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Educação • Setembro de 2026 • 4 min de leitura

Lula detalha “obsessão” por salto de qualidade na educação

Em entrevista à Rádio Tupi do Rio de Janeiro, presidente relata investimentos do atual mandato e propostas para o futuro na perspectiva de proporcionar um salto de qualidade do país em dez anos

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O presidente Lula tem “obsessão pela educação”. Uma educação transformadora. Que abra portas. Permita ascensão social. Gere oportunidades de melhores empregos. De ampliar a renda familiar. Em entrevista nexta sexta-feira (18/09) à Rádio Tupi, do Rio de Janeiro, ele reforçou essa trilha. 

Primeiro, na perspectiva dos adolescentes. Lembrou que criou o Pé-de-Meia neste terceiro mandato diante de uma estatística inaceitável: quase 500 mil estudantes deixavam o ensino médio anualmente, muitos deles para ajudar na renda familiar. Uma opção que, na maioria dos casos, tirava desses jovens o acesso a oportunidades de empregos que exigissem mais qualificação e oferecessem melhores salários. 

“Nós resolvemos criar uma bolsa de estudo, uma poupança, para que eles não desistam da escola”, lembrou Lula. Os valores chegam a R$ 9,2 mil ao longo de três anos. Desde a implementação do programa, houve redução de mais de 60% no percentual de jovens que deixam a escola. O percentual de abandono chegou ao patamar de 2,5%, o menor da série histórica. Para o próximo mandato, o compromisso é universalizar o Pé-de-Meia, hoje conectado aos inscritos no Cadastro Único, para todos os alunos da rede pública do ensino médio. 

INSTITUTOS – Outra engrenagem para ampliar as oportunidades é a dos institutos federais. Lula lembrou que, dos 56 que o Rio de Janeiro tem em operação ou em construção, 44 se tornaram realidade em seus mandatos. Os institutos são responsáveis por dar aos adolescentes e jovens uma formação qualificada e especializada, que ajuda a dar acesso a melhores oportunidades no mercado de trabalho e na vida acadêmica. Dos quase 800 IFs contratados ao longo da história, mais de 600 foram em suas gestões ou da presidenta Dilma Rousseff. E a ideia é ampliar ainda mais. 

“Eu quero chegar a mil institutos federais. Para quê? Para preparar essa meninada para o futuro. Formar muita gente para essa nova indústria digital. Para essa nova indústria que vai ser a exploração das terras raras e minerais críticos. A gente vai ter que formar para a transição energética”, listou o presidente, em referência aos elementos essenciais para fabricar baterias de carros elétricos, turbinas eólicas, chips de computadores e artefatos essenciais para a indústria de defesa. 

Até por isso, foi sancionada nesta semana a Política Nacional de Minerais Críticos, uma legislação que determina que a mineração, o beneficiamento e a manufatura desses produtos sejam realizadas no Brasil. Em parceria com países estrangeiros, se for o caso, mas com soberania em todas as etapas. “A gente não quer ser só exportador de minério de ferro, milho, soja. A gente quer ser exportador de inteligência, de conhecimento”. 

Por isso, Lula ressaltou, ainda, a necessidade de investir para consolidar ferramentas de inteligência artificial em língua portuguesa. “A gente não quer ficar copiando chinês ou americano. Nós temos que fazer”, lembrando que o país também aprovou nesta semana uma política para incentivar a instalação de Datacenters no país, com compromisso de investimento no mercado local e de geração sustentável de energia. 

“O Brasil tem potencial de produzir energia renovável. Então temos que preparar a nossa juventude para isso”, completou o presidente. “Essa é a minha obsessão. É qualificar a mão de obra da nossa juventude para eles terem melhores empregos e melhores salários”. 

DÍVIDAS E PETRÓLEO – Fontes adicionais de investimentos para a educação dar esse salto de qualidade estão nas receitas do petróleo, numa indústria forte no Rio de Janeiro e na negociação de dívidas do estado com a União. Em acordo do governo Lula com o estado carioca e com outros entes federativos, houve a troca da cobrança de juros por investimentos na educação. 

Em âmbito nacional, o país alcançou uma nova fronteira na chamada margem equatorial, com a descoberta de uma potencial nova área de exploração de petróleo no Amapá. Para o presidente, uma chance de criar, como feito no pré-sal, um fundo que ajude a permitir os investimentos adicionais em educação. 

“Vamos formar meninas e meninos. Qualificar nas áreas necessárias. Se for preciso mandar estudar no exterior, mandaremos. Mas queremos, nos próximos 10 anos, fazer o Brasil ser um país entre os 10 mais bem formados do mundo. Porque é isso que vai dar grandeza ao Brasil. É isso que vai permitir que a gente seja qualificado como um país rico”, concluiu. 

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