Pular para o conteúdo
Acessibilidade
Seja porta-voz
Fotógrafo: Frame de vídeo

Economia • Setembro de 2026 • 4 min de leitura

Lula diz que Brasil não repetirá ciclo do ouro e quer transformar terras raras em emprego e tecnologia

Em entrevista à Itatiaia, em MG, presidente afirma que exploração de minerais críticos terá como condição agregar valor no país e rejeita prioridade estrangeira sobre riquezas brasileiras

Compartilhe:

O Brasil tem minerais debaixo da terra. A disputa de Lula é pelo que vai ficar acima dela. Em entrevista à Rádio Itatiaia, nesta quinta-feira (17/09), em Montes Claros (MG), o presidente defendeu que a exploração das terras raras e dos minerais críticos deixe no país não apenas a extração, mas indústria, tecnologia, empregos qualificados e produtos de maior valor. Para explicar o que pretende evitar, Lula voltou alguns séculos na história. “A gente não quer mais fazer como no ciclo do ouro, em que o Brasil ficou com os buracos, Portugal com os palácios e a Inglaterra desenvolveu a sua indústria.”

A comparação serviu para resumir a estratégia defendida pelo presidente para uma riqueza que ganhou peso na disputa econômica e tecnológica mundial. Em vez de retirar o mineral e vendê-lo em estado bruto, Lula quer que etapas seguintes da cadeia também aconteçam no Brasil. “Quem é que vai cuidar das minas, quem é que vai fazer o processo de transformação, quem é que vai fazer as baterias, quem é que vai fazer o celular, quem é que vai fazer o chip?”, questionou.

VALOR – A entrevista ocorreu um dia depois de Lula sancionar a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, que cria instrumentos para pesquisa, exploração, beneficiamento e transformação desses recursos e institui o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos. A legislação coloca a agregação de valor e o desenvolvimento tecnológico entre os objetivos da política brasileira.

Lula afirmou que empresas estrangeiras poderão participar desse processo, mas deixou claro qual considera ser a condição para os investimentos. “A gente não está proibindo a participação de empresas estrangeiras. Mas a condição sine qua non para vir fazer investimento aqui é saber que o processo tem que ser transformado no Brasil, o produto de valor agregado feito no Brasil.”

Na prática, a ideia defendida pelo presidente é fazer a riqueza mineral percorrer um caminho mais longo antes de sair do país. “Agora queremos explorar aqui e vender o produto acabado aqui, para gerar emprego de qualidade aqui”, afirmou. A nova política segue essa direção ao prever estímulos à industrialização, à inovação tecnológica e à formação profissional ligada ao setor mineral.

MAPA – Antes de decidir o que fazer com essa riqueza, Lula disse que o Brasil ainda precisa conhecer melhor o que possui. Segundo o presidente, o país tem conhecimento geológico de apenas cerca de 30% de seu território e pretende investir para ampliar esse mapeamento. “O que nós sabemos é que é muito. Ou nós somos o segundo ou nós somos o primeiro”, afirmou, referindo-se ao potencial brasileiro em minerais estratégicos. A geração de conhecimento geocientífico é uma das frentes previstas na nova política. O Serviço Geológico do Brasil terá papel na produção dos dados que deverão orientar o planejamento e a exploração desses recursos.

SOBERANIA – A discussão ganhou um componente internacional quando Lula foi questionado sobre um documento atribuído aos Estados Unidos que incluía demandas relacionadas ao acesso a minerais brasileiros. O presidente afirmou que a comunicação era antiga e que o governo rejeitou seus termos. “Nem discutimos o documento, porque era inaceitável o documento de um país querer ter prioridade na riqueza mineral do nosso país”, disse. “Esse documento não foi discutido, não será discutido.”

A posição apresentada por Lula não fecha as portas ao capital estrangeiro. O que muda, segundo ele, é a lógica da negociação. O Brasil quer investimento e parceiros, mas pretende preservar o poder de decidir como explorar seus recursos e exigir que uma parcela maior da riqueza produzida permaneça no país.

Mais adiante, ao falar da relação do Brasil com outras potências, Lula voltou ao mesmo ponto. Disse que o país está disposto a conversar com Estados Unidos, China, Rússia e outros parceiros, mas que as decisões serão tomadas de acordo com os interesses brasileiros. “O Brasil tem tamanho e tem inteligência para conversar sobre qualquer assunto, com qualquer presidente do mundo”, afirmou. O presidente resumiu a linha que pretende levar também ao cenário internacional. “O Brasil vai fazer aquilo que é de interesse do povo brasileiro. A nossa soberania, a nossa democracia é intocável.”

Recomendados pra você

Seja um porta-voz

Seja porta-voz, compartilhe conteúdos ou contribua com o que puder.

Participe agora