23 de outubro de 2013

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta quarta-feira (23), em Lisboa, do lançamento do livro do ex-primeiro-ministro José Sócrates, “A confiança no mundo”, sobre a tortura em estados democráticos. Para Sócrates, “em todo o lugar que a tortura foi utlizada, corrompeu as instiuições e a sociedade”. Também participou da mesa de lançamento o ex-presidente Mário Soares.

Lula disse que concordou em fazer o prefácio da obra porque considera qualquer forma de tortura abominável e injustificável.

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Lula cumprimentou Sócrates por, após ter deixado o governo, se tornar um aluno na França e pesquisar um tema tão difícil quanto a tortura praticada por estados de direito. Mas estimulou o ex-primeiro ministro a continuar sua carreira política. “Agora você está em forma, não pode sair da política tão cedo. Vai ter que voltar a politicar”. Comentando a necessidade de a classe política retomar a iniciativa diante da crise europeia, o ex-presidente disse que “quem tem que resolver essa crise é a classe política responsável pela criação dessa crise”.

Já para Sócrates, Lula é um dos grandes políticos do nosso tempo, que “mostrou ao mundo que a esquerda sabe governar. E mais do que isso, deu uma projeção internacional ao Brasil”.

Falando sobre os protestos no Brasil, e a juventude também na Europa e no norte da África, particularmente no Egito, Lula reforçou que “toda vez que se renegou a política, o que aconteceu depois foi algo muito pior e sombrio. E eu comecei a dizer que eu tinha orgulho do meu partido, e de carregar a bandeira do meu partido. Quem nega a política está contribuindo para o enfraquecimento da democracia em qualquer lugar no mundo”.

Esquerda da Europa e utopia
O ex-presidente também demonstrou sua preocupação com o futuro da esquerda europeia. “Uma coisa que me preocupa mesmo sem ser europeu: o futuro do socialismo europeu, da esquerda europeia. Esse é o momento de reconstruir uma nova mensagem. Afinal de contas, de tempos em tempos, é importante fazer reciclagem do nosso comportamento político. O PT precisa sempre passar por um processo de renovação. Chegamos ao poder muito rapidamente, em 30 anos nós criamos o partido mais importante da América Latina, chegamos ao governo, e fizemos uma radical transformação no Brasil. Nós, na América do Sul, estamos nos matando para construir coisas que vocês já conseguiram há 50 anos. Vocês não precisam ter vergonha do padrão de vida que conquistou o povo trabalhador deste continente”.

“É hora de construirmos um novo sonho. Não uma nova teoria, mas uma nova utopia, que possa movimentar, que possa nos movimentar como nos movimentava a utopia quando a gente tinha 30, 40 anos. Não é possível a gente viver sem sonho, sem esperança“.