27 de abril de 2022

O pesquisador Christopher Bouzy, fundador do site BotSentinel.com, soou o alarme: da noite para o dia, uma série de nomes da política norte-americana ligados ao Partido Republicano e associados à extrema-direita atingiram picos de seguidores nunca antes vistos no Twitter. Por outro lado, políticos democratas perderam um número significativo de seguidores. O comportamento, que causa preocupação, chegou também ao Brasil. Entre a segunda (25) e a terça (26), Jair Bolsonaro ganhou mais de 65 mil seguidores na plataforma. Acontece que, desse total, 19.999 foram criados na própria terça, e outros 17.923 vieram à luz na segunda. Ou seja: 58% dos seguidores recentes de Jair são contas que até poucos dias nem sequer existiam.

“Me perguntam se essas novas contas que passaram a seguir Bolsonaro são orgânicas e a resposta curta é não. Eu não acredito que dezenas de milhares de brasileiros decidiram criar novas contas ao mesmo tempo para segui-lo porque Elon Musk comprou o Twitter”, explicou Bouzy.

Não causa surpresa alguma que o presidente que mente 7 vezes por dia se valha de técnicas espúrias para se manter relevante. Nem sequer é novidade que a milícia digital comandada pelo genocida se utilize dessa artimanha, a ser comprovada, da compra de robôs e criação de perfis falsos. Já em 2020, o Facebook enviou à CPMI das Fake News informações que mostravam que uma das páginas utilizadas para ataques virtuais e para estimular o ódio contra supostos adversários do presidente Jair Bolsonaro, a deletada Bolsofeios, foi criada a partir de um computador localizado na Câmara dos Deputados.

Milícias digitais

A página foi registrada a partir de um telefone utilizado pelo secretário parlamentar do deputado Eduardo Bolsonaro, Eduardo Guimarães. “O email do registro da conta da página é “[email protected]”— endereço utilizado pela assessoria do filho do presidente para a compra de passagens e reserva de hotéis, através da cota parlamentar, como mostra a prestação de contas disponível no site da Câmara dos Deputados”, lembra reportagem do UOL.

A denúncia foi feita à Comissão pela deputada Joice Hasselmann, que à época apresentou um grupo secreto onde diversas páginas ligadas ao gabinete do ódio, e de que participava o assessor Eduardo. onde seriam orquestrados um cronograma conjunto de ataques a pessoas consideradas inimigas da família.

No ano passado, a Polícia Federal (PF) verificou que a conta de Instagram “Bolsonaro News”, derrubada pelo Facebook por postar conteúdos falsos, foi acessada pela rede de wifi do Palácio do Planalto e da casa do presidente Jair Bolsonaro no Rio de Janeiro. Também segundo a PF, contas falsas criadas no Facebook e no Instagram, usadas para atacar opositores do governo e membros do Judiciário foram acessadas 1.045 vezes a partir de computadores em órgãos públicos, incluindo Senado, Câmara dos Deputados, Câmara Municipal do Rio de Janeiro, Presidência da República e Comando da Brigada de Artilharia Antiaérea.

Nessa lista, entram especialmente assessores ligados a Flávio, Eduardo Bolsonaro e a outros legisladores bolsonaristas. A investigação chegou até à primeira-dama, Michelle Bolsonaro, relacionada, ao lado de um assessor do Planalto, a contas no Facebook utilizadas durante as eleições de 2018 para favorecer Jair. Uma quebra de sigilos de endereços de internet mostra que, em 5 e em 6 de novembro de 2018, Tércio Arnaud usou a rede de Michelle Bolsonaro, instalada na casa do presidente da República na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Lá, acessou as contas fake.

Mais recentemente, o Facebook flagrou oficiais do Exército Brasileiro por trás de uma rede que operava como uma fábrica de mentiras para minimizar as denúncias e notícias negativas sobre mais desastrosa política ambiental da história brasileira.

Em fevereiro, o Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu da Polícia Federal o relatório parcial do inquérito das milícias digitais, que investiga aliados e apoiadores do governo, além do próprio presidente Jair Bolsonaro (PL), por ataques às instituições democráticas e promoção de notícias falsas. É dentro dessa confusão que despontou o deputado Daniel Silveira, alvo de um inédito e absurdo indulto presidencial.

Diante de tudo isso, não é difícil entender por que, nos momentos em que Jair Bolsonaro tensiona sua relação com os demais poderes, participa de atos antidemocráticos e desafia o Judiciário, a milícia digital tenha transformado em alvo favorito o Supremo Tribunal Federal (STF), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e seus ministros.

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A relação entre a criação de contas falsas, a disseminação do ódio e as campanhas de ataques direcionados é clara. Para dificultar a localização dos autores das falas criminosas, são criados diversos perfis, a princípio pequenos, que se dedicam exclusivamente a propagar as fake news criadas pelo gabinete do ódio. Como conseguem atuar em massa, têm a intenção de manipular o debate público, dando a impressão de que dado assunto se tornou central no país. “Só se fala nisso”, dão a entender. E, de quebra, enchem os bolsos de dinheiro, já que a indústria das mentiras e da desinformação é altamente lucrativa.

Os recentes sinais de compra de seguidores acendem um sinal de alerta sobre as ações da milícia digital, uma vez que a estratégia anda de mãos dadas com a produção de fake news. É justamente esse o tema de um relatório entregue pela Polícia Federal ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que aponta para a existência de uma milícia digital com o objetivo de ataque às instituições e à democracia.

Não é de hoje que está nítido que a estratégia deles é tentar repetir 2018 e nos afogar em mentiras. Sempre que se vê acuado, Bolsonaro cria cortinas de fumaça a cada notícia negativa veiculada sobre o seu governo (e são muitas). Essa estratégia não é nova, mas é extremamente eficaz. Com suas declarações absurdas, o presidente pauta a mídia e as redes sociais dia após dia, deixando as más notícias sobre sua administração em segundo plano.

Twitter

Os estudos de Christopher lançam luz a este problema. Lançado por ele em 2018, a ferramenta visa “ajudar a lutar contra a desinformação e assédios direcionados” por meio da exposição de dados de contas de usuários que demonstram comportamento duvidável ao espalhar fake news. “O sistema é totalmente apartidário, e pode classificar corretamente perfis com uma taxa de acerto de 95%”, diz o site. “Ao contrário de outros monitoramentos criados para deter a ação de robôs, focamos em comportamentos específicos que ferem as regras do Twitter.”

De tempos em tempos, é comum a plataforma banir robôs ou contas falsas, o que gera oscilações sensíveis no número de seguidores especialmente de perfis verificados. Contudo, Christopher é taxativo ao dizer: “Isso definitivamente não é por causa do bloqueio de robôs”. Além disso, o Twitter afirmou que não faria qualquer mudança na plataforma até a próxima sexta-feira, segundo o The Washington Post.

A decisão vem na esteira da compra bilionária, feita por Elon Musk, que arrebatou a plataforma por um valor acima de seu preço de mercado, US$ 44 bilhões (cerca de R$ 215 bilhões). Fundador da empresa de transporte aeroespacial SpaceX e da fabricante de carros elétricos Tesla, Musk é hoje o homem mais rico do mundo, e um usuário frequente do Twitter. Desde a aquisição, prometeu “melhorias” na rede social. Segundo ele, a plataforma tem um “potencial tremendo” e deve ser uma espécie de “arena” de defesa da liberdade de expressão.

São muitas as críticas feitas à rede social, da dificuldade em combater crimes digitais à falta de transparência, mas jornalistas e analistas de todo o mundo se preocupam com os rumos que a companhia pode tomar sob a chancela do bilionário. Por conta disso, o debate em torno da liberdade de expressão se tornou central nos debates mundiais nesta semana. Especialistas têm dúvidas a respeito das posições defendidas pelo empresário e sobre quais as reais intenções dele em se tornar o dono da plataforma.

+ Como denunciar mentiras e fake news do bolsonarismo

Do auge de sua síndrome de vira-lata, políticos e aliados do bolsonarismo correram a comemorar o anúncio da compra da plataforma pelo bilionário que se autodeclara um “absolutista da liberdade de expressão” – o que quer que isso signifique nesse contexto, não está claro. O primeiro a se manifestar foi o ministro das Comunicações do Brasil, Fabio Faria, que minutos após o anúncio escreveu: “Congratulations, @elonmusk! Mais uma vez você está a dois passos na frente dos outros players e agora faz um gesto ao mundo e em defesa da liberdade!”

Logo foi seguido pela seita bolsonarista mais fiel. Políticos e influenciadores bolsonaristas apontaram aumento de seguidores nos perfis no Twitter e atribuíram o crescimento à compra da plataforma. Eles alegam que vinham sendo “censurados” pelas diretrizes da empresa. Dados do site SocialBlade, que monitora o desempenho dos usuários, confirmaram o crescimento acima da média desses perfis na segunda-feira, 25. Não há, porém, qualquer informação oficial da plataforma sobre alteração em suas regras de publicação.

Entram no grupo o ex-ministro do Turismo Gilson Machado e o humorista associado à direita Carioca, todos comemorando o fim de uma suposta censura. Carlos Bolsonaro ganhou cerca de 17 mil seguidores, enquanto Flávio Bolsonaro acumulou pouco mais 15 mil no mesmo período. Ambos tinham médias diárias de cerca mil novos seguidores.

A deputada federal Carla Zambelli somou 23 mil seguidores na terça, superando sua média diária de 1.600. O deputado federal Hélio Lopes ganhou pouco mais de 10 mil seguidores, um contraste com a sua média de apenas 600 novos seguidores. “De ontem para hoje ganhei mais de 30 mil seguidores no Twitter. Agradeço ao Elon Musk. Daqui para frente, ao infinito e além”, escreveu o empresário bolsonarista Luciano Hang na rede social.

O fenômeno se espalhou por perfis de outros aliados do presidente, como a ministra Damares Alves, o ministro Marcelo Queiroga, e o pré-candidato a governador da Bahia André Porciuncula, que também registraram crescimentos notável. O ex-secretário da Cultura, Mário Frias, ganhou dez vezes mais seguidores do que no dia anterior e disse estar sentindo “cheiro de liberdade” na plataforma após a aquisição por Elon Musk.

Vale lembrar que, oficialmente, Elon Musk ainda não é o dono da rede social, já que a transação precisa ser aprovada pelos acionistas e por órgãos regulatórios. Segundo contrato divulgado pela rede social, o negócio deve ser fechado até o dia 24 de outubro, data que pode ser estendida por até 6 meses, se necessário, atender a certas condições, como autorizações antitruste e de investimento estrangeiro. Caso os prazos não sejam cumpridos, o acordo pode ser desfeito.

Em outro tuíte, Chirstopher especula que é possível que pessoas ligadas à direita se sintam mais “seguras” em relação ao Twitter após ele ser ter sido adquirido pelo bilionário Elon Musk, e por isso estariam criando novas contas. Mas ainda faltam dados, além de um posicionamento da empresa, que justifique o crescimento dos perfis de direita no Brasil e nos EUA. Em ano de eleição por aqui, e em um momento em que as redes sociais são determinantes para as campanhas, o assunto é ainda mais urgente. “Há contas falsas que engajam em táticas enganosas, e há uma correlação entre esse comportamento problemático e perfis falsos que são parte de uma campanha de influência”, alerta o pesquisador.

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