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Presidente Lula conversa com as apresentadoras do podcast As Cunhãs e Não Inviabilize no Palácio da Alvorada
Fotógrafo: Ricardo Stuckert

Moradia • Agosto de 2026 • 5 min de leitura

Lula reforça moradia como instrumento de dignidade, convivência e qualidade de vida

Presidente fala sobre meta de 3 milhões de moradias, retomada de obras paralisadas, habitação rural e novos projetos com participação das comunidades

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Para o presidente Lula, uma política habitacional não se resume à construção de casas. Moradia significa estabilidade, convivência, segurança e condições para que as famílias construam vínculos e tenham qualidade de vida. Em entrevista aos podcasts As Cunhãs e Não Inviabilize, nesta sexta-feira (14), Lula falou sobre o Minha Casa, Minha Vida e relacionou a política habitacional à própria trajetória e às experiências que teve antes de chegar à Presidência da República. 

Ao explicar por que considera a habitação uma de suas prioridades, Lula voltou à própria história. Contou que sua mãe morreu sem conseguir ter uma casa própria e lembrou que foi o primeiro filho dela a conquistar uma. Também recordou os dez anos em que viveu, em São Bernardo do Campo, em uma casa de 33 m², onde morava com a mulher, três filhos, dois cachorros e a sogra.

No início do terceiro mandato do presidente Lula, a meta era contratar dois milhões de casas na retomada do Minha Casa, Minha Vida. O objetivo foi superado no fim de 2025. Novo objetivo passou a ser finalizar a gestão com 3 milhões. A marca de 2,5 milhões já foi superada.

A experiência pessoal, segundo o presidente, ajuda a explicar sua visão sobre a importância da moradia. Para Lula, ter uma casa significa também estabelecer relações com a vizinhança, criar vínculos e oferecer estabilidade às crianças. “Quando a gente fica mudando, as crianças não conseguem fazer amigos”, afirmou. 

Lula também lembrou relações de solidariedade comuns nas comunidades, como pedir à vizinha uma xícara de sal, café ou óleo. “Se a pessoa não tiver amizade, não tem como pedir”, disse.

3 MILHÕES DE MORADIAS – Na entrevista, Lula afirmou que o Governo Federal deverá alcançar a marca de 3 milhões de moradias contratadas pelo Minha Casa, Minha Vida, superando em 1 milhão acima da meta inicial de 2 milhões.

O presidente destacou que o programa atende diferentes faixas de renda. Para as famílias de menor renda inscritas no Cadastro Único, há situações em que o imóvel pode ser subsidiado integralmente. Ao mesmo tempo, o governo ampliou as condições de financiamento para alcançar também famílias de renda média.

RETOMADA DE OBRAS – Lula também frisou a retomada de empreendimentos habitacionais que estavam paralisados. Segundo o presidente, o atual governo encontrou 87 mil unidades habitacionais com obras interrompidas, algumas delas desde o governo da ex-presidenta Dilma Rousseff. “Eu encontrei escolas, creches e clínicas paralisadas, eles não fizeram nada”, disse, ao mencionar obras interrompidas encontradas pelo atual governo.

COMUNIDADES E MORADIA RURAL – Ao falar sobre as modalidades do programa, Lula citou o Minha Casa, Minha Vida Entidades, voltado a diferentes realidades e necessidades das famílias e com participação de organizações e dos próprios moradores na definição e execução dos projetos. “Uma coisa rica que nós criamos. A gente está provando que as comunidades, quando assumem responsabilidade, elas constroem casas de melhor qualidade”, pontuou. 

Lula também mencionou a expansão da política habitacional para o campo, com ações voltadas a ampliar o acesso à casa própria para famílias que vivem e trabalham no meio rural. “Também estamos financiando 10 mil casas rurais, porque toda mulher quer ter uma casa, toda criança quer ter uma casa”, afirmou. 

MAIS ESPAÇO E DIGNIDADE – Ao falar sobre a qualidade das moradias, Lula contou que, durante visitas a conjuntos habitacionais, percebeu a ausência de espaços externos nas unidades. A partir disso, passou a defender a inclusão de varandas nos projetos. 

De forma bem-humorada, o presidente chamou o espaço de “varanda do pum”, uma área externa para o morador sentar, conversar, descansar e ter mais privacidade. “Eu tenho orgulho de dizer que sou o criador da ‘varanda do pum’ no projeto do Minha Casa, Minha Vida. Porque dá mais respeito e mais dignidade ao ser humano”. 

A proposta, segundo Lula, é garantir que os projetos considerem também as necessidades do cotidiano das famílias. O presidente criticou a construção de imóveis excessivamente pequenos. “Hoje a gente está vendo casas de 8 m². Isso não é uma casa, é um caixote. Já estamos fazendo casas um pouco maiores e mais baratas”, afirmou.

MORADIA É CONVIVÊNCIA – Para Lula, a qualidade da habitação não termina na porta de casa. O presidente defendeu que os conjuntos habitacionais tenham bibliotecas, espaços coletivos de leitura, áreas de lazer e locais adequados para as crianças brincarem. 

Também defendeu a presença de piscinas nos projetos. “Tem que ter piscina. Pode se preparar, você vai pensar que é um condomínio rico, mas é pobre que tem direito a piscina, porque se você não tem um lugar para as crianças extravasar a energia delas, elas acabam ficando na televisão”, argumentou. 

A proposta parte de uma visão mais ampla de política habitacional, que considera não apenas a construção da unidade, mas também o ambiente em que as famílias vão viver, estudar, criar os filhos e estabelecer relações de comunidade. “Tudo isso não custa muito caro, é que se criou um padrão de que pobre não tem que ter direito”, concluiu.

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