12 de setembro de 2018

O economista, pesquisador e professor da Unicamp, Marcio Pochmann, publicou no Twitter um preciso resumo da crise que hoje atinge o país: “Quase 30 meses de aplicação do receituário neoliberal pelo governo Temer indicam no Brasil: 1. pobres mais pobres e ricos mais ricos; 2. produção mais primarizada e ocupação mais precária; 3. dívida pública crescente e desordem fiscal; 4. estagnação econômica e desemprego massivo”.

O desemprego no governo ilegítimo de Michel Temer atingiu níveis terríveis para a economia e para as famílias brasileiras. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (PNAD Contínua) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a taxa de desemprego de agosto de 2018 foi de 12,3% – o que equivale a nada mais nada menos que 12,9 milhões de pessoas desocupadas.

A realidade é bem diferente da vivenciada nos governos de Lula e Dilma, quando foram criados 20 milhões de empregos com carteira assinada e, pela primeira vez na história do país, havia mais pessoas com empregos formais do que na informalidade. Em 2014, registrou-se o mínimo histórico na taxa de desocupação (4,9%), segundo a Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE de abril daquele ano.

Dados estarrecedores
Outro dado fundamental do período em que o PT esteve à frente do Executivo federal: o Salário Mínimo teve aumento de mais de 70% acima da inflação. E, em todos os anos dos governos do PT, houve aumento real. A política de valorização do Salário Mínimo foi convertida em lei em 2011 e previa a reposição da inflação do ano anterior, além da variação do PIB de dois anos antes.

Com Temer, em 2018, o aumento do salário mínimo ficou abaixo da inflação, algo que não ocorria desde 2003. Os dados são estarrecedores, para dizer o mínimo. A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) ficou em 2,07% no ano passado, ao passo que a correção do salário mínimo, em 2018, foi de 1,81%. Ou seja, nem a reposição de uma inflação baixíssima foi assegurada aos trabalhadores que recebem um salário mínimo.

O governo reconheceu a situação, comprometendo-se a compensar em 2019 a diferença, que equivale a R$ 1,78. Trocando em miúdos, o salário mínimo, em 2018, deveria ser de R$ 955,78, não R$ 954,00, como ficou definido pelo governo.

Perda de fôlego da indústria
A crise também piorou para a indústria brasileira nos últimos meses. O número de segmentos da indústria que se encontram em crise atingiu 36% no primeiro semestre de 2018. Ou seja, mais de um terço dos 93 ramos industriais investigados encerrou a primeira metade do ano com desempenho negativo. Os dados fazem parte de um levantamento exclusivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), divulgado pelo jornal O Estado de S. Paulo no último dia 04.

No segundo semestre de 2017, o número de segmentos da indústria cujas atividades foram consideradas em crise (moderada ou intensa) era menor: 26% do total, mas já se revelava bastante preocupante. “Houve realmente uma reversão na força da recuperação”, afirmou ao jornal Rafael Cagnin, economista-chefe do Iedi.