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Presidente visita novo complexo industrial da Eurofarma, em Montes Claros (MG)
Fotógrafo: Ricardo Stuckert

Saúde • Setembro de 2026 • 4 min de leitura

Lula anuncia canetas emagrecedoras no SUS com prescrição médica

Medicamento será oferecido gratuitamente a pacientes com obesidade que tenham indicação para o tratamento; anúncio foi feito durante visita de Lula ao complexo industrial da Eurofarma, em Montes Claros (MG)

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Cabe na palma da mão, mas entra no SUS para enfrentar um problema que cresceu 118% no Brasil nas últimas duas décadas. As canetas emagrecedoras devem passar a integrar o tratamento de pacientes com obesidade na rede pública, gratuitamente, com indicação médica e critérios definidos pelo Ministério da Saúde.

O anúncio foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta-feira (17), durante visita ao novo Complexo Industrial da Eurofarma, em Montes Claros (MG), ao lado do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Primeira multinacional farmacêutica de capital 100% brasileiro, a empresa mantém parcerias com o SUS e produz medicamentos distribuídos pelo Farmácia Popular e pela Assistência Farmacêutica.

“Essa canetinha vai ser utilizada para cuidar de graça das pessoas que tenham obesidade, quando o médico detectar que um homem ou uma mulher tem problema de saúde”, afirmou Lula.

O presidente ressaltou que o acesso deverá ser controlado e pediu responsabilidade na prescrição. “Daqui a pouco vai ter gente distribuindo canetinha para tudo, vai ter deputado jogando caneta para o povo. E a caneta não é assim. Isso é irresponsabilidade, porque a pessoa tem que saber se pode ou não tomar, se vai fazer bem para a saúde ou não.”

PRIORIDADE – O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o governo trabalha para levar o tratamento ao SUS com critérios definidos para pacientes que mais podem se beneficiar, como pessoas com obesidade grave, doenças associadas ou indicação para cirurgia bariátrica.

Um protocolo já está sendo testado pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre, com cerca de 250 pacientes. A experiência servirá de base para definir quem poderá receber o medicamento e em quais condições. “Queremos a medicação no SUS. Como direito”, afirmou Padilha. Segundo o ministro, as canetas surgiram para o tratamento do diabetes e também podem contribuir no enfrentamento à obesidade e a problemas de saúde associados. “Vamos deixar pronto o protocolo para colocar no SUS no país inteiro de forma responsável”, disse.

Presidente visita novo complexo industrial da Eurofarma, em Montes Claros (MG)
Presidente visita novo complexo industrial da Eurofarma, em Montes Claros (MG) | Fotógrafo: Ricardo Stuckert

PREÇO – A ampliação da oferta começou a ser preparada em 2025, quando o Ministério da Saúde e a Anvisa adotaram medidas para estimular novos registros, aumentar a concorrência e incentivar a produção nacional. Segundo o Ministério da Saúde, a entrada de novos produtos já reduziu os preços em cerca de 70%. Medicamentos que podiam ultrapassar R$ 1 mil passaram a ser encontrados na faixa de R$ 300 a R$ 400. O aumento da concorrência é considerado fundamental para tornar possível a oferta na rede pública.

O Brasil também ampliou a variedade disponível. Em 2026, novas canetas à base de semaglutida e liraglutida receberam registro da Anvisa, incluindo produtos fabricados no país e genéricos. A estratégia é combinar maior oferta e preços menores para viabilizar a expansão do tratamento pelo SUS.

INDÚSTRIA – Foi em uma fábrica brasileira de medicamentos que Lula tratou do próximo passo dessa política. O presidente conheceu a linha de produção de embalagens da Eurofarma em Montes Claros, onde são acondicionados mais de 170 produtos diferentes. A unidade possui 12 linhas de embalagem em funcionamento e prevê avançar também para a produção de fármacos.

A planta recebeu investimento de R$ 1,8 bilhão e foi concebida para ser o maior complexo industrial da companhia. Entre os medicamentos produzidos pela Eurofarma e ofertados pelo SUS estão a losartana e a espironolactona, para hipertensão, e a dapagliflozina, indicada para diabetes. A empresa também fabrica enoxaparina, utilizada na prevenção de tromboembolismo venoso em gestantes com trombofilia, e levetiracetam, para epilepsia.

Parte dessa produção chega à população por meio do Farmácia Popular. O programa oferece gratuitamente 41 itens, entre medicamentos e insumos destinados a diferentes condições de saúde, além de anticoncepcionais, fraldas geriátricas e absorventes pelo Programa Dignidade Menstrual. Para Lula, ampliar o acesso a medicamentos é aumentar a capacidade de produzi-los no país. Em Montes Claros, o presidente associou esse movimento à expansão da indústria farmacêutica brasileira e à redução da dependência externa na área da saúde.

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