13 de abril de 2018

Maria Flor Guerreira é da etnia Pataxó. Estava em Brasília quando Luiz Inácio Lula da Silva tomou posse como presidente da República em 2003. Em 2007, também foi a Capital Federal celebrar o início do segundo mandato do ex-presidente. Nesta semana, Maria Flor faz uma peregrinação diferente, dessa vez em Curitiba.

“Ver o Lula aprisionado dá um vazio no estômago que não tem comida que preencha”, desabafa a indígena. Moradora de Belo Horizonte, ela é mais uma dos acampados nos arredores da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde Lula segue preso. 

Maria Flor chegou na terça-feira (10) ao acampamento. Para ela, Lula representa uma “árvore que o vento balança mas não consegue quebrar”. “E ele se dobrou para não ser quebrado ao vir até aqui. Ele teria todas as condições de ter fugido e abandonado o barco, mas ele não fez isso porque não é rato”, resume.

Sem previsão de voltar para casa, Maria Flor atende o filho, estudante de museologia na UFMG. “Ele gostaria de estar aqui, mas sabe a importância e o significado que tem ele continuar lá estudando”. 

Acampamento Lula Livre

A ocupação, batizada de acampamento Lula Livre, vai sendo dominada por barracas em calçadas que se alastram dia após dia. Símbolo da resistência contra a prisão de Lula, o acampamento avança pelas ruas adentro do bairro Santa Cândida e encontra, onde menos se espera, a solidariedade dos moradores locais.