17 de junho de 2022

Combater fake news vai muito além de identificar notícias falsas, pois a estratégia de desinformação digital está cada dia mais sofisticada e sutil. Um exemplo didático aconteceu nos últimos dias: a milícia digital misturou coisa séria com distração, colocou Ratanabá na Amazônia, e muita gente perdeu o foco.

Desde o desaparecimento do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista brasileiro Bruno Pereira (assassinados por defenderem os povos indígenas e a Amazônia), em 5 de junho, o termo “Amazônia” ficou em alta nas redes sociais. Porém, de forma ardilosa, no mesmo período artificialmente explodiram as buscas pelo termo “Ratanabá”, uma suposta cidade perdida sob solo amazônico. Muita gente se interessou pelo assunto que era… pura balela. Tudo estratégia de desinformação. 

Confundir o debate é método. Já reparou que cada vez que o Bolsonarismo se sente acuado, diversas fakes “surgem” nas redes sociais? Isso não é natural. Em ações coordenadas, apoiadores e integrantes do governo postam hashtags, perfis automatizados as replicam e disparos em massa são feitos via Whatsapp e Telegram. Eles usam todos os meios para “afogar” os usuários de redes com informações falsas.

Quando os gastos abusivos do cartão corporativo do Bolsonaro vieram à tona foi a mesma coisa: na mesma hora notícias falsas sobre um suposto patrimônio de Lula, ou sobre o ex-presidente querer acabar com o PIX, encheram as caixas de mensagens de todos nós.

No caso desta semana, mesmo sem uma fake raiz, os robôs dividiram a atenção das pessoas da tragédia com o diversionismo de Ratanabá. E muita gente caiu! Mas não é culpa de quem cai: é culpa de quem coordena essas ações.

A quem interessaria, quando o mundo inteiro estava atento ao sumiço de dois defensores do meio ambiente, desviar a atenção para uma história mirabolante e, convenientemente, também localizada na Amazônia? Ou melhor: por que será que o Gabinete do Ódio teve que fazer isso?

A verdade é gritante e não vai calar. Sob Bolsonaro, o desmatamento saiu do controle, a violência contra indígenas e ambientalistas gera tragédias como a de Dom e Bruno enquanto bandidos (garimpeiros, traficantes e grileiros) são protegidos pelo governo. Confundir o debate público é autodefesa de quem sabe que está com os dias contados. Estamos alertas.