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Fotógrafo: Ricardo Stuckert

Infraestrutura • Setembro de 2026 • 4 min de leitura

Lula acompanha obra que leva águas do São Francisco ao Ceará

Com 93,2% do Trecho I do Cinturão das Águas concluído, presidente contrapõe passado de seca e migração a investimentos em água, infraestrutura e oportunidades no Nordeste

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“Só deixo o meu Cariri no último pau de arara”, dizia a canção que atravessou gerações contando a história de nordestinos obrigados a partir em busca de sobrevivência. A referência foi retomada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira (4/9), durante visita às obras do Cinturão das Águas, no Crato (CE).

Lula, porém, deu novo sentido ao verso: “Não deixe o Cariri NEM no último pau de arara”. A adaptação traduz o futuro que defende para uma região que, durante décadas, viu famílias partirem pela falta de água, emprego e oportunidades: garantir condições para que os nordestinos possam estudar, trabalhar e construir a vida onde nasceram.

“O povo daqui merece estudar, merece trabalhar, merece ter acesso a todas as oportunidades”

Luiz Inácio Lula da Silva

Foi com essa mensagem que Lula visitou as obras do Trecho I do Cinturão das Águas do Ceará (CAC). Com 93,2% de execução, o empreendimento recebe as águas do Eixo Norte do Projeto de Integração do Rio São Francisco, no Reservatório Jati, e percorre 145 quilômetros até o Rio Cariús, em Nova Olinda.

A água será destinada ao abastecimento da população, à indústria e à irrigação no Cariri, além de contribuir para a segurança hídrica da Região Metropolitana de Fortaleza. Para Lula, enfrentar os efeitos da escassez de chuvas é responsabilidade do poder público. “O fenômeno da falta d’água é um fenômeno da natureza, mas a fome, por causa da falta d’água, é um fenômeno da incapacidade de quem governou esse país durante muito tempo”, afirmou.

DA PARTIDA À PERMANÊNCIA – A defesa de um Nordeste onde ninguém precise partir por falta de oportunidades ganhou um componente pessoal no discurso. Lula lembrou que deixou Pernambuco aos sete anos, em 1952, quando Dona Lindu seguiu com os oito filhos para São Paulo “para sobreviver da seca”. Recordou também a infância buscando em açudes água barrenta para a família.

“Eu sei a importância da água”, afirmou. A experiência foi associada pelo presidente ao objetivo de garantir ao Nordeste condições de desenvolvimento semelhantes às das regiões mais ricas do país. “O povo daqui merece estudar, merece trabalhar, merece ter acesso a todas as oportunidades.”

No Ceará, essa estratégia passa por uma rede de obras que leva as águas do São Francisco cada vez mais longe. Quando o Trecho I do Cinturão estiver concluído e em operação, 24 municípios entre Jati e o Rio Cariús serão abastecidos, beneficiando 561 mil pessoas. O trecho emergencial já liberado também pode levar água à Região Metropolitana de Fortaleza, por meio do Eixão das Águas, alcançando uma região com mais de 4 milhões de habitantes.

Com 93,2% de execução, o Cinturão tem 145,3 quilômetros de canais, túneis e sifões e conduz a água da Barragem Jati, integrada ao Eixo Norte do São Francisco, até as nascentes do Rio Cariús. A conclusão dos trechos restantes dos lotes 3 e 4 está prevista para março de 2027.

Lula afirmou que quer voltar ao Ceará para ver a obra pronta. “Eu quero vir na inauguração do fim desse canal aqui.” O presidente também citou a Transnordestina e disse que pretende concluir a ferrovia em seu governo, relacionando os investimentos em infraestrutura à geração de oportunidades no Nordeste.

O Cinturão integra um conjunto maior de projetos hídricos em andamento no estado. Entre eles estão o Malha D’Água, projetado para atender mais de 5,5 milhões de cearenses em 178 municípios, e a duplicação do Eixão das Águas, que elevará sua capacidade de 11 para 22 m³/s.

Na visita, Lula esteve acompanhado dos ministros Waldez Góes, Miriam Belchior e José Guimarães. Depois da agenda de governo, seguiu para Juazeiro do Norte para uma atividade eleitoral, fazendo questão de separar os dois momentos. “Eu não estou aqui como candidato, eu estou aqui como presidente da República. Quando terminar esse ato aqui, eu vou entrar no carro, aí sim, eu vou ser candidato fazendo a passeata lá em Juazeiro.”

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