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Em um porto, vemos uma série de contêineres empillhados ao fundo e um guindaste carregando um contêiner no primeiro plano.
Fotógrafo: Agência da Indústria

Economia • Agosto de 2026 • 8 min de leitura

A Roda Gigante voltou a girar: a costura de políticas que reativou o vigor econômico

A combinação de investimentos públicos, políticas de inclusão, incentivos estratégicos e reabertura de mercados permitiu que o Brasil alcançasse marcos expressivos

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A metáfora da “roda gigante da economia”, frequentemente usada pelo presidente Lula, carrega uma perspectiva econômica simples: a riqueza de um país não se move em linha reta, mas em engrenagens que se multiplicam. Quando o Estado toma a decisão política de investir, não apenas repassa recursos públicos: aplica a força inicial que faz cada cabine desse mecanismo se mover. 

Principalmente quando essa força inicial tem outra perspectiva comum nos discursos do presidente: muito dinheiro na mão de poucos significa miséria, desigualdade, pobreza. Pouco dinheiro na mão de muitos potencializa inclusão, crescimento econômico, mobilidade social. O consumo das famílias estimula o comércio, que encomenda da indústria, que contrata trabalhadores, que voltam a consumir. Trata-se do resgate das engrenagens do desenvolvimento com perspectiva social.

Ao longo do terceiro mandato, essa mecânica ficou evidente. A combinação de investimentos públicos, políticas de inclusão, incentivos a setores estratégicos e reabertura de mercados internacionais permitiu que o Brasil alcançasse marcos expressivos: são 10 milhões de empregos formais de janeiro de 2023 ao fim de junho de 2026, sendo 5,3 milhões na iniciativa privada e 4,7 milhões nas três esferas do serviço público. O  desemprego atingiu as menores taxas já registradas, com 5,4% no trimestre encerrado em julho de 2026. O rendimento médio do trabalhador chegou ao patamar mais alto (R$ 3,7 mil em junho de 2026) e o PIB manteve média de crescimento próxima a 3% ao ano — tudo sob a menor inflação média em um período democrático, de cerca de 4,5%. 

Ilustração mostra a roda gigante da economia. Nos vagões, uma série de programas do governo Lula

Entenda como cada vetor governamental atua para impulsionar essa engrenagem:

Novo PAC: motor da infraestrutura

A retomada das obras públicas é a espinha dorsal desse movimento. Mobiliza uma vasta cadeia produtiva a cada ponte, ferrovia, túnel ou linha de transmissão de energia iniciada. Do planejamento ambiental e das bancadas de engenharia e arquitetura ao fornecimento de aço, cimento, ferro e máquinas pesadas, o investimento gera empregos diretos e indiretos que irrigam a economia instantaneamente. Até junho de 2026, quase 97% dos R$ 1,3 trilhão previstos no ciclo do Novo PAC até o fim de 2026 estavam executados. O montante total do programa, considerando aportes públicos e privados, é de R$ 1,9 trilhão até 2030.

Minha Casa, Minha Vida: dignidade e incentivo à construção civil

Pilar de transformação social e econômica, o programa habitacional do Governo Federal impulsiona a construção civil e ataca o déficit de moradias. A decisão de contratar e entregar milhões de unidades habitacionais conecta o operário no canteiro de obras, o fabricante de insumos, o mercado de construção e o pequeno comércio de bairro: tinta e pincéis, instalações elétricas e hidráulicas, encanamentos, lâmpadas, cimento, argamassa, aço, ferro. A conquista da casa própria é indutora de renda e ocupação em escala nacional. Mais de 2,5 milhões de unidades foram contratadas até julho de 2026, meio milhão a mais do que havia sido previsto para os quatro anos de gestão. A estimativa é encerrar 2026 com três milhões de contratações. Segundo dados do setor de construção civil, o Minha Casa, Minha Vida respondeu por mais de 50% dos lançamentos do mercado imobiliário em 2025. 

São 10 milhões de empregos formais de janeiro de 2023 ao fim de junho de 2026

Expansão dos IFs: capital humano do futuro

Derivada dos investimentos em infraestrutura, a expansão da rede de ensino técnico e superior mobiliza a economia de duas formas: no curto prazo, movimenta a construção civil com novos campi e laboratórios. No médio e longo prazo, pela contratação de professores e servidores e pela formação qualificada de jovens que passam a ocupar postos de trabalho de maior valor agregado. Ao longo do terceiro mandato, o Governo Federal anunciou a criação de 111 novos Institutos Federais, em todos os estados. 

Nova Indústria Brasil: soberania, saúde e inovação

A reindustrialização do país ganha corpo a partir de compras públicas estratégicas direcionadas a setores decisivos, como saúde, mobilidade sustentável, tecnologia e defesa. Ao incentivar a produção de vacinas, fármacos, veículos de baixa emissão, a retomada da indústria naval e aportes em tecnologias de Defesa, o governo garante demanda para fábricas, melhora a eficiência do SUS, fortalece as Forças Armadas e recoloca a indústria nacional em patamares de crescimento expressivos. A indústria, que encolheu 1,6% entre 2015 e 2022, voltou a crescer, com um índice superior a 3,2% entre 2023 e 2025, o sexto maior do mundo. O Plano Mais Produção (P+P) da Nova Indústria Brasil (NIB) disponibilizou R$ 860 bilhões de 2023 a 2026.

Plano Safra e Desenrola Rural: segurança alimentar e sustentabilidade

Com volumes recordes de crédito e mecanismos eficientes de renegociação de dívidas no campo, o governo assegura a capacidade produtiva de pequenos, médios e grandes produtores. A articulação garante que o agronegócio continue gerando empregos e renda e com cada vez mais mercados externos, ao mesmo tempo em que valoriza a agricultura familiar, que abastece a mesa dos brasileiros com comida barata e saudável, uma ancoragem que se conecta com a redução da inflação de alimentos. O Plano Safra teve recordes em todos os anos da gestão do presidente Lula. São R$ 622,4 bilhões para a safra 2026/27, sendo R$ 97 bilhões para a agricultura familiar. Nos anos anteriores, foram R$ 605,2 bilhões para a safra 2025/26; R$ 484,5 bilhões na safra 2024/25; R$ 435,8 bilhões na safra 2023/24. Na safra 2022/23, o valor foi definido pela gestão anterior: R$ 369,9 bilhões.

Abertura de mercados: soft power e recorde histórico

A volta do Brasil ao cenário internacional traduziu-se em oportunidades de negócios e em recorde histórico de exportações do agro. Ao longo do mandato, houve a abertura recorde de 675 novos mercados em 93 destinos para produtos do agro brasileiro (agosto de 2026). Na comparação entre 2025 e 2022, quando houve 53 aberturas de mercado, o crescimento é de mais de 300%. Mesmo num cenário de tarifas e unilateralismo, a diplomacia presidencial abre portas, gera postos de trabalho qualificados e blinda a economia interna diante de cenários de protecionismo global.

UE, EFTA e Singapura: horizontes para o Mercosul

Além de abrir mercados específicos, a gestão do presidente Lula atuou de forma incisiva na perspectiva do multilateralismo e do livre mercado, reforçando o protagonismo no Mercosul. Nesses três anos, três acordos relevantes foram finalizados. Com a União Europeia, a área de comércio tem cerca de 718 milhões de pessoas e PIB de mais de US$ 22,4 trilhões. O acordo foi concluído após quase 25 anos de tratativas. O com a EFTA (composta por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça) une uma população de quase 300 milhões de pessoas e PIB combinado superior a US$ 4,3 trilhões. E, no início de agosto de 2026, entra em vigor o acordo com Singapura, com redução gradual de tarifas de importação, além da harmonização de regras que facilitem o comércio entre os países. 

Cultura: a engrenagem da diversidade 

Com aplicação inédita e regionalizada de recursos das leis Paulo Gustavo e Aldir Blanc  combinadas ao fortalecimento da Lei Rouanet, a cultura se consolidou como importante engrenagem dessa roda gigante. O investimento direto no setor movimenta uma extensa cadeia de profissionais — atores, músicos, fotógrafos, técnicos de som, iluminadores, maquiadores, cenografistas, figurinistas, área de logística e aluguel de equipamentos, entre outros fornecedores — nas cinco regiões e em todos os estados. Entre 2023 e 2025, projetos viabilizados pela Lei Rouanet foram autorizados a captar com a iniciativa privada R$ 8,81 bilhões. A Política Nacional Aldir Blanc, que se tornou permanente, mobilizou R$ 6 bilhões desde 2023, e mais de R$ 3,14 bilhões já foram investidos por estados e municípios em editais, festivais, produções artísticas, preservação do patrimônio e fortalecimento de espaços culturais. Já a Lei Paulo Gustavo, criada para compensar perdas durante a pandemia, repassou R$ 4,12 bilhões a estados, ao Distrito Federal e aos municípios para financiar produções artísticas, festivais, espetáculos e ações culturais: 95% dos recursos foram executados. 

Turismo: o Brasil de portas abertas

O reposicionamento do país no exterior e o fomento ao turismo interno resultaram em recordes de entrada de visitantes estrangeiros e no aumento substancial da ocupação em voos domésticos. Esse fluxo alimenta instantaneamente a rede hoteleira, a gastronomia, o transporte local e o artesanato, convertendo a imagem positiva e acolhedora do Brasil em emprego rápido e distribuição descentralizada de renda.

Legado esportivo e grandes eventos: estádio como Ativo 

Aproveitando a estrutura moderna consolidada pelas grandes competições e impulsionada pela Lei de Incentivo ao Esporte, o Brasil voltou a ser palco frequente de grandes eventos internacionais e esportivos. A agenda atrai investimentos privados, movimenta o setor de serviços e cria oportunidades de negócios para micro e pequenos empreendedores que atuam no entorno das arenas e instalações esportivas pelo país. No horizonte próximo, a Copa do Mundo de Futebol feminina em 2027 vai mobilizar não só as oito sedes definidas para receber os jogos, mas uma série de cidades que vão receber as 31 delegações internacionais que vão participar do megaevento. 

Transição Energética: motor do Século XXI

O Brasil se tornou liderança global na transição para energias limpas (solar, eólica, biocombustíveis e hidrogênio). O Novo PAC destinou R$ 595 bilhões para investimentos integrados em geração, transmissão, petróleo, refino e fertilizantes. A expansão elétrica foi equivalente a duas hidrelétricas de Itaipu. As fontes renováveis responderam por 80% da nova capacidade instalada e atingiram 89% da matriz elétrica do Brasil. O governo fez um investimento de R$ 13 bilhões em biocombustíveis.

Proteção social e ajustes econômicos: sustentação do consumo 

A combinação da política de valorização permanente do salário mínimo, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, o Desenrola e a reestruturação dos programas de transferência de renda garantem que o dinheiro esteja onde é aplicado imediatamente: no mercado, na padaria, no salão de beleza, no curso de qualificação e nos diversos serviços de bairro. É essa injeção contínua na base da pirâmide que garante a demanda constante, permitindo que a roda gigante continue girando sem solavancos.

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