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Imagem aérea mostra o estádio da Vila Euclides lotado, com uma passarela ao meio e o presidente Lula falando na ponta de baixo do enquadramento
Fotógrafo: Ricardo Stuckert

Economia • Agosto de 2026 • 5 min de leitura

Lula: pensar o futuro envolve salto de qualidade em educação e soberania com minerais críticos

Presidente também defendeu o aumento da ação do governo na segurança com a aprovação de PEC em avaliação no Congresso

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Após reconstruir políticas em três anos e meio e alcançar marcas inéditas na economia, educação, saúde, desenvolvimento social, meio ambiente, segurança pública, defesa das mulheres, indígenas, quilombolas e trabalhadores, o presidente Lula quer mais. O próximo passo ele batizou de salto de qualidade. E a educação é uma das senhas para esse futuro, como ele afirmou no evento de abertura da campanha eleitoral de 2026, no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP).

“No quarto mandato eu quero acabar com alguns dilemas do nosso país. Eu quero meninos e meninas bem formados, estruturados, para não apenas servir ao mercado de trabalho. Quando assumimos a presidência em 2003, havia apenas 5 milhões de brasileiros com diploma universitário no mercado de trabalho. Hoje, são 25 milhões. Isso é pensar no futuro”, definiu o presidente, ao falar para a multidão de cerca de 40 mil pessoas que lotou o estádio Primeiro de Maio.

“No quarto mandato eu quero acabar com alguns dilemas do nosso país. Eu quero meninos e meninas bem formados, estruturados, para não apenas servir ao mercado de trabalho”

Luiz Inácio Lula da Silva

Ao comparar o investimento em educação com o que o Estado gasta com uma pessoa no sistema penitenciário, Lula reforçou a importância do foco no saldo de qualidade no aprendizado. “Fui à Universidade Federal de São Bernardo e perguntei ao reitor: quanto custa um aluno? Ele me disse: R$ 20 mil. Sabe quanto custa um preso numa cadeia aqui? R$ 35 mil. Investir em educação é mais barato. Temos que evitar que virem bandido, dando oportunidades às crianças e adolescentes”, prosseguiu Lula.

Em seu terceiro mandato, foram 111 novos campi de Institutos Federais, em todos os estados. A taxa de analfabetismo é a menor da série histórica iniciada em 2016. Foram criadas 1,8 milhão de vagas de ensino integral. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) alcançou o melhor resultado da história. A evasão escolar foi a menor desde 2007, quando começou a ser medida, na rede pública caiu para 2,5% (Censo Escolar 2025), numa medida que se conecta com o Pé-de-Meia, criado para incentivar a permanência de adolescentes no Ensino Médio, com 7,3 milhões de beneficiários. 

COMBATE AO CRIME – Outro tema muito enfatizado por Lula foi a segurança pública. O líder brasileiro lembrou de quando, em seu primeiro mandato, regulamentou o controle de armas no país, junto ao ministro da Justiça da época, Márcio Thomaz Bastos, enquanto a extrema-direita fomenta uma política armamentista que favorece o crime organizado.

“O povo devolveu mais de 500 mil armas. Sabe o que a extrema direita fez? Distribuíram, venderam mais de um milhão de armas e um bilhão de balas. Essa gente fala em segurança. Quem é que ficou com esse um bilhão de balas? Foi o dono de casa ou o crime organizado que, travestido de boa vontade, foi comprar revólver, pistola, fuzil, para continuar matando gente e fortalecer o crime”, comparou Lula.

Desde 2023, o governo federal trabalhou para desarticular redes criminosas complexas, com atuação transnacional, e reduziu índices de homicídios e latrocínios. O combate ao crime organizado passou a atacar a base financeira das facções. O resultado foi um prejuízo de R$ 42 bilhões nas contas dos criminosos. Somente em 2025, foram R$ 16,9 bilhões, valor recorde que inclui apreensões de dinheiro vivo, imóveis, aeronaves, lanchas, veículos e joias, entre outros bens. 

Para comparar, em 2022, foram apenas R$ 1 bilhão em apreensões. “Porque é pegando o dinheiro deles que a gente vai acabar com a indústria do crime sofisticada. É fácil matar o bandido numa favela. Agora, o cara que manda está no apartamento de cobertura”, completou Lula.

Ministério da Segurança Pública – A PEC da Segurança Pública é o próximo ato para o combate ao crime organizado, com a criação de um sistema nacional, integrando União, estados e municípios. Hoje, o protagonismo da segurança pública é dos estados. A PEC pretende dar mais possibilidades de ação ao Governo Federal. 

“Nós vamos trabalhar duro. Se for aprovada a PEC da Segurança Pública, eu vou criar o Ministério da Segurança Pública para dividir responsabilidade com estados e municípios. Para a gente libertar o povo das vilas mais pobres. E vamos libertar o povo prendendo todo mundo”, projetou.

16.08.2026 - Lançamento Oficial da Campanha de Lula 2026

Passaporte para o futuro – Para o presidente Lula, pensar no futuro é pensar em escola de tempo integral, não só para melhorar a vida do estudante, mas da mãe e do pai, que podem trabalhar sabendo que o filho está estudando. O futuro do país também está na ciência, em saber transformar as riquezas naturais – como as terras raras e minerais críticos – em tecnologia de ponta. 

“O que nós queremos é colocar as nossas meninas e os nossos meninos para estudarem como é que a gente vai explorar esse minério, como é que a gente vai transformá-lo, como é que a gente vai produzir os celulares, os chips, as baterias elétricas, tudo que for produzido pelos minerais críticos e terras raras”, pontuou Lula, que quer mudar a perspectiva de o país ser exportador de matéria-prima. 

“A gente não quer exportar o mineral bruto para depois comprar coisas prontas dele. Nós queremos extrair aqui, transformar aqui, industrializar aqui, produzir aqui, gerar emprego aqui e gerar riqueza”, listou. “Nós é que vamos explorar em benefício do povo brasileiro. Esse país está devendo a si mesmo se transformar em grande nação”.

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