18 de outubro de 2018

A frase a seguir é de Sérgio Moro: “Temos que falar a verdade, o caixa 2 nas eleições é trapaça, é um crime contra a democracia”. A opinião de uma figura pública que tem insistido tão fortemente em construir para si a imagem do herói do combate à corrupção é especialmente importante no momento em que o combate à corrupção, de um lado, e a sua prática velada, de outra, se colocam no centro dos debates neste segundo turno.

Não são poucas as suspeitas de atividades ilícitas envolvendo o presidenciável do PSL e expostas em gravíssima reportagem do jornal Folha de S.Paulo nesta quinta-feira (18): há uma clara tentativa de fraude eleitoral por parte de Bolsonaro. Acontece que o capitão é um apoiador entusiasmado de Moro e tem como marca de sua campanha a reiteração de sua suposta honestidade. Já o juiz de primeira instância não costuma aplicar o mesmo peso e a mesma medida para todos os investigados na Lava Jato, convertida em seu palanque.

O mesmo magistrado que condenou Lula sem provas, em um processo viciado e desmantelado por juristas de renome internacional, já se recusou a julgar um caso de corrupção no Paraná alegando estar “sobrecarregado” – convenientemente, o investigado era do PSDB, o mesmo partido com que Moro costuma ser visto em encontros sociais.

Ansiosos para um pronunciamento do juiz, lembramos sua fala para uma plateia de estudantes brasileiros na Universidade de Harvard em abril do ano passado: “Para mim, a corrupção para financiamento de campanha é pior que para o enriquecimento ilícito. Se eu peguei essa propina e coloquei em uma conta na Suíça, isso é um crime, mas esse dinheiro está lá, não está mais fazendo mal a ninguém naquele momento. Agora, se eu utilizo para ganhar uma eleição, para trapacear uma eleição, isso, para mim, é terrível”.

Moro ressaltou que não estava se referindo a uma campanha eleitoral em específico, mas em geral. À época, não estava mesmo. Mas poderia – e deveria! – depois de a Folha de S.Paulo trazer denúncias gravíssimas de caixa 2 duplamente qualificado na campanha de Jair Bolsonaro.

Conforme o PT e a coligação O Povo Feliz de Novo têm denunciado incessantemente desde o início da campanha, o jornal comprova que há investimentos milionários por trás da indústria de fake news, mentiras e calúnias de Bolsonaro, e tais somas milionárias viriam de empresários. Ou seja, a campanha estaria se beneficiando de doação de empresa por meio de serviço, o que é proibido pela legislação eleitoral, e doação não declarada, o que configura caixa 2.

O triplex falsamente atribuído a Lula foi leiloado pela Justiça por R$ 2,2 milhões. A suspeita envolvendo Bolsonaro é de valores pelo menos seis vezes maiores: CADA pacote de disparo em massa comprado por empresários chega a custar R$ 12 milhões.

O caso é tão grave que juristas avaliam ser possível até mesmo a impugnação da candidatura de Bolsonaro.

Lembramos a opinião do juiz responsável pela Operação Lava Jato em Curitiba: “Caixa 2 nas eleições é trapaça”. O próprio diretor do Datafolha confirmou que há, sim, um “fenômeno claramente explicitado” de que a fraude ilegal e imoral de Bolsonaro no WhatsApp influenciou o resultado do primeiro turno. E essa nem sequer é a única suspeita que envolve a campanha do PSL.

Fica, então, a questão: o juiz manterá sua opinião e se posicionará de forma coerente diante de tão severa ameaça à democracia?