22 de agosto de 2013

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajou nesta quinta-feira (22), para Rio Branco, capital do Acre, onde participará, na sexta-feira (23), da entrega da primeira etapa de obras do Complexo Industrial do Peixe (Peixes da Amazônia S/A), uma parceria do governo do estado para estimular a piscicultura para exportação.

O Complexo será formado por um centro de reprodução de alevinos, um frigorífico para processamento, limpeza, resfriamento, congelamento e filetagem e uma fábrica de ração. O foco principal de todo este investimento será a exportação de pescado, que será produzido pelos piscicultores do Acre, para os mercados do sudeste brasileiro, Europa e a Ásia.

Lula e Acre
Pela primeira vez no Acre após deixar a Presidência da República, Lula desembarca novamente nas terras de Galvez, que tanto visitou. Uma das visitas mais marcantes e tristes aconteceu no ano de 1988. O jornalista Ricardo Kotscho lembra que acordou de madrugada com um telefonema de Lula informando que, às 6h, os dois se encontrariam no aeroporto para embarcar rumo ao Acre. Chico Mendes havia morrido e Lula estaria no velório. “Ele defendia não a floresta por defender a floresta. O Chico defendia era um jeito moderno do povo que mora na floresta sobreviver, explorando adequadamente as riquezas produzidas pela natureza. Quando ele foi assassinado é que o Brasil tomou consciência de que tinha uma liderança extremamente importante, anônima”, disse Lula em 2008, por ocasião dos 20 anos da morte de Chico Mendes, lembrando palavras que ele proferiu naquela tarde de 1988, em Xapuri: “Ele conseguiu juntar a luta pelo trabalho, pelo direito à vida dos trabalhadores deste estado e desta região, com uma luta pelo meio-ambiente”.

Chico Mendes foi assassinado em frente à porta de sua casa, em 1988, por defender a Amazônia e os povos da floresta. Ficaram famosos os “empates” promovidos pelo líder seringueiro. Nesses empates, dezenas de homens, mulheres, crianças e anciãos davam as mãos em frente à área a ser devastada e se postavam em frente às máquinas e policiais, impedindo assim o avanço dos madeireiros em diversas ocasiões.

A relação de Lula com o Acre extrapola os limites da política e alcança fácil o carinho que o ex-presidente tem com o Estado. Em 1993 Assis Brasil, fronteira com o Peru, foi o ponto extremo escolhido por Lula para iniciar a segunda Caravana da Cidadania, que lutava para que a população esquecida pelos olhos das regiões centrais do Brasil tivessem consciência de seus direitos e lutasse por eles.

Entre as idas e vindas para organizar e fortalecer o Partido dos Trabalhadores no Acre, campanhas eleitorais e causas sociais foram muitas as vezes que Lula esteve no estado. Enquanto presidente prestigiou inaugurações de obras importantes como o Aeroporto Internacional de Cruzeiro do Sul, a Ponte Binacional entre o Acre e o Peru e os hospitais da Criança e do Câncer.

Respeito pelos seringueiros
“O lula sempre foi um grande símbolo para os trabalhadores do Brasil inteiro. Símbolo de dignidade, luta, resistência e de conquista de vida melhor. Sempre teve grande proximidade conosco e profunda admiração e respeito pelos seringueiros e trabalhadores rurais, numa demonstração de que sua luta não era somente para a classe operaria dos grandes centros, mas avançava todo o país, todas as regiões, mais pobres, mais distantes e discriminadas. O Lula sempre lutou contra a discriminação que é feita com a Região Norte e a presença dele era a afirmação de que no seu projeto essa região seria valorizada, como de fato foi”, comentou o petista Nilson Mourão, que já assumiu mandato de deputado federal e hoje é secretário de Estado de Justiça e Direitos Humanos.

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