Na Bahia, Lula defende plano para futuro com foco em tecnologia, transição energética e educação
Presidente destaca a exploração de minerais críticos, a produção de chips e investimentos de R$ 500 bilhões para mudar o patamar da economia brasileira
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em Salvador nesta sexta-feira (28) que seu próximo mandato terá como foco transformar o Brasil em potência tecnológica e industrial. A ideia é criar condições para que o país deixe de ser apenas exportador de matérias-primas com investimentos focados em educação, ciência e tecnologia.
Durante rápida conversa com jornalistas antes de uma caminhada pelo bairro da Liberdade, na capital baiana, Lula defendeu a educação superior voltada para a inovação, a sequência no trabalho de fortalecimento da indústria nacional e investimentos bilionários em transição energética. Lula ressaltou que o país tem os recursos necessários para disputar espaço no cenário global e produzir itens de alto valor agregado.
“Nós queremos explorar aqui, separar aqui, industrializar aqui e produzir as coisas com maior valor agregado. A gente não quer ser importador de ciência e tecnologia. O Brasil precisa formar a juventude para que a gente possa ser exportador”
Luiz Inácio Lula da Silva, sobre terras raras
“A gente não quer ficar nessa disputa de quem tem mais tecnologia, mais dinheiro, de quem é mais rico com China e Estados Unidos. Não. O Brasil tem gente inteligente, tem minerais críticos, terras raras, como poucos países do mundo têm, e a gente vai transformar esses novos minerais, que a gente até então não explorava, para que a gente possa desenvolver esse país”, afirmou, ao lado do governador Jerônimo Rodrigues, candidato à reeleição, e dos integrantes da chama majoritária no estado, com Rui Costa e Jaques Wagner.
O presidente reforçou que o objetivo é processar esses materiais em solo brasileiro em vez de exportá-los brutos, citando a fabricação de baterias, chips e celulares. “A gente vai querer produzir carro, bateria, fazer chip, a gente vai querer celular, e a gente quer fazer a revolução energética que o Brasil pode fazer”, listou o presidente.
Para sustentar esse modelo de desenvolvimento, Lula apontou a educação como pilar central, e previu mais investimentos com direcionamento para áreas estratégicas. “A educação é a base de tudo, porque vai permitir que a pessoa possa se formar adequadamente. Precisamos ter muita gente formada em matemática, em engenharia, para tratar de inteligência artificial, para saber escolher os minerais críticos e a terra rara”, detalhou. “Nessa tal de inteligência artificial, precisamos formar nos nossos institutos federais e nas universidades milhares de meninas e meninos para que a gente não fique dependendo de China ou dos Estados Unidos. Queremos depender do povo brasileiro”.
Lula também citou o avanço do Redata para atrair aportes financeiros expressivos ao país com a instalação de Datacenters e concluiu projetando uma mudança de patamar para o Brasil. “Na hora que a gente dominar a tecnologia toda, a gente não vai mais exportar apenas soja, milho, minerais. A gente vai exportar conhecimento, inteligência.”
INTEGRAL – O presidente citou ainda uma das prioridades para o próximo mandato: a ampliação da escola em tempo integral em todo o país. “Não apenas para melhorar a qualidade da educação das crianças, mas para garantir tranquilidade aos pais e às mães”. Desde 2023, com a criação do Programa Escola em Tempo Integral, o caminho está sendo pavimentado. O resultado já é visto no aumento de 1,8 milhão de matrículas em tempo integral e mais R$ 7,2 bilhões investidos. A quantidade de municípios que ofertam o serviço cresceu de 17%, em 2023, para 91% no ano passado. A iniciativa amplia o tempo de permanência dos estudantes na escola e garante um ambiente seguro, com alimentação adequada e atividades pedagógicas, culturais e esportivas. Ela também apoia o aprendizado e o desenvolvimento integral de crianças e jovens e oferece mais segurança e acompanhamento às famílias.