Pular para o conteúdo
Acessibilidade
Fotógrafo: Ricardo Stuckert

Notícias • Setembro de 2026 • 4 min de leitura

Do desmonte à reconstrução: Lula detalha recuperação do país herdado dos Bolsonaros

Presidente contrapõe herança do governo anterior aos avanços econômicos e sociais dos últimos anos e afirma que é preciso fazer ainda mais para baratear o custo de vida dos brasileiros

Compartilhe:

Em entrevista à Record nesta terça-feira (15), o presidente Lula defendeu a continuidade do crescimento econômico e da valorização dos salários e contrapôs os resultados de seu governo ao cenário que foi deixado pela gestão dos Bolsonaros. Para Lula, o desafio é fazer com que os avanços econômicos ao longo da atual gestão se traduzam cada vez mais em mais poder de compra e melhores condições de vida para a população.

O presidente afirmou que recebeu um país marcado pelo desmonte de políticas públicas e por restrições orçamentárias que comprometeram áreas essenciais, como saúde, educação, moradia e assistência social. Durante a entrevista, citou cortes expressivos em programas e iniciativas que exigiram intenso trabalho para que o Estado recuperasse a capacidade de atendimento e investimento. 

“Nós ficamos com um país destruído, que levamos dois anos e meio para colocar a casa em ordem, dar o salto de qualidade que demos até agora. Corte de 59% no Farmácia Popular que recebi do Bolsonaro, corte de 50% no Mais Médicos, corte de 45% para a prevenção e controle de câncer, corte de 97% na verba para estrutura escolar. Só tinha dinheiro para comprar um ônibus escolar no orçamento que o Bolsonaro deixou para mim”, listou. 

EMPREGO E RENDA – Lula relacionou a recuperação das políticas ao desempenho da economia e defendeu a continuidade de uma agenda baseada em crescimento, distribuição de renda, geração de empregos e valorização do salário mínimo.

Como resultado, o número de pessoas ocupadas chegou a 103 milhões sob a gestão Lula, o maior nível da série histórica. A política de valorização do salário mínimo ampliou o poder de compra dos trabalhadores. Durante os quatro anos do governo Bolsonaro, o salário mínimo não teve aumento real e chegou a R$ 1.212 em dezembro de 2022. No governo Lula, houve aumento real em todos os anos e chegou a R$ 1.621 em dezembro de 2025, com ganho real acumulado de R$ 409 (quase 12%).

“É preciso a economia continuar crescendo, é preciso a gente continuar fazendo distribuição de renda, é preciso continuar aumentando o salário mínimo acima da inflação, é preciso gerar mais emprego de qualidade e fazer com que a inflação baixe para as pessoas”, afirmou o presidente.

INFLAÇÃO E CUSTO DE VIDA – Na entrevista, Lula também destacou a trajetória da inflação. A inflação média foi de 6,2% ao ano durante o governo Bolsonaro e de 4,6% ao ano no governo Lula (17% nos quatro anos), a menor inflação acumulada em um mesmo mandato presidencial desde a redemocratização, em 1989. 

Na alimentação, a diferença também aparece. A inflação dos alimentos, que chegou a 56% no período anterior, está atualmente em 13,6%. “Hoje posso dizer que temos a menor inflação acumulada, o maior aumento do salário mínimo e a maior massa salarial”, destacou o presidente, que tem como propostas importantes neste tema para a próxima gestão o fim da tributação sobre alimentos da cesta básica e o cashback para pessoas em condição de vulnerabilidade nas contas de consumo, como água e luz. Ambas consequências de reforma tributária aprovadao ao longo do mandato e que passam a valer a partir de 2027.

FOME – O presidente também destacou a queda da insegurança alimentar grave no país. Em 2022, o indicador chegou a 8,5%, o maior percentual da série histórica. Em 2025, caiu para 0,6%, o menor nível já registrado. “Eu peguei um país com 33 milhões de pessoas passando fome e acabamos com a fome em dois anos e meio”, relatou. 

Ao avaliar os resultados alcançados, Lula afirmou que os indicadores mostram uma melhora importante em relação ao cenário encontrado, mas reconheceu que ainda existem desafios, principalmente relacionados ao custo da alimentação e ao poder de compra. “Resolveu tudo? Não. Nós temos que fazer muito mais, e é por isso que sou candidato outra vez. Porque se eu não fizer, os mequetrefes que disputam comigo não vão fazer”, concluiu. 

Recomendados pra você

Seja um porta-voz

Seja porta-voz, compartilhe conteúdos ou contribua com o que puder.

Participe agora