Depois de recuperar indicadores sociais e econômicos, o Brasil precisa entrar em uma nova fase de desenvolvimento. Essa foi uma das mensagens do presidente Lula durante entrevista aos podcasts Meteoro e Três Elementos nesta quarta, 5/8, ao argumentar que reconstruiu as bases necessárias para mirar um crescimento sustentado em educação, tecnologia, infraestrutura e inovação.
“O Brasil tem que dar um salto de qualidade porque a base está construída. As pessoas já estão comendo. Temos o menor desemprego da história. A maior quantidade de jovens nas universidades. Então agora a gente está num patamar em que a gente pode dar um salto de qualidade. E a sociedade tem que ser convidada a dar um salto de qualidade”, afirmou o presidente.
Ao longo da entrevista, o presidente defendeu uma distinção entre despesas correntes e investimentos capazes de ampliar a produtividade, gerar empregos e criar riqueza. “Quando colocamos dinheiro para a educação, é gasto ou investimento? Para a saúde, é gasto ou investimento?”, questionou. Segundo Lula, investimentos públicos em áreas estratégicas produzem retorno econômico e social, assim como ocorre na iniciativa privada quando empresas recorrem a crédito para expandir as atividades.
“O Brasil tem que dar um salto de qualidade porque a base está construída. As pessoas já estão comendo. Temos o menor desemprego da história. A maior quantidade de jovens nas universidades. Então agora a gente está num patamar em que a gente pode dar um salto de qualidade”
Luiz Inácio Lula da Silva
PRODUTIVIDADE E QUALIFICAÇÃO – Ao projetar um eventual quarto mandato, Lula afirmou que pretende conduzir o Brasil para uma etapa de desenvolvimento baseada em ganhos de produtividade e formação de mão de obra qualificada. Para isso, defendeu ampliar investimentos em engenharia, matemática, ciência e tecnologia, áreas consideradas fundamentais para aumentar a competitividade do país.
Como exemplo, citou a indústria de defesa. Segundo ele, investir nesse setor significa estimular pesquisa, inovação e a formação de profissionais altamente qualificados. “Quando falo, por exemplo, de investir em defesa, eu estou investindo em tecnologia. Estou investindo em emprego. Estou investindo em mais meninos que vão ter que se formar em engenharia e matemática para produzir as coisas de defesa que o mundo inteiro tem.”
Lula também mencionou a necessidade de desenvolver tecnologias nacionais, como drones, e questionou a dependência externa em setores considerados estratégicos.
CUSTO DE NÃO INVESTIR – Outro ponto central da entrevista foi a defesa de uma mudança na forma como o país avalia as decisões econômicas. Para Lula, o Brasil costuma discutir quanto custa investir, mas raramente calcula o preço de deixar investimentos importantes para depois. “Tem uma pergunta que acho que a gente nunca faz: quanto custa não fazer as coisas na hora certa?”
Ele citou exemplos históricos, como a demora na alfabetização da população, a falta de investimentos em formação de engenheiros e matemáticos e os prejuízos provocados pelo atraso na compra de vacinas durante a pandemia de Covid-19.
Segundo o presidente, esse raciocínio precisa orientar não só as políticas públicas dos próximos anos, mas a percepção da sociedade para evitar perdas econômicas e sociais futuras.
OPORTUNIDADES – Ao relacionar educação e desenvolvimento econômico, Lula afirmou que ampliar o acesso ao ensino precisa caminhar junto com uma economia capaz de absorver profissionais qualificados.
“O menino quer estudar. Depois ele pergunta: o que eu vou fazer quando me formar? Aí você tem que fazer a economia crescer para gerar a oportunidade de emprego que ele precisa ter.”
Na avaliação do presidente, o país reúne hoje condições favoráveis para esse novo ciclo. Com indicadores de emprego em alta, ampliação do acesso às universidades e melhora das condições de vida da população, o desafio passa a ser transformar esses avanços em crescimento sustentado, baseado em conhecimento, inovação e aumento da capacidade produtiva do Brasil.


