11 de junho de 2020

O artigo do editor de política da Folha de S. Paulo, Eduardo Scolese, publicado nesta quarta-feira (10), abusa de falsas equivalências  ao dizer que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro ajudariam Bolsonaro e que haveria alguma discussão possível entre quem seria responsável pela eleição do atual presidente.  No caso uma falsa equivalência entre a vítima de um processo antidemocrático e uma prisão inconstitucional e seu algoz.

Ao contrário do que diz o artigo Lula não entregou o governo ao Centrão, mas fez uma gestão democrática com diálogo com diversas forças políticas e da sociedade brasileira. Lula não pediu nem recebeu nenhuma vantagem indevida, nem abriu as portas da Petrobrás para mal feitos, e isso é reconhecido pela justiça, que o inocentou da acusação de organização criminosa, a base do patético “Power Point” de Deltan Dallagnol que foi a tese das condenações em Curitiba que acabaram tendo que ser feitas por “atos indeterminados”, pela absoluta ausência de qualquer ato ilegal por parte de Lula.

Os criminosos confessos com que Moro celebrou acordos de redução penal eram funcionários de carreira de décadas da própria Petrobrás, que disseram existir desvios muito antes dos governos do PT, não investigados pela Lava Jato para evitar que se melindrasse alguém “cujo apoio é importante” – nas palavras do próprio Moro.

Sobre quem ajuda Bolsonaro, ele nunca seria presidente sem a condenação feita por Moro de Lula em tempo recorde e de forma parcial para impedir que o líder das pesquisas disputasse as eleições de 2018.

A debilidade da sentença é reconhecida por juristas do Brasil e do mundo e o Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas determinou que o direito de Lula disputar em 2018 fosse reconhecido pela suspeita de parcialidade na sua condenação. Moro foi até poucas semanas atrás ministro do governo Bolsonaro, o maior beneficiário de sua sentença, e o ex-juiz tenta apagar esse passado recente assim como as mensagens da Vaza Jato. Do outro lado procuradores da Lava Jato atuaram para impedir até uma entrevista de Lula para a própria Folha de S. Paulo, pelo temor que ela pudesse atrapalhar Bolsonaro em 2018, uma eleição onde Lula não pode votar, ser votado, nem fazer campanha, mas mesmo assim o PT teve o seu candidato no segundo turno, Fernando Haddad, com 47 milhões de votos.

Lula foi e continua sendo oposição contra Bolsonaro, e, sem a atuação ilegal e parcial de Sérgio Moro teria sido o eleitorado brasileiro que poderia ter escolhido entre um ou outro.  Não precisamos esperar gerações, como supõe o autor, para que esses fatos sejam reconhecidos.

Assessoria de Imprensa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva