01 de julho de 2013

30 de junho de 2013, Adis Abeba – A África tem sociedades vibrantes, ávidas por atingir o desenvolvimento e erradicar a fome, concordaram hoje ministros africanos e outros funcionários graduados, em reunião ocorrida na União Africana, em Adis Abeba, no âmbito do Encontro de Alto Nível de líderes africanos e internacionais para acabar com a fome no continente. Os ministros se reuniram antes do encontro dos chefes de estado e governo da União Africana que ocorrerá amanhã, com o tema “Novas abordagens unificadas para acabar com a fome na África”.

O desejo de promover a segurança alimentar na África motivou a União Africana, a FAO e o Instituto Lula a estabelecerem uma parceria por uma abordagem unificada para acabar com a fome na África até 2025, de acordo com a estrutura do Comprehensive Africa Agriculture Development Programme (CAADP). Quinze Chefes de estado e governo responderam positivamente ao convite da AU, da FAO e do Instituto Lula de participar do evento e agregar valor ao CAADP, compartilhando conhecimento sobre investimento para pessoas vulneráveis.

Essa resposta positiva dos Chefes de estado é importante, porque existe um consenso crescente no continente de que é necessário um forte compromisso político para a África fortalecer com eficácia sua resiliência e erradicar a fome. O CAADP oferece a base para a construção de soluções sustentáveis para a fome, afirmam os ministros.

É possível acabar com a fome 

O encontro de alto nível está reunindo experiências de diferentes países africanos e não africanos, como Maláui, Angola, Etiópia, Níger, China, Vietnã e Brasil. Combinando investimento em agricultura com políticas de proteção social e crescimento do desenvolvimento inclusivo, muitos países têm conseguido reduzir a fome e a pobreza.  Nos últimos dez anos, o Brasil retirou 36 milhões de pessoas da pobreza extrema.

“A fome não será erradicada se não incluirmos as pessoas pobres no orçamento do governo. Estou convencido de que, para acabar com a fome, esse problema deve ser transformado em política pública. O compromisso da sociedade civil também é importante nesse processo”, afirmou o fundador e presidente honorário do Instituto Lula, Luiz Inácio Lula da Silva.

“Tenho certeza de que todos os países da África e do mundo podem acabar com a fome se incluírem as pessoas pobres em seu orçamento nacional. O crescimento econômico, sozinho, não é suficiente”, enfatizou Lula.

A representante da Comissão da União Africana (AUC) para Economia Rural e Agricultura, Sra. Tumusiime Rhoda Peace, afirmou: “A Estrutura do CAADP está sendo constantemente reconhecida como uma abordagem abrangente multissetorial para incentivar a produção e a produtividade, e também por aprimorar a resiliência e a segurança alimentar, distribuindo o investimento em agricultura e aumentando as oportunidades econômicas para populações inteiras. Portanto, defendemos que o CAADP proporcione a plataforma para a construção e facilitação de parcerias renovadas e apoie uma abordagem unificada para distribuir a escala dos esforços de erradicação da fome em todos os níveis de implementação”.

O Diretor geral da FAO, Sr. Graziano da Silva, enfatizou em seu discurso: “Só poderemos vencer a guerra contra a fome se trabalharmos juntos. Este encontro em Adis Abeba apoiará nossos esforços, transformando desejo político em ação coordenada futura”.

A Parceria Renovada tem a intenção de contribuir com a agenda do CAADP. A sinergia da combinação do impulso renovado e proteção social do CAADP com a parceria das Abordagens Unificadas para Acabar com a Fome na África justifica a ambição de atingir os seguintes objetivos:

–  Eliminar a fome e a pobreza até 2025, no mesmo cronograma da abordagem Sustaining CAADP Momentum (SCM);

–  Nos países que implementam a abordagem da parceria, reduzir a fome em 40 por cento até 2017;

–  Aprimorar o acesso a alimentos durante todo o ano, reduzindo a necessidade da ajuda alimentar externa em 10 anos;

–  Priorizar o combate à desnutrição crônica, especialmente entre crianças com menos de 2 anos, e oferecer nutrição a mulheres grávidas e a essas crianças;

–  Dobrar a produção de produtos básicos entre 5 e 10 anos, sem comprometer a sustentabilidade dos sistemas de cultivo; e

–  Reduzir o desperdício e as perdas de alimentos a níveis equiparáveis às médias globais, com a ambição de minimizá-las.

Expectativas promissoras
Embora, na última década, a maioria dos países da África esteja passando por um crescimento econômico de proporções sem precedentes, assim como um aumento nos indicadores de governança e desenvolvimento humano, o continente tem 239 milhões de pessoas subnutridas, representando quase um quatro de toda sua população.

O encontro de alto nível espera acordar e estabelecer um conjunto de princípios, políticas e estratégias com foco na erradicação da fome. Entre eles, o fundamental será o apoio para a integração de estratégias e ações de desenvolvimento social, segurança alimentar e com finalidade científica dos planos de investimento do CAADP.

O encontro dos ministros de hoje foi precedido por um Diálogo entre vários interessados, ocorrido dia 29 de junho, que reuniu mais de 100 representantes da sociedade civil, organizações produtoras, o setor privado, cooperativas, a comunidade científica da África e outros atores não pertencentes ao setor público.

No encontro, essas pessoas importantes puderam expressar seus pontos de vista e discutir seu papel fundamental na formulação e na implementação da Parceria Renovada. Reconhecendo que os problemas de insegurança alimentar e desnutrição na África são multifacetados e multidimensionais, a solução requer uma parceria entre vários interessados, o que tem sido promovido durante este Encontro de Alto Nível. Foi enfatizada a importância do comprometimento e da participação da sociedade civil, e de um forte compromisso político dos governos para a promoção bem-sucedida da segurança alimentar.

A parceria renovada para acabar com a fome na África será desenvolvida de acordo com um roteiro e uma declaração adotados pelo encontro de alto nível.