Lula defende mandato para ministros do STF e nova reforma do Judiciário
Em entrevista ao SBT, presidente defende novos critérios para a magistratura e afirma que eventual reforma deve ser discutida com a sociedade
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em entrevista ao SBT nesta quinta-feira (10), que é preciso discutir a criação de mandatos para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e uma nova reforma do Poder Judiciário, com mudanças que alcancem todas as instâncias e sejam construídas a partir do diálogo com a sociedade.
Lula argumentou que a permanência prolongada de um ministro no cargo precisa ser debatida. “Eu sinceramente hoje acho que é preciso discutir um mandato para a Suprema Corte. Ninguém pode ficar 40 anos no mesmo cargo”, afirmou.
Lula também defendeu uma revisão mais ampla da estrutura do Judiciário, com definição de critérios para o exercício da magistratura. “Nós precisamos fazer uma reforma no Poder Judiciário da primeira à última instância. É preciso criar critérios, porque senão as pessoas vão virando Deus e acham que podem tudo”, avaliou.
MAGISTRATURA – Na entrevista, Lula ainda relacionou a atuação dos ministros da Suprema Corte à responsabilidade pública inerente ao cargo e mencionou a relação entre a magistratura e a atividade privada da advocacia. “Eu disse brincando: quem quiser ser da Suprema Corte não pode querer ser rico. Tem que fazer escolhas. Se quiser ser rico, vai trabalhar no seu escritório. Se quiser ser juiz de respeito, vai para a Suprema Corte. É assim que tem que ser”, afirmou.
Ao tratar da possibilidade de uma nova reforma, Lula lembrou as mudanças promovidas durante seu primeiro mandato, quando Márcio Thomaz Bastos era ministro da Justiça e Nelson Jobim presidia o STF. “É preciso fazer outra? É. Agora, eu não vou dizer o que eu quero fazer porque eu não sei o que eu quero fazer. Eu vou conversar com a sociedade brasileira para saber”, disse.
Questionado sobre a inclusão de propostas específicas no plano de governo, Lula não antecipou quais medidas poderão ser apresentadas. O presidente afirmou que, mesmo na condição de candidato à reeleição, precisa distinguir a responsabilidade do cargo que ocupa da atuação de outros candidatos. “No papel de presidente da República, mesmo sendo candidato, eu tenho que pesar as minhas palavras com um pouco mais de cuidado do que qualquer candidato irresponsável”, afirmou.
Com informações do PT Brasil