“Quanto custa fazer? E quanto custa não fazer?”, questionou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao defender, nesta sexta-feira (14), que irá colocar a educação como prioridade no futuro que projeta para o Brasil, com investimento pesado em busca da universalização do ensino integral.
Em entrevista ao podcast As Cunhãs e ao canal Não Inviabilize, nesta sexta-feira (14), Lula afirmou que o país precisa um novo salto de desenvolvimento, que também leve em consideração a expansão da educação profissional e o fortalecimento das condições para que jovens, especialmente os de baixa renda, não apenas ingressem no ensino superior, mas finalizem os estudos.
“Não há exemplo no mundo de qualquer país que tenha se desenvolvido sem antes investir na educação”, disse. Para o presidente, o investimento precisa começar na educação básica e alcançar todas as regiões e classes sociais, ao mesmo tempo em que prepara o país para áreas estratégicas do futuro, como engenharia, matemática e inteligência artificial.
Lula lembrou que, durante muito tempo, o debate sobre a expansão da Escola em Tempo Integral esbarrou no argumento de que o modelo seria caro. Entretanto, para o presidente, a questão precisa ser encarada por outro ângulo. “Quando alguém falar para você que é caro, você tem que perguntar quanto custa não fazer. Fazer é caro. E quanto custa não fazer?”, questionou.
O presidente relacionou a reflexão a escolhas históricas do Brasil, como o atraso na criação de universidades e na democratização do acesso à educação. Segundo Lula, a dificuldade de superar essas desigualdades ajuda a explicar a necessidade de estabelecer a educação como uma das prioridades para os próximos anos. “Nós temos que dar um salto de qualidade no Brasil. Eu agora quero levar o Brasil ao padrão dos países altamente desenvolvidos. E começa pela educação.”
TEMPO INTEGRAL – Entre as prioridades defendidas por Lula está a expansão da Escola em Tempo Integral para todo o país. O objetivo é oferecer uma formação mais ampla, que combine conhecimento, cultura, cidadania e consciência social. Ao longo deste terceiro mandato, o Governo Federal investiu mais de R$ 7,8 bilhões para garantir 1,85 milhão de novas matrículas nesta modalidade.
“Tempo integral é a salvação para dar maior capacidade de aprendizado às crianças, não apenas em matemática ou português, mas cultura, tudo que for necessário aprender”, afirmou.
Na entrevista, Lula também destacou o impacto do modelo na rotina das famílias. Com crianças e adolescentes na escola durante o dia, mães e pais ganham mais tranquilidade para trabalhar, enquanto os estudantes permanecem em um ambiente de aprendizagem, convivência e proteção.
O presidente ressaltou ainda que a escola contribui para a formação de cidadãos mais conscientes sobre questões que atravessam a sociedade, como violência contra a mulher, igualdade e preservação ambiental.
DO ACESSO À PERMANÊNCIA – A educação superior também esteve entre os temas abordados pelo presidente. Lula lembrou a expansão das universidades e dos Institutos Federais promovida ao longo de seus governos e afirmou que o próximo passo é garantir que o acesso venha acompanhado de condições para a permanência dos estudantes.
A preocupação, segundo o presidente, parte da compreensão de que ampliar o número de vagas não é suficiente para assegurar igualdade de oportunidades. Em situação de vulnerabilidade, condições básicas de permanência podem ser determinantes para que o acesso se transforme em oportunidade de futuro.
Para isso, defendeu políticas de alimentação e moradia estudantil. “A universidade tem que garantir a comida e também o lugar para dormir para os estudantes que não podem pagar. Ninguém aprende com fome”, resumiu.
INSTITUTOS – Lula também destacou a expansão da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica. Segundo o presidente, o país levou praticamente um século para chegar a 140 unidades e deverá alcançar 782 Institutos Federais, considerando a expansão realizada a partir de 2003 e as novas unidades previstas.
A expansão da rede, para Lula, tem também uma dimensão regional. Levar educação profissional de qualidade para mais municípios significa aproximar os jovens de oportunidades de formação e trabalho e reduzir o peso do local de nascimento sobre as possibilidades de cada brasileiro.
DESIGUALDADES – Ao longo da conversa, Lula associou educação, inclusão social e atuação do Estado. Para explicar sua visão, comparou o governo a uma mãe diante dos filhos. Todos precisam de cuidado, mas aquele que está mais fragilizado precisa de atenção adicional até recuperar as condições de caminhar sozinho. “Temos que apostar tudo na educação”, resumiu o presidente.


