21 de novembro de 2018
Foto: Ricardo Stuckert

Há exatos 15 anos, em 21 de novembro de 2003, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursava a movimentos sociais da luta pela terra em um evento sobre a Reforma Agrária. Na ocasião, Lula chamava uma reflexão que 15 anos mais tarde continua atual no Brasil de 2018:

“Muitas vezes a gente morre afogado pela nossa pressa. Se o ser humano tivesse controle psicológico quando caísse na água, se ele parasse de respirar ou controlasse a respiração, e se ele não se debatesse muito, não morreria afogado, ficaria boiando o tempo que quisesse. Nós morremos porque, às vezes, começamos a gritar, de forma apavorada, a beber água e a ficar cansados e, aí, dali a pouco, afundamos.

No governo, a gente tem que medir cada passo, porque um passo errado significa uma volta atrás. E uma volta atrás significa fazer sofrer aqueles que já sofrem neste país. Este país, meus companheiros, durante muitos e muitos anos, foi pego de sobressalto, com planos mirabolantes: ‘Agora vai dar’, e todo mundo entrava em festa. ‘Agora vai ser para valer’, e todo mundo ficava feliz. E, seis meses depois, ‘a vaca ia para o brejo’ e o povo ficava com o prejuízo, porque, em todos os ‘milagres’, sobrou prejuízo nas costas do trabalhador.”

Anos mais tarde, Lula seria reeleito em 2006 e deixaria a Presidência da República com 83% de aprovação em 2010, recorde histórico de aprovação entre os brasileiros, após promover uma verdadeira revolução nos indicadores sociais e a na qualidade de vida daqueles que mais sofriam. E naquele 21 de novembro, o então presidente avisou:

“Se eu comecei a minha vida política olhando cada mulher e cada criança no olho, podem estar certos de que eu quero sair da Presidência da República olhando cada um de vocês no olho e dizendo a todos: meus companheiros, é possível que eu não tenha feito tudo que vocês queriam, que eu não tenha feito tudo que eu sonhava, mas podem ficar certos de que eu fiz o que era possível fazer, e fiz com a maior lealdade que um ser humano pode ter pelo outro. Alguns virão ao encontro de vocês e nunca mais vocês irão vê-los. A mim, vocês vão ver, porque eu tenho dito: no movimento sindical eu nasci, no movimento pretendo morrer, participando.”