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Fotógrafo: José Cruz/ Agência Brasil

Desenvolvimento Social • Agosto de 2026 • 3 min de leitura

Salário mínimo de R$ 1.741 mantém ganho real e política de valorização retomada por Lula

Projeção para 2027 representa aumento de R$ 120 sobre o piso atual e preserva reajuste acima da inflação

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Não é só uma mudança no número que aparece no contracheque. Quando o salário mínimo sobe acima da inflação, o aumento chega à mesa de quem trabalha, recebe aposentadorias e benefícios sociais e ajuda a movimentar a economia. Para 2027, o piso nacional está projetado em R$ 1.741, mantendo a trajetória de valorização retomada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde 2023.

A estimativa foi anunciada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, após reunião com Lula nesta segunda-feira (24/08) para fechar as definições do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027. O valor será incluído na proposta que o governo encaminhará ao Congresso Nacional até 31 de agosto.

A projeção representa aumento de R$ 120 em relação aos atuais R$ 1.621, uma alta nominal de 7,4%. O novo cálculo também ficou R$ 24 acima dos R$ 1.717 previstos anteriormente no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias. O valor definitivo dependerá do INPC acumulado até novembro e será conhecido no fim do ano. Para 2027, a projeção considera também o crescimento de 2,3% do PIB em 2025.

Durigan destacou que a valorização não ficará restrita aos trabalhadores que recebem o piso. “Cumprindo a legislação brasileira, dentro do nosso espírito de privilegiar a população mais carente, vai também para a Previdência e para os benefícios sociais que têm indexação no salário mínimo”, afirmou.

Na prática, o mínimo funciona como referência para uma parcela importante dos rendimentos dos brasileiros. Cerca de 45% dos benefícios do Regime Geral da Previdência Social estão vinculados ao piso. Aposentadorias e pensões do INSS, Benefício de Prestação Continuada (BPC), seguro-desemprego e abono salarial estão entre os pagamentos alcançados direta ou indiretamente por sua variação.

DE R$ 1.302 PARA R$ 1.741 – Quando Lula retornou à Presidência, em 2023, o salário mínimo estava em R$ 1.302. Passou para R$ 1.412 em 2024, R$ 1.518 em 2025 e chegou a R$ 1.621 em 2026. Com a projeção de R$ 1.741 para o próximo ano, serão R$ 439 a mais no valor nominal do piso em relação ao início do atual governo.

AUMENTO REAL – A mudança de trajetória começou ainda em 2023, quando Lula sancionou a retomada da política permanente de valorização do salário mínimo. A regra recuperou o princípio de combinar a reposição da inflação com o desempenho da economia, garantindo que o crescimento do país possa chegar também ao bolso de quem está na base da pirâmide de renda.

A política havia sido interrompida em 2019, quando o crescimento do PIB deixou de fazer parte do cálculo do reajuste. Durante aquele período, o mínimo deixou de ter uma regra permanente de aumento real. Com Lula, a valorização acima da inflação voltou a integrar a política econômica do país.

RENDA E RESPONSABILIDADE FISCAL – O aumento do mínimo também entra no planejamento das contas públicas porque eleva despesas previdenciárias e assistenciais vinculadas ao piso. Segundo Durigan, o Orçamento de 2027 foi construído para conciliar essa valorização com o controle das despesas obrigatórias.

“Para o ano que vem, a gente projeta o aumento das obrigatórias um pouco inferior ao aumento geral do orçamento. As medidas têm o condão de dar racionalidade, de que modo que a regra com ganho real do arcabouço fiscal vai ter um ganho real maior do que as obrigatórias amplamente consideradas”, afirmou.

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