parceria com estados e municípios. PADI e Centros-Dia ampliados e mais atividades de cultura e lazer. |
| Letramento digital para a pessoa idosa | Idosos protegidos contra golpes e fraudes no ambiente digital. |
| Rede Acolhe Brasil | Uma nova rede de suporte a mães e pais de crianças atípicas. |
| Mais Cuidotecas | Ambientes de acolhimento seguros, gratuitos e acessíveis para as crianças enquanto mães e pais trabalham e estudam. |
