Lula defende autonomia feminina: “Mulher não é escrava”
Em Montes Claros (MG), presidente afirma que fim da escala 6x1 vai garantir tempo de descanso e reforça trabalho e educação como chaves da independência
A defesa de melhores condições de trabalho e de mais autonomia para as mulheres marcou o discurso do presidente Lula nesta quinta-feira (17/09), em Montes Claros (MG). Durante ato de campanha no norte de Minas Gerais, Lula afirmou que a redução da jornada, com o fim da escala 6×1, é parte da luta para garantir às trabalhadoras mais tempo para descansar e viver.
Ele chamou atenção para a dupla jornada enfrentada pelas mulheres, que acumulam o emprego fora de casa com o trabalho doméstico e os cuidados com a família. “É por isso que nós vamos aprovar o fim da escala 6×1. Para que as mulheres possam ter tempo para descansar. Porque a mulher não para, ela trabalha fora. Quando chega em casa, ela trabalha. Quando o marido vai dormir, ela está trabalhando”, argumentou.
“É por isso que nós vamos aprovar o fim da escala 6×1. Para que as mulheres possam ter tempo para descansar. Porque a mulher não para, ela trabalha fora. Quando chega em casa, ela trabalha. Quando o marido vai dormir, ela está trabalhando”
Presidente Lula
Ao defender uma mudança na organização do trabalho, o presidente afirmou que o direito ao descanso também passa pelo reconhecimento de que homens e mulheres devem dividir responsabilidades dentro de casa. “Mulher não é escrava”.
A PNAD Contínua do IBGE mostra em números essa realidade descrita pelo presidente:
- 34% das mulheres fora do mercado de trabalho não buscam emprego porque precisam cuidar – da casa, de filhos/as ou outros parentes (PNADC 2024);
- As mulheres dedicam 21,3 horas semanais ao trabalho doméstico e de cuidados não remunerado, contra 11,7 horas dos homens (PNADC 2022).
INDEPENDÊNCIA – Lula também relacionou o trabalho e a independência financeira à capacidade de as mulheres decidirem sobre a própria vida. Ao falar sobre relações abusivas, afirmou que nenhuma mulher deve permanecer em uma relação por falta de autonomia ou por ser tratada como propriedade do homem.
Por isso, ele defendeu que as mulheres tenham condições de construir a própria trajetória e não dependam financeiramente de relações que lhes façam mal. “Mulher tem que ser respeitada sempre, e por isso minha responsabilidade de ter feito o Pacto Contra o Feminicídio. A gente mora junto quando a gente ama, quando a gente gosta. Mas ninguém é obrigado a morar com ninguém por causa de um prato de comida”, frisou.
CONTRA A VIOLÊNCIA – O presidente também dedicou parte do discurso ao combate à violência contra as mulheres e ao feminicídio. Lula afirmou que homens não podem exercer qualquer forma de violência dentro de casa e reforçou que as agressões devem ser tratadas com rigor. “Quem bater em mulher sabe que agora vai ser preso. Vamos criar uma sociedade mais justa”, disse.
