Lula defende reforma no Poder Judiciário e investigação completa do caso Master
Em entrevista à Super Rádio Tupi, no Rio de Janeiro, Lula cobra compromisso da Suprema Corte com a ética: "Ali é um sacerdócio"
Guardião da democracia e peça central na defesa das instituições brasileiras, o Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu de Lula uma defesa enfática e, justamente por isso, uma cobrança à altura de sua responsabilidade. Em entrevista à Super Rádio Tupi, no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (18/09), o presidente ressaltou a importância da Corte na preservação da democracia e defendeu que as revelações relacionadas ao caso do Banco Master sejam esclarecidas.
Para Lula, “não há democracia” sem instituições sérias e, por isso, ele propõe uma discussão sobre ética e mudanças no Judiciário. Mas, antes de qualquer reforma, é preciso esclarecer os fatos que envolvem integrantes do STF e enfrentar a crise atual. “Nós vamos ter que discutir como é que a gente vai consertar isso, como é que a gente vai consertar a Suprema Corte. Eu quero rediscutir uma reforma no Poder Judiciário, mas antes de fazer essa reforma, tem que resolver esse problema”, disse.
SACERDÓCIO – Ao falar do comportamento esperado de um ministro do STF, Lula afirmou que chegar à mais alta Corte do país significa aceitar limites impostos pela responsabilidade do cargo. “Quem quiser ir para a Suprema Corte não pode querer ser rico. Ali é um sacerdócio”.
Lula continuou: “As pessoas precisam efetivamente saber que ali é a instância mais sublime do nosso país, a mais forte. Quando ela decide, ninguém pode fazer mais nada. Então ela tem que ser muito séria, tem que ter muita ética.” O presidente relacionou essa cobrança às informações que vieram à tona nas investigações sobre o Banco Master e Daniel Vorcaro. Durante a entrevista, citou ministros e relações reveladas no decorrer do caso e afirmou que o episódio não pode ser tratado como algo normal.
CONTRAPESO – A crítica, porém, veio acompanhada de uma defesa da atuação institucional do Supremo. Lula fez questão de separar os questionamentos atuais do caso Master com o julgamento da tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023. “O Alexandre Moraes teve um papel extremamente importante nas eleições (era presidente do TSE à época) e na manutenção da democracia”, afirmou.
Lula lembrou que o país viveu um momento histórico ao responsabilizar pessoas que ocuparam os postos mais altos da República e das Forças Armadas. Na avaliação do presidente, reconhecer essa atuação não impede que fatos envolvendo integrantes da Corte sejam investigados. É justamente por considerar o STF essencial à democracia, argumentou, que a instituição precisa estar submetida a padrões rigorosos de ética.
RESPOSTAS – Lula disse acreditar que novas informações ainda serão reveladas à medida que o material das investigações se torne público. E defendeu que o caminho seja a apuração, sem antecipação de conclusões. Para ele, a dimensão da crise torna ainda mais importante preservar a credibilidade das instituições.
“Como eu defendo as instituições e como eu acho que não há democracia se não tiver instituição séria, vamos ter que rediscutir o papel das instituições”, analisou. Na entrevista, Lula resumiu o tamanho da cobrança que faz ao Supremo. Quanto maior o poder de uma instituição, maior precisa ser o compromisso de quem a representa com a ética e com a confiança da sociedade.