Lula: “Não sou presidente que tenta proibir investigação”
Líder brasileiro defende direito de todos provarem inocência e reforça que órgãos de investigação em seus mandatos têm autonomia para cumprir suas funções
Em entrevista à TV Record veiculada neste domingo (23/08), o presidente Lula reforçou que qualquer cidadão tem direito a defender sua inocência, ao mesmo tempo que disse que ninguém está acima da lei. Questionado sobre a investigação da Polícia Federal sobre seu filho Fábio Luiz, o candidato à reeleição à presidência afirmou que todos devem agir corretamente e, se não for dessa maneira, têm que responder pelos atos, independentemente de quem for.
“Ninguém está impune se cometer erro. Eu digo para qualquer pessoa: todos somos obrigados a agir corretamente. Se alguém está agindo de forma equivocada, de forma errada, vai ter que ser investigado. E eu não sou um presidente que tenta proibir investigação. Eu não ameaço mandar ministro embora. Eu não ameaço punir delegado. Investiga-se”, comparou.
Postura bem diferente do antecessor a Lula, que durante sua gestão ameaçou o chefe da Polícia Federal e o ministro da Justiça se investigassem o filho e atual candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (na época, sob denúncias de rachadinha), ou qualquer outro integrante de sua família ou amigo.
As instituições brasileiras estão fortalecidas e têm a responsabilidade de investigar a todos, sem exceção e sem privilégios. Ninguém está acima da lei.
— Lula (@LulaOficial) August 24, 2026
Mas investigar é diferente de condenar. A presunção de inocência deve ser sempre respeitada.
Toda pessoa tem o direito à… pic.twitter.com/VNSmV1aHfr
Lula ressaltou que seu filho não tem o “direito de errar”. Isso porque, segundo Lula, a mãe de Fábio e ex-esposa do presidente, Marisa Letícia, teria sido uma das vítimas do uso político da Operação Lava Jato contra o líder brasileiro e sua família, e que Fábio teria presenciado os efeitos desse tipo de episódio dentro de casa.
“Ele sabe o que vivi. Ele conviveu comigo 40 anos, sabe que a mãe dele morreu por causa da Lava Jato. Então, é o seguinte: só ele sabe a verdade. Então, que diga publicamente, que se defenda”. E completou: “Todo mundo tem o direito de provar que é inocente. Se isso acontecer, as pessoas serão perdoadas. Mas se alguém cometer o erro, e esse erro trouxe prejuízo aos cofres públicos, essas pessoas terão que pagar”, prosseguiu o presidente, que fez a ressalva que seu filho é alvo de boatos em toda eleição e que os vazamentos das investigações ocorrem usualmente em momento de disputa eleitoral. “Nós temos que tomar cuidado. Ou seja, quando começa a vazar, e você sabe que eu sou vítima disso desde 1989, você não pode perder o equilíbrio”.
AUTONOMIA – O presidente recordou que em todos os seus mandatos os órgãos de fiscalização, controle e transparência foram reforçados e tiveram autonomia para cumprir as funções. “A corrupção tem em qualquer lugar. Tem na empresa, no governo, no judiciário, em qualquer lugar. Tem no time de futebol. Agora, o que temos é uma capacidade de investigação como jamais teve esse país. Porque a Polícia Federal está preparada, o Ministério da Justiça sabe que tem de investigar”.
Lula citou o exemplo que deu aos seus ministros: “Quando fiz a primeira reunião com os ministros, falei o seguinte: ‘Olha, todo mundo aqui tem o direito de trabalhar com a maior liberdade possível. Somos obrigados a fazer as coisas certas. Se alguém fizer a coisa errada, pagará pelo que fez’. Não existe uma relação de amizade, sabe? Existe uma relação de confiança e que as pessoas precisam cumpri-la. Quem não cumprir, qualquer pessoa, será julgada e tem direito à defesa. E se for inocente, ótimo. Se for culpado, paga o preço da culpa”, finalizou.