Do presente ao futuro, Lula fala de investimentos e propostas em Guarulhos
Em Guarulhos, presidente fala sobre envelhecimento ativo, educação, economia, renda e autonomia das mulheres e apresenta cuidado como prioridade para um próximo mandato
Uma vida inteira não cabe apenas nas políticas para infância, escola e trabalho. Depois delas, ainda há muito pela frente. Foi justamente para essa parte da vida que Lula chamou atenção em Guarulhos (SP), nesta sexta-feira (18/09), ao falar sobre o país que pretende construir nos próximos quatro anos. Em um discurso que passou por educação, renda, bets, políticas para mulheres e investimentos na cidade, o presidente e candidato à reeleição reservou aos mais velhos uma mensagem particular: viver mais precisa vir acompanhado do direito de viver bem.
Ao lado de Geraldo Alckmin e da chapa que apoia em São Paulo, com Fernando Haddad ao governo e Marina Silva e Simone Tebet ao Senado, Lula falou do que já chegou a Guarulhos e do que pretende levar adiante em um próximo mandato. Aos 80 anos, colocou a própria experiência no meio dessa conversa. “Eu gosto da vida”, afirmou. E explicou o que isso significa na prática. Acordar cedo, fazer exercício, caminhar, sair de casa e continuar ativo. Para Lula, essa possibilidade não deve depender apenas da disposição de cada um, mas também de políticas públicas que ofereçam cuidado, espaços de convivência e oportunidades para uma população que envelhece.
“A gente não vai deixar o nosso velhinho e as nossas velhinhas em casa só vendo televisão. A gente quer ter lugar para eles ficarem à vontade, para jogar, para dançar, para nadar, para namorar, se quiser”, disse.
CAMINHO – Antes de chegar à velhice, Lula percorreu outras etapas da vida em seu discurso. Começou pelas oportunidades que se abrem ainda na escola e na universidade. Em uma cidade que recebeu um Instituto Federal e um campus da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) durante seus governos, ele colocou a educação como ponto de partida para mudar trajetórias. Quem é que trouxe universidade para Guarulhos? Quem é que trouxe Instituto Federal para Guarulhos?”, perguntou.
Na cidade, 38 mil estudantes do ensino médio público da cidade são beneficiados pelo Pé-de-Meia. Das 334 escolas públicas do município, 226 receberam apoio para implantação ou melhoria da conexão à internet. Lula também citou a expansão do acesso ao ensino superior. Segundo o presidente, o Brasil tinha 4,8 milhões de pessoas com diploma universitário no mercado de trabalho em 2003; hoje, são 25,5 milhões. Para ele, estudar é o começo de uma sequência que passa por conseguir uma profissão, trabalhar e ter renda para fazer escolhas ao longo da vida.
AUTONOMIA – Foi ao falar das mulheres que Lula juntou essas etapas. “Eu quero que toda menina de Guarulhos e do Brasil tenha a chance de estudar”, afirmou. Na visão apresentada pelo presidente, o diploma não representa apenas a entrada no mercado de trabalho. Significa também independência financeira e maior autonomia dentro de casa.
Lula citou ainda a igualdade salarial entre homens e mulheres e defendeu uma divisão mais equilibrada das tarefas domésticas e do cuidado com os filhos. “A gente quer morar bem, comer bem, se vestir bem. A gente quer ganhar um bom salário, ter uma boa profissão”, afirmou. O salário e o custo de vida entraram nessa mesma linha. Lula destacou a política de valorização do salário mínimo acima da inflação e reconheceu que os preços ainda pesam no orçamento das famílias, o que deve mudar no seu próximo mandato.
CUIDADO – Mas uma trajetória não termina quando acaba a vida profissional. Foi aí que Lula voltou aos mais velhos e anunciou que pretende criar uma política de cuidado voltada especificamente para essa fase da vida. A proposta apresentada pela campanha para um próximo mandato prevê ampliar o apoio aos municípios para expandir e qualificar Centros-Dia e espaços de envelhecimento ativo, com academias, praças, locais de leitura, esporte, lazer e convivência. Também prevê ampliar vagas públicas em Instituições de Longa Permanência para Pessoas Idosas e aperfeiçoar a fiscalização dessas unidades.
Para quem precisa de mais assistência, a proposta é dar escala nacional ao atendimento domiciliar à pessoa idosa, levando o cuidado para dentro de casa e considerando diferentes graus de autonomia e dependência. O plano inclui ainda ações contra maus-tratos, letramento digital para facilitar o acesso a serviços e prevenir golpes e crimes virtuais e parcerias para qualificação profissional e contratação de pessoas com mais de 60 anos. A ideia apresentada é que envelhecer não signifique desaparecer dos espaços onde a vida acontece.
MOVIMENTO – Lula trouxe esse princípio para a própria rotina. Contou que acorda às 5h30, faz exercícios diariamente e dedica parte do treino ao fortalecimento de braços e pernas. E transformou a experiência pessoal em conselho para quem tem pais, mães e avós mais velhos. “Não fiquem sentados. Levantem. Façam exercício. Andem. Vão comprar pão a pé. Vão na padaria a pé. Vão na quitanda a pé”, recomendou.
Aos filhos e netos, pediu que ajudem a colocar os mais velhos em movimento. “Quando vocês estiverem perto da mãe de vocês ou do pai de vocês, que ele estiver de preguiça, levante ele, vamos fazer um pouco de exercício.” Para Lula, movimento também significa continuar participando das decisões do país. “A gente só não pode votar quando a gente morrer. Mas enquanto a gente estiver vivo, a gente tem que levantar a bunda da cadeira e votar”, afirmou.
GUARULHOS- As diferentes fases da vida que apareceram no discurso encontram políticas públicas já presentes em Guarulhos. Além das ações na educação, a campanha destaca investimentos federais em saúde, habitação, infraestrutura e assistência social no município. Na saúde, foram realizadas 60 mil cirurgias eletivas em 2025, o dobro do registrado em 2022, segundo levantamento divulgado pela campanha. As ações se somam a iniciativas em outras áreas apresentadas como parte da presença federal na cidade.
Foi olhando para esse conjunto que Lula pediu aos eleitores que não pensassem apenas nos candidatos ao decidir o voto.“Antes de você chegar na urna, pense qual é o Brasil que você quer para você, para o seu pai, para a sua mulher, para a sua mãe e para os seus filhos. Que Brasil que você quer?”, perguntou.
A resposta que ele próprio construiu ao longo do discurso passou por quase uma vida inteira: estudar, conquistar uma profissão, trabalhar, ter renda, criar os filhos, fazer escolhas e chegar à velhice sem ser empurrado para dentro de casa. Porque, na ideia que Lula levou a Guarulhos, uma vida inteira também não termina depois da escola, dos filhos ou do trabalho. Aos 80 anos, ele reivindicou para os mais velhos justamente o que defendeu para quem ainda está começando. Oportunidade para continuar escolhendo o que fazer com os anos que ainda estão pela frente.“Eu gosto da vida”, resumiu.