“A Faria Lima só chora”, diz Lula ao defender crescimento com inclusão social
Em entrevista ao SBT, presidente compara resultados econômicos, reivindica histórico de responsabilidade fiscal e diz que próximo passo é fazer crescimento chegar ainda mais ao bolso dos brasileiros
“A Faria Lima só chora”, afirmou o presidente Lula em entrevista ao SBT, nesta quinta-feira (10/09). Ao falar de contas públicas, crescimento, inflação e salário mínimo, Lula defendeu que o resultado econômico do país não seja medido apenas pelo que aparece em planilhas, mas pela inclusão social e pela melhora na vida do trabalhador.
Ao responder às críticas do mercado, Lula questionou uma visão da economia que, segundo ele, deixa a questão social de fora. “A Faria Lima não conhece a palavra social, a Faria Lima não conhece a palavra inclusão”, afirmou, em referência ao centro do mercado financeiro do país.
RESPONSABILIDADE FISCAL – Para Lula, manter as contas em ordem não significa deixar de investir. “A gente só faz uma dívida para aumentar o patrimônio da gente”, exemplificou, ao citar a educação e as políticas públicas como investimentos que dão retorno ao país. O presidente recorreu ao próprio histórico e lembrou os superávits primários de seus dois primeiros mandatos. Também comparou o cenário que encontrou ao voltar ao Planalto com o atual.
“Você sabe qual foi o déficit que eu encontrei nas contas brasileiras quando tomei posse em 2023? Um déficit de 2,8%. Você sabe qual é o orçamento que eu estou entregando agora? Um superávit de 0,1%”, prosseguiu. “Nesse país, não tem nem político e nem banqueiro que tenha coragem e autoridade de discutir responsabilidade fiscal comigo.”
Lula lembrou ainda que assumiu o governo sem recursos suficientes para retomar programas sociais, o que levou à aprovação da PEC da Transição, e citou o pagamento de R$ 94 bilhões em precatórios, herança do governo Bolsonaro.
PODER DE COMPRA – O presidente destacou que o país voltou a crescer acima de 3% ao ano somente em 2023 e lembrou que, em 2010, último ano de seu segundo mandato, o PIB avançou 7,5%. Reconheceu, porém, que os resultados ainda não chegaram ao bolso das famílias como ele gostaria e que o custo de vida continua alto.
Ao falar do custo de vida, Lula reconheceu que a inflação de alimentos menor no seu governo, de 13,6%, não significa que os preços no mercado estejam baixos. Na avaliação do presidente, depois de uma forte alta, no governo Bolsonaro foi de 56%, os valores tendem a permanecer em um novo patamar, mesmo quando deixam de subir no mesmo ritmo.
A resposta, segundo Lula, é fazer a renda crescer. O presidente afirmou que o salário mínimo, que comprava 1,8 cesta básica em 2022, hoje compra 2,1, relação que já chegou a 2,5 em seus governos anteriores. “A nossa briga é continuar crescendo para a gente gerar emprego, crescimento na renda e mais poder aquisitivo para o povo.”
Lula também defendeu a política de valorização do mínimo acima da inflação. “Eu já provei durante oito anos e agora mais três, que aumentar o salário mínimo não causa inflação nesse país, gera poder de compra e melhoria da vida do povo trabalhador”. Para o presidente, o resultado do crescimento deve chegar também a trabalhadores e aposentados. “O crescimento do PIB não pode ir para os ricos sempre. O crescimento do PIB é o resultado da produção deste país. E quem produz? O trabalhador.”
CIDADANIA PLENA – Ao falar das pesquisas eleitorais, Lula disse que os levantamentos servem como referência, mas não determinam os rumos de sua campanha. “Eu tenho um objetivo, eu tenho uma causa. A minha causa é fazer o povo pobre desse país ganhar cidadania plena.” Para os próximos quatro anos, o presidente defendeu a continuidade da agenda, com contas públicas equilibradas, crescimento e mais renda para quem trabalha.