28 de abril de 2022

Semana nova, notícia nova que parece velha: a gasolina bateu novo recorde de preços em todo o País, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP). O preço médio do combustível ficou em R$ 7,270 o litro na semana de 17 a 23 de abril, superando o recorde anterior de R$ 7,267, registrado na semana de 13 a 19 de março. No mês de março, o litro bateu os 10 reais no Acre e em Pernambuco.

Com essa alta, para encher um tanque de 40 litros, o brasileiro gasta em média 290 reais, quase 24% do salário-mínimo vigente no país, de R$ 1.212. Já mostramos aqui que o brasileiro é um dos que mais sente no bolso na hora de pagar pela gasolina, proporcionalmente.

E a gasolina brasileira é a terceira mais cara entre 29 países, de acordo com a consultoria Oxford Economics, ficando atrás apenas das Filipinas e da Indonésia. O levantamento foi feito confrontando o valor do litro da gasolina com o poder de compra em 30 países, calculando qual fatia ele representa da renda da população local. Um litro de gasolina no Brasil corresponde a 9% do salário médio diário do país.

Entre os maiores produtores de petróleo, o Brasil tem a segunda gasolina mais cara, perdendo só para a Noruega em termos absolutos. Proporcionalmente, porém, noruegueses comprometem 2,11% da renda mensal em um tanque de 50 litros (mesmo ao custo de U$ 121), enquanto brasileiros gastam 14,26% da atual renda média mensal com a mesma quantidade do combustível.

O combustível teve o maior impacto em um dos índices que mede a inflação, o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo -15), de abril, com alta de 7,51%. Ou seja, isso terá impacto direto no aumento geral da inflação, que já está nas alturas, e gera impacto no preço de bens gerais, principalmente dos alimentos.

Os constantes reajustes no preço da gasolina não se devem somente ao cenário internacional. Desde que a Petrobras adotou a política de dolarização dos preços, subordinando os preços aos humores do mercado internacional, o Brasil produz em real e paga em dólar, o que enriquece os acionistas internacionais, mas gera um custo altíssimo para a população brasileira. Além disso, a venda de distribuidoras como a BR Distribuidora e a campanha de destruição do nome da Petrobras têm responsabilidade direta no problema.