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Lula em ato de campanha no Rio Grande do Sul
Fotógrafo: Ricardo Stuckert

Notícias • Setembro de 2026 • 4 min de leitura

Vivas, independentes e no poder: Lula fala às mulheres no Rio Grande do Sul

Em comício em Porto Alegre, presidente fala de combate ao feminicídio, autonomia financeira, saúde, educação e participação política

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Quatro rosas, um pedido de desculpas e um beijo que ficou por dar. Foi assim que Lula começou a noite no Largo Glênio Peres, Centro Histórico de Porto Alegre. Mas, quando chegou a hora de falar das mulheres, o tom mudou. Vieram as histórias de violência que todos os dias viram notícia, os números das políticas públicas e o compromisso de que mulher tem direito de viver sem medo, sem violência e sem depender de ninguém para escolher o próprio caminho.

No comício desta sexta-feira (11/09), no Rio Grande do Sul, ao lado da chapa que apoia no estado, Juliana Brizola (PDT) ao governo, Manuela d’Ávila (PSOL) e Paulo Pimenta (PT) ao Senado, além de Edegar Pretto (PT), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez da independência feminina um dos pontos mais fortes de seu discurso. Falou de feminicídio, proteção, saúde, estudo, trabalho e salário igual. “A mulher é mais do que salário, é independência”. 

SEM TRÉGUA – Lula lembrou casos de feminicídio e agressões que acompanha ao lado de Janja e disse ter assumido o enfrentamento à violência como compromisso. “Eu falei para Janja: vou assumir a responsabilidade de acabar com esse feminicídio no Brasil.”

Desde o Pacto Nacional contra o Feminicídio, que uniu os três poderes em torno do tema, foram aprovadas 11 leis e quatro decretos, com 34 mil agressores presos, 167 mil medidas protetivas e 407 mil mulheres atendidas. O tempo de análise dessas medidas caiu de 16 para três dias. “Não haverá trégua. O homem que bater na mulher vai ser preso”, afirmou. Para Lula, porém, a resposta também passa pela educação. “A criança, desde pequena, tem que saber que menino não é melhor do que menina. Tem que saber que a mulher é igual a ele.”

GARANTIR ESCOLHAS – A proteção, segundo Lula, precisa chegar a quem precisa de ajuda. O presidente citou 13 Casas da Mulher Brasileira em funcionamento e outras 31 em construção, além de 14 Centros de Referência da Mulher abertos e 17 em obras. Na saúde, destacou o programa de dignidade menstrual, que alcança 3,4 milhões de meninas, e a compra de 1,8 milhão de implantes contraceptivos. “A gravidez tem que ser planejada”, afirmou. Lula também citou as carretas de saúde da mulher e disse que o governo pretende chegar a 150 unidades circulando pelo país para ampliar o acesso a consultas, exames e diagnóstico de câncer. Segundo ele, mais de 8 milhões de mamografias já foram realizadas em seu atual mandato.

INDEPENDÊNCIA – Sobre autonomia financeira,  Lula lembrou a Lei da Igualdade Salarial e defendeu remuneração igual para a mesma função. “Mulher que trabalha no mesmo serviço de homem tem que ganhar o mesmo salário. A mulher é mais do que salário, é independência. O presidente destacou ainda a presença feminina nas políticas públicas. Elas são 70% dos beneficiários do Prouni, 70% dos contratos do Fies e 55% das 18 mil matrículas do Pronera, além de participarem de programas de ciência, agricultura familiar, crédito e mecanização no campo. No Bolsa Família, mulheres chefiam 84% das 19 milhões de famílias beneficiadas; no Gás do Povo, 95% das 14 milhões atendidas. Já no Minha Casa, Minha Vida, 85% das chaves são entregues às mulheres.

MAIORIA NA SOCIEDADE, MINORIA NO PODER – Na participação política, Lula apontou uma distância ainda a vencer. As mulheres ocupam 38% dos cargos citados por ele. “Estão participando pouco ainda. Por que as mulheres, que são maioria na sociedade, têm tão poucas mulheres na Câmara, na Prefeitura, no Governo?”, questionou. O presidente defendeu mais mulheres nos espaços de decisão. Lula encerrou falando de educação, da ampliação da formação de jovens em ciência e tecnologia e de oportunidades para as meninas. “Não existe ninguém no mundo que vai me tirar da obsessão de garantir a todas as meninas em meu país o direito de ser doutora, de ser o que elas quiserem, de ter uma profissão.”

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