11 de abril de 2018

O ex-governador da Bahia, Jaques Wagner, esteve no acampamento de vigília democrática Lula Livre nesta quarta-feira (11), onde conversou com militantes e lutadores da democracia sobre a necessidade de unidade no embate com o golpe. Ele destacou que o momento atual é mais difícil que em 1964, quando enfrentou a ditadura, pois hoje a muito mais hipocrisia entre aqueles que desrespeitam a democracia.

“Estou com 67 anos, lutei contra a ditadura militar, saí da universidade por conta dessa luta e confesso que não imaginava que ainda ia viver uma ameaça à democracia como essa que estamos vivendo. Essa ameaça é mais complexa porque é hipócrita e cínica. Os caras em 1964, com o autoritarismo, rasgaram a Constituição. Naquela época estava claro que só havia um caminho, lutar conta a Ditadura, lutar pela anistia e lutar pelas Diretas já”, afirmou Wagner.

“Passamos pelo colégio eleitoral até reconquistar para o povo o direito ao voto. A matriz do golpe é a mesma matriz: o desprezo pelo voto popular, o desprezo pela decisão do povo sobre e o futuro do Brasil. Fizeram isso ao jogar no lixo os 54 milhões de votos na Dilma. E tentam hoje interditar aquele que mora no coração e na mente de milhões de brasileiros”, lembrou o ex-governador.

Segundo Wagner, “desesperados com nossa quarta vitória em 2014, começaram a criminalizar o PT e os movimentos sociais, mas colheram a criminalização da política. Quando olhamos as pesquisas, os candidatos de centro direita, nenhum deles aparece”.

“É importante que a gente compreenda, como a juventude de 1964 compreendeu, a luta é ampla, essa luta comporta os movimentos sociais, movimentos de mulheres, movimentos dos índios, todos os movimentos populares. Não podemos lutar só em uma frente, mas na frente da luta de massas, na frente do parlamento, na frente jurídica, na frente internacional.”

“Temos que contagiar os corações dos brasileiros. Não temos que ter só os nossos aqui, temos que isolar aqueles que querem dar um golpe, incorporar a luta de outros movimentos”, destacou.

“Lembro que as Diretas Já começaram muito pequenas, mas foram incorporando legiões, gente de centro, mas que perceberam que sem democracia plena não há espaço para o debate programático. A retirada do Lula é a tentativa de interditar a democracia brasileira”.

“Temos que gritar de novo: Diretas sempre, Lula Livre, Lula Já. Queremos o direito da democracia e do voto para que ele chegue lá. Os segmentos judiciários se tornaram o braço político dos segmentos mais conservadores da nação, e essa luta não é simples, é mais hipócrita que a dos militares em 1964”.

O ex-governador da Bahia ainda defendeu que “não há democracia sem movimentos de rua” e reforçou mais uma vez a necessidade de se fazer a mobilização em todos os espaços, seja nas comunidades, igrejas e bairros.

Em coletiva após o ato, Wagner afirmou que não existe plano A,B ou C, apelas plano L, de Lula. Ele também criticou a transmissão ao vivo do julgamento do habeas corpus de Lula no Supremo Tribunal Federal, pois isso “rebaixa uma liturgia que devemos ter no Supremo”.

Da Redação da Agência PT de notícias