09 de março de 2022

É cada vez mais comum nos depararmos com imagens de famílias inteiras revirando caminhões de lixo atrás de alimentos, crianças esvaziando lixeiras, pais e mães nos semáforos das cidades suplicando um trocado para alimentar as crias e tristes filas de pessoas à espera de ossos descartados por açougues. O Brasil que saiu do Mapa da Fome da ONU em 2014 hoje se reencontra com a miséria por descaso do governo Bolsonaro.

Prato vazio

São mais de 116 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar – 20 milhões de brasileiros passam mais de 24 horas sem comer nada. Entre 2016 e 2020, foi registrado um aumento de 28% no número de pessoas vivendo com insegurança alimentar moderada ou grave no país. Isso significa dizer que 12,1 milhões de brasileiras e brasileiros passaram a conviver com a fome neste período, que coincide com o fim das gestões do PT no governo federal.

O governo genocida também é inimigo da infância. Estudo inédito divulgado pela Unicef no final de 2021 aponta que 72% das famílias beneficiadas pelo Bolsa Família (aniquilado por Bolsonaro e substituído pelo Auxílio Brasil) passaram fome durante a pandemia da Covid-19. A pesquisa corrobora os dados do Ministério da Saúde que mostram que apenas 26% das crianças brasileiras de 2 a 9 anos fazem 3 refeições ao dia no Brasil de Bolsonaro.

Como diz o ex-presidente Lula, comida tem, o que falta é vontade política.

“A fome não é um fenômeno da Natureza. A fome é falta de vergonha na cara de quem governa esse país”. 

Veneno no prato

E quem come no Brasil ainda tem que se preocupar com a quantidade de veneno que põe no prato. Nos últimos três anos, 1552 novos rótulos de agrotóxicos foram tiveram seu uso liberado, 550 só no último mês de 2021. E tome veneno! Na última semana, o PL do Veneno (Projeto de Lei 6.299/2002) foi aprovado pela bancada governista na Câmara dos Deputados, e flexibiliza ainda mais a aprovação de uso de agrotóxicos no cultivo de alimentos.

Nesta quarta (9), diversos movimentos sociais e grandes nomes da cultura brasileira se reúnem em “Ato pela Terra contra o Pacote da Destruição”, organizado por Caetano Veloso, que denuncia projetos de lei que incentivam agrotóxicos, desmatamento e garimpo em terras indígenas. Participam do ato o MST (Movimento dos Trabalhadores sem Teto), APIB (Associação dos Povos Indígenas do Brasil), MTST (Movimento dos Trabalhadores sem Teto),Uneafro e Via Campesina, entre outros movimentos, além de artistas como Emicida, Criolo, Maria Gadú, Seu Jorge, Bela Gil, Malu Mader, Lázaro Ramos, Nando Reis e Bruno Gagliasso.