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Internacional • Setembro de 2026 • 3 min de leitura

Na ONU, Lula vai exaltar soberania e falta de liderança de grandes potências 

Em entrevista, presidente antecipa que discurso em Nova York será para reforçar que o país não se curvará a interesses geopolíticos

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Um momento para falar da falta de representatividade do Conselho de Segurança da ONU. Da necessidade de as grandes potências se debruçarem de fato para encerrar as guerras. E de soberania. A do Brasil. A de um país que não se curva. Assim o presidente Lula definiu como será o discurso que vai proferir na semana que vem na abertura da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, nos Estados Unidos. 

Durante entrevista à Rádio Itatiaia, de Minas Gerais, nesta quinta-feira (17), o presidente Lula antecipou um pouco do que abordará diante dos principais líderes mundiais. 

“É um discurso que fala do mundo. Da economia do mundo. Da pouca representatividade do Conselho de Segurança da ONU. Vai falar das guerras. Da falta de liderança para tomar decisões”, comentou o presidente. 

O contexto geopolítico em que Lula chegará aos Estados Unidos envolve tanto a imposição de tarifas unilaterais e sem respaldo técnico pelo governo Trump a setores econômicos do Brasil quanto um cenário de interesse manifesto dos norte-americanos em ter esferas de controle político e econômico na América Latina. 

SOBERANIA – “O Brasil não se curvará à arrogância. O Brasil vai fazer aquilo que é de interesse do povo brasileiro. A nossa soberania é intocável”, reforçou Lula. Nos últimos dias, o país reforçou essa perspectiva em duas sanções: a do Redata e da Política Nacional de Minerais Críticos. O Redata determina regras e condições atrair a instalação de datacenters no país, com perspectiva de gerar empregos qualificados e uso de energia renovável.

Nos minerais críticos, a perspectiva é fazer a mineração, produção, beneficiamento e industrialização dentro do país. Com parcerias com países estrangeiros, mas com garantia de que os empregos qualificados e os produtos industrializados serão construídos no país.

Lula ressalta que a sua relação pessoal com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é boa e cordial, mas que há pontos que turvam a relação em outras instâncias do governo norte-americano. “Toda a relação minha com o Trump é boa. Eu trato ele bem, ele me trata bem. O problema é que quando terminamos a reunião, aparece alguém que indica que não está tudo bem. Eu acho que é o secretário de Estado, o Marco Rubio. Parece que ele não gosta da América Latina. Está sempre fazendo as coisas contrárias àquilo que o Trump acerta”, afirmou Lula.

O presidente enfatizou que propôs aos Estados Unidos parceria para ações conjuntas de combate ao crime organizado na região, aproveitando a expertise da Polícia Federal brasileira. Da mesma forma, separou negociadores, ministros e técnicos para rebater em dezenas de reuniões e foros os argumentos dos americanos para a imposição de tarifas. “O Brasil está pronto para conversar. O Brasil tem tamanho e inteligência para conversar sobre qualquer assunto, com qualquer presidente do mundo”, resumiu Lula. 

MERCADOS – Diante das tarifas impostas pelos americanos, o Brasil tomou diversas iniciativas. Além de negociar em todas as instâncias e reduzir significativamente a lista de setores afetados, o país criou o Plano Brasil Soberano, para garantir empregos e linhas de financiamento facilitadas para empresas nacionais, e envolveu a Apex e toda a diplomacia federal para ampliar mercados para os produtos nacionais. 

O resultado foi a abertura recorde de mais de 650 mercados para produtos brasileiros em mais de 90 destinos, quase o triplo do que foi gerado na gestão anterior. Em outra frente, mesmo diante das tarifas, o comércio exterior brasileiro bateu todos os recordes de exportações.

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