05 de abril de 2022
Foto: Ricardo Stuckert

Durante o debate “Brasil-Alemanha – União Europeia: desafios progressistas – parcerias estratégicas”, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, e outros participantes ressaltaram a parceria de mais de 4 décadas entre o PT e o partido progressista alemão PSD. O encontro na manhã de hoje (5) foi realizado pela Fundação Perseu Abramo (FPA) e a Fundação Friedrich Ebert (FEP), em São Paulo.

“Falar das relações do Brasil com a Alemanha e União Europeia não é difícil para alguém que sempre teve na Alemanha uma relação quase que preferencial desde o tempo que eu assumi o sindicato em 1975”, disse Lula. “Sempre que precisava conversar com alguém da Alemanha, estava lá um representante da Fundação Frederich Ebert”.

O ex-presidente também voltou a agradecer publicamente o gesto de Martin Schulz, que foi um dos líderes internacionais que o visitaram quando estava preso na Polícia Federal, em Curitiba, para denunciar o lawfare e a decisão ilegal da Lava Jato. “São gestos como esse que a gente não esquece nunca e nem quer esquecer. Solidariedade é uma palavra muito fácil de ser falada, mas muitas vezes é uma palavra muito difícil de ser executada. É preciso muito compromisso, muita afinidade ideológica, muita afinidade política para que você se disponha a ter um gesto de solidariedade como você teve comigo”, destacou.

Cooperação Brasil – Alemanha

O representante da FES no Brasil, Cristoph Heuser, também celebrou a parceria em seu discurso. “Todos os desafios, como crise econômica e mudanças climáticas, só têm solução se nós trabalharmos juntos, com valores democráticos que compartilhamos. A FES vem trabalhando no Brasil há 4 décadas por esses valores, numa parceria com a FPA e o PT. É muito importante compartilhar esses momentos, sentimos que lutamos pelas mesmas coisas, os mesmos valores”, afirmou.

Martin Schulz destacou a necessidade de restabelecer uma cooperação global entre as nações e que esse processo pode ser novamente liderado pelo Brasil. “O mundo está numa situação difícil, não precisamos de ilusão. Muitos países optaram por autocratas e deixaram o caminho do multilateralismo, da unilateralidade. As Nações Unidas não estão conseguindo cumprir o seu papel. O que importa para esses autocratas é o poder dentro de seus próprios países. Sozinhos somos fracos, juntos somos fortes. O Brasil durante 2 décadas liderou esse movimento.”

Segundo o presidente da Fundação Perseu Abramo, Aloizio Mercadante, o mundo vive “uma mudança geopolítica importante na ordem econômica internacional e nós temos um imenso desafio em relação às instituições multilaterais e à governabilidade desse cenário, temos um desafio gigantesco na integração latinoamericana. Ao mesmo tempo esse novo cenário abre novas oportunidades de parceria entre Brasil e Alemanha, entre União Europeia e América Latina”.

A presidenta nacional do PT, Gleisi Hoffmann, pediu um fortalecimento dos laços entre setores progressistas no cenário internacional. “Nunca foi tão importante fortalecer os laços internacionais entre os democratas e os progressistas, precisamos ter isso como um dos desafios e um dos objetivos maiores, porque a luta que travamos contra o autoritarismo, contra a extrema-direita que se instalou aqui, é uma luta que também acontece em vários países”, lembrou.