A carteira de vacinação voltou a ocupar um lugar de destaque nas políticas públicas brasileiras e no noticiário nacional. Depois de quatro anos marcados pela queda nas coberturas vacinais e pelo avanço da desinformação sobre imunizantes, o Brasil iniciou uma recuperação que chamou a atenção de organismos internacionais.
A estratégia do Governo Lula, desde que assumiu em 2023, combinou a retomada de campanhas nacionais com participação e incentivo das principais autoridades, a valorização da ciência e o retorno da ênfase na condicionalidade da carteira de vacinação em dia para beneficiários do Bolsa Família.
Relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Unicef mostra que o Brasil registrou nos últimos anos uma das maiores recuperações da vacinação infantil no mundo. Entre 2023 e 2025, o número de crianças “zero-dose”, que não tiveram sequer a primeira etapa da vacina pentavalente, caiu de cerca de 360 mil para 50 mil, redução próxima de 90%. Com isso, o país deixou a lista das 20 nações com maior número de crianças sem vacinação básica e passou a ser citado como exemplo de recuperação.
O avanço ganha ainda mais importância porque acontece em um contexto internacional de recuperação lenta. Segundo a OMS e o Unicef, a cobertura vacinal global ainda permanece abaixo dos níveis registrados antes da pandemia de Covid-19, enquanto diversos países convivem com novos surtos de doenças imunopreveníveis, como o sarampo.
CIÊNCIA – A retomada da vacinação foi acompanhada de uma mudança de postura do Governo Federal em relação às políticas de imunização. O Ministério da Saúde voltou a priorizar o Programa Nacional de Imunizações, promoveu campanhas nacionais, reforçou ações nas escolas, realizou busca ativa de crianças com esquemas vacinais incompletos e intensificou campanhas de comunicação voltadas ao combate à desinformação.
A estratégia representa uma mudança clara em relação ao governo anterior. Entre 2019 e 2022, embora o Programa Nacional de Imunizações continuasse existindo, o país registrou sucessivas quedas nas coberturas vacinais. Ao mesmo tempo, o então presidente fez reiteradas declarações questionando vacinas, especialmente as contra a Covid-19, colocou em dúvida sua segurança sem respaldo científico e frequentemente confrontou recomendações de especialistas e autoridades sanitárias. Esse ambiente contribuiu para ampliar a hesitação vacinal e enfraquecer a confiança da população nas campanhas de imunização, segundo avaliações de pesquisadores e organismos da área da saúde.
BOLSA FAMÍLIA – A reconstrução da cultura da vacinação também passou pela política de assistência social. Com a modernização do Bolsa Família, o Governo Lula retomou a ênfase em condicionalidades do programa, suspensas durante o período do Auxílio Brasil. Entre elas, a obrigatoriedade de manter a carteira de vacinação das crianças em dia para que a família continue recebendo o benefício.
A medida coloca a vacinação como um direito e compromisso coletivo de proteção à infância. Além da imunização, o programa exige acompanhamento nutricional, pré-natal para gestantes e frequência escolar.
No primeiro semestre de 2026, o acompanhamento de saúde alcançou 74,4% do público previsto pelo programa, beneficiando cerca de 25,3 milhões de pessoas, entre elas 4,7 milhões de crianças e 381,6 mil gestantes.
Cobertura vacinal volta a crescer
Os números mostram uma recuperação consistente das principais vacinas do calendário infantil.
Em 2025, entre crianças menores de um ano, a cobertura alcançou:
- 88,82% na vacina pentavalente;
- 92,94% na pneumocócica 10-valente;
- 87,51% na poliomielite inativada (VIP);
- 92,94% na primeira dose da tríplice viral.
Em comparação com 2022, todas apresentaram crescimento. A pentavalente passou de 77,33% para 88,82%; a pneumocócica, de 81,60% para 92,94%; a poliomielite, de 77,30% para 87,51%; e a tríplice viral, de 80,79% para 92,94%, aproximando novamente o país da meta de 95% estabelecida pelo Ministério da Saúde. A recuperação da cobertura vacinal mostra a retomada de uma política pública construída ao longo de décadas, baseada em evidências científicas e reconhecida internacionalmente.

