23 de maio de 2022

A alta generalizada de preços no Brasil, que somente nos últimos 12 meses teve um acumulado de 12,13% sem mostrar sinais de queda, está fazendo com que muitos trabalhadores parem de comprar básicos. Mais um sinal claro da ausência de governo e da deterioração da economia nacional, que registrou a pior inflação para o mês de abril desde 1996.

Segundo um levantamento feito pela Horus, uma empresa de inteligência de mercado, produtos que antes faziam parte da vida dos brasileiros estão ficando mais nas prateleiras do que nos carrinhos de supermercado. A carne de boi, o leite longa vida e o óleo vegetal, por exemplo, são alguns dos itens que foram comprados por menos pessoas em abril de 2022, em comparação com o mesmo mês em 2021.

Para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o controle inflacionário, assim como a ampliação do poder aquisitivo do trabalhador, é uma das principais responsabilidades de um governante.

“Controlar a inflação é uma obrigação para garantir ao povo trabalhador o seu poder de compra, o seu poder aquisitivo, para que as pessoas não tenham que piorar a qualidade da sua comida a cada dia. Eu tenho visto muita gente na televisão dizer, na televisão dizendo: hoje eu fui no supermercado, eu comprei menos, eu diminuí a minha compra, eu trazia um carrinho cheio agora estou trazendo meio carrinho. Eu comprava carne, eu comprava um quilo de carne por semana, hoje eu compro um quilo de carne por mês”, afirmou ele, em uma entrevista recente.

Produtos em alta ficam fora dos carrinhos

Analisando cerca de 35 milhões de notas fiscais de todo país, a Horus constatou que o leite, que estava presente em 15,9% das compras em abril de 2021, estava em apenas 14,2% dos carrinhos em abril de 2022. Culpa do preço médio, que cresceu quase 69% nesse período, subindo de R$ 4,29 para R$ 7,25.

O óleo vegetal teve um aumento ainda maior no preço médio, saltando de R$ 9,60 para R$ 16,81, uma diferença de 75,1%. Com isso, o produto, presente em 7,1% das compras realizadas em abril do ano passado, aparecia em apenas 6% das compras analisadas em abril de 2022. A carne bovina, que estava em 5,9% dos carrinhos em 2021, agora estava em R$ 5,3%, com o preço médio do quilo subindo de R$ 29,66 para R$ 31,47 (+6,1%).

“A inflação está muito difusa, muito espalhada nos produtos. Vai ficando uma situação difícil para o consumidor, porque vai atingindo aqueles produtos mais básicos. Está tudo muito caro”, disse Luiza Zacharias, diretora de Novos Negócios da Horus, em entrevista ao portal Uol.

Segundo ela, essa alta generalizada também cria uma outra situação. Alguns itens, como o feijão e o azeite, aparecem em menos carrinhos agora do que em 2021, mas o número de unidades compradas desses produtos aumentou. Isso sugere, simultaneamente, que as famílias com menor poder aquisitivo estão comprando menos, e que quem tem mais recursos tem preferido adquirir em quantidade maior, para fazer estoque e se proteger de futuros aumentos.

“Quem está com dinheiro muito curto vai reduzindo a quantidade e a frequência de consumo de alguns itens, porque a renda não comporta o mesmo que comportava há um ano. Ao mesmo tempo, as famílias que têm uma condição um pouco melhor voltaram a fazer aquela compra do mês que se fazia antigamente, para fugir um pouco da inflação”, analisou a diretora da Horus.