Lula em BH: Brasil não vai depender de China ou EUA para consolidar sua inteligência artificial
Em ato de campanha que reúne multidão na Praça da Estação, presidente defende soberania tecnológica, produção nacional de inteligência artificial e minerais estratégicos com valor agregado no Brasil
A Praça da Estação já viu Lula chegar para comemorar vitórias, enfrentar dissabores, discursar sob chuva e atravessar diferentes capítulos de sua trajetória. Nesta sexta-feira (21/08), o presidente voltou ao coração de Belo Horizonte para abrir a campanha em Minas Gerais olhando para essa história, mas com o discurso voltado ao próximo passo. Um Brasil capaz de produzir sua própria tecnologia, transformar suas riquezas dentro do país e ocupar espaço no mundo sem abrir mão da soberania.
Diante do público que ocupou a praça no Centro da capital mineira, Lula tratou de inverter a lógica tradicional de um comício. “Eu queria primeiro dizer que as pessoas que estão aqui não precisam ficar olhando para mim, porque quem importa aqui é o povo”, afirmou.
“Eu quero que vocês sejam engenheiros, matemáticos, que estudem tudo no mundo digital, porque o Brasil não vai ficar dependendo nem da China, nem dos Estados Unidos para fazer a sua inteligência artificial”
Luiz Inácio Lula da Silva
O ato reuniu a chapa majoritária que disputa as eleições em Minas: Patrus Ananias (PT), candidato ao governo do estado; e Marília Campos (PT) e Áurea Carolina (PSOL), candidatas às duas vagas no Senado Federal.
Lula recuperou personagens e episódios de sua relação de décadas com Minas para sustentar uma ideia que tem repetido desde o início da campanha: conhecer o caminho percorrido é parte da construção do que vem pela frente.
“Eu gosto de falar do passado porque tem gente que não tem passado, não tem presente e fica fingindo falar do futuro. Quem não tem passado e não tem presente não tem perspectiva de futuro. Eu falo do passado, penso no presente para reconstruir o futuro que quero nesse país”, disse.
IA brasileira – O presidente defendeu que o próximo ciclo de desenvolvimento brasileiro passe pela formação de jovens, pela inteligência artificial, pelos data centers, pela agregação de valor aos minerais estratégicos e pela capacidade de o país controlar seus próprios dados e tecnologias.
“Eu quero que vocês sejam engenheiros, matemáticos, que estudem tudo no mundo digital, porque o Brasil não vai ficar dependendo nem da China, nem dos Estados Unidos para fazer a sua inteligência artificial”, afirmou. Na quinta-feira, o presidente anunciou que um supercomputador voltado para processamento de inteligência artificial será construído no Rio Grande do Norte.
Segundo Lula, o país precisa avançar para uma nova etapa depois da reconstrução de políticas sociais e econômicas. “Nós, agora, vamos entrar numa nova fase. O básico já está construído. Agora temos que dar um salto de qualidade”, disse. Para ele, esse salto começa pela educação, com expansão das universidades, dos cursos de formação e das escolas de tempo integral.
A estratégia também passa pelos data centers e pelo domínio sobre as informações produzidas no país. Lula citou o Redata, programa enviado ao Congresso, e defendeu que a infraestrutura digital seja tratada como parte da soberania nacional. “Nós não queremos deixar os dados do povo brasileiro na mão dos americanos, dos chineses ou dos russos. Têm que ser nossos dados para a gente poder criar a nossa inteligência artificial”, declarou.
Eu gosto de falar do passado porque tem gente que não tem passado, não tem presente e fica fingindo falar do futuro. Quem não tem passado e não tem presente não tem perspectiva de futuro. Eu falo do passado, penso no presente para reconstruir o futuro que quero nesse país”
SOBERANIA – Ao tratar da posição brasileira diante das grandes potências, Lula defendeu cooperação internacional, mas afirmou que o país não deve se limitar à condição de fornecedor de matéria-prima. Citando as reservas brasileiras de minerais críticos e terras raras, disse que pretende negociar com China, EUA e países europeus tendo como prioridade a industrialização nacional.
“Nós queremos trabalhar junto. Repartir com o mundo os nossos minerais, mas eles têm que ser transformados no Brasil e o valor agregado tem que ficar dentro do Brasil, para gerar emprego de qualidade para o nosso povo”.
Lula também colocou essa defesa da soberania dentro de um cenário internacional marcado por guerras e disputas comerciais. Contou ter conversado recentemente com o presidente da China, Xi Jinping, com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e, nesta sexta-feira, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, integrantes titulares do Conselho de Segurança da ONU, e cobrado deles uma reunião para tentar encerrar os principais conflitos no cenário internacional.
Sobre a conversa com Trump, Lula afirmou ter questionado a taxação de produtos brasileiros e defendido uma relação baseada em respeito e cooperação, inclusive no combate ao crime organizado. “O que nós não queremos é interferência no Brasil”, declarou.
ALCKMIN- Antes de Lula, o vice Geraldo Alckmin citou políticas nas áreas de emprego, renda, educação, saúde, infraestrutura, indústria e meio ambiente, além de investimentos federais no estado. “O que anda para trás é caranguejo. O Brasil quer ir para frente com Lula presidente”, afirmou.
O vice-presidente também mencionou a redução do desmatamento e a saída de milhões de brasileiros do Mapa da Fome como exemplos de políticas que, segundo ele, mostram a diferença entre os projetos em disputa.
Na parte mais política da fala, Alckmin afirmou que Lula teve papel decisivo na defesa da democracia e criticou setores que questionaram o resultado das urnas. “Quem não confia no voto popular nem candidato deveria ser”, afirmou.
