26 de maio de 2022

O anúncio é muito atrativo: ganhe dinheiro sem sair de casa apenas com alguns cliques. Parece o trabalho dos sonhos: dá pra fazer de casa, a demanda é simples e parece inofensivo. Parece bom demais para ser verdade. E não é! Isso é um braço da milícia digital convocando mão de obra para fazendas de cliques que fazem com que as fake news circulem num ritmo cada vez mais alto! E, com a escalada absurda da inflação e a economia na lama, é claro que isso chama a atenção de muita gente que só quer conseguir dar o que comer pra família.

Não basta o inferno que viraram seu Zap e suas redes sociais com as mentiras do gabinete do ódio. Agora a gente tem que ficar de olho também pra saber se aquele comentário que você está lendo é real ou se é só uma isca para ajudar a fake news a circular sem freios por aí. Tem gente que acha que robô é inofensivo, mas é tudo truque pra te enganar. E funciona!

Como o Verdade na Rede já te explicou, as fazendas de cliques ou de likes são criadas para gerar um tráfico de internet altíssimo em conteúdos deliberadamente plantados com finalidades políticas, seja para beneficiar algum negócio ou pessoa, seja para fazer com que determinada narrativa ou versão fique em alta nos assuntos mais comentados no momento no mundo digital. Esse trabalho é usado por criminosos para simular comportamentos de “pessoas reais” visitas de usuários para gerar tráfico falso a determinados conteúdos.

O problema é que, segundo as plataformas, não é muito fácil diferenciar a atuação dos robôs e contas falsas das de usuários reais. A tecnologia é tão sofisticada que eles são capazes de imitar com semelhança o perfil de navegação de seres humanos. Não só roubam dados dos usuários, como também espalham desinformação, criam fraudes e abertamente forçam os debates públicos para o lado que os favorecem.

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Aqui no Brasil, empresas conhecidas como “plataformas de cliques” vendem pacotes de “engajamento” para clientes que, do dia para a noite, ganham milhares de seguidores e um engajamento invejável. São centenas de likes, comentários e visualizações de vídeos criadas para enganar não só os controles das redes sociais, mas você, que é recebe a chuva de mentiras criadas pela extrema direita, muitas vezes com dinheiro público. Um pacote de mil curtidas no Instagram, por exemplo, custa R$ 0,60.

E como isso é feito? Bom, usuários reais são contratados ganhando de R$ 0,001 a R$ 0,05 por tarefa – seja curtir, compartilhar ou comentar, explica reportagem da Folha de S.Paulo. Para receber, eles precisam acumular R$ 20, o que exige completar em torno de 20 mil tarefas. Como o rendimento é baixo, quem pega esses trabalhos normalmente cria várias contas fakes para dar conta das demandas. Outros, criam programinhas, os famosos robôs, para fazer o trabalho por eles. Essa automatização, na maioria das vezes, é o que garante que quem aceita esses trabalhos consiga ter uma renda mínima que compense.

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As fazendas de likes, robôs e fake news são um problema real que afetam o mundo todo, influenciando até mesmo em pesquisas de intenção de votos às vésperas de eleições de diversos países. Recentemente, o Serviço de Segurança Ucraniano desmantelou duas fazendas de bots em Lviv, em plena guerra, que tinham uma capacidade total de 18 mil contas falsas. Elas se localizavam em dois apartamentos e contavam com 3 mil SIM cards, os chipes dos celulares, para promover, a mando de agentes russos, desinformação e criar pânico na população. Nisso, entram anúncios falsos de atentados, atos terroristas e outras fake news virais.

Segundo estudo de Rafael Grohmann, elas são “plataformas parasitas”, uma vez que dependem da infraestrutura das redes sociais para existir. De acordo com especialistas, a título de exemplo, o Facebook só consegue detectar uma a cada 10 contas criadas nessas fazendas. A título de exemplo da escala do estrago que podem fazer, em maio de 2021, uma fazenda de likes gerenciava 13,7 mil perfis falsos na plataforma. Cada um deles postava 15 vezes por mês, o que soma 206,6 mil posts criados apenas por esta fazenda.

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Vale lembrar que esse assunto tem importância especial no Brasil diante do que vem acontecido nas redes do bolsonarismo. No mês passado, do dia para a noite, Jair Bolsonaro ganhou mais de 65 mil seguidores na plataforma. Acontece que, desse total, 19.999 foram criados na própria terça, e outros 17.923 vieram à luz na segunda. Ou seja: 58% dos seguidores recentes de Jair são contas que até poucos dias nem sequer existiam.

Outros nomes ligados a ele, como seus filhos e apoiadores fiéis, tais quais Carla Zambelli, Helio Lopes, Mário Frias, Damares Alves, Marcelo Queiroga e até o empresário Luciano Hang tiveram um crescimento vertiginoso em seus perfis no Twitter no mesmo período.

+ Como denunciar mentiras e fake news do bolsonarismo

A relação entre a criação de contas falsas, a disseminação do ódio e as campanhas de ataques direcionados é clara. Para dificultar a localização dos autores das falas criminosas, são criados diversos perfis, a princípio pequenos, que se dedicam exclusivamente a propagar as fake news criadas pelo gabinete do ódio. Como conseguem atuar em massa, têm a intenção de manipular o debate público, dando a impressão de que dado assunto se tornou central no país. “Só se fala nisso”, dão a entender. E, de quebra, enchem os bolsos de dinheiro, já que a indústria das mentiras e da desinformação é altamente lucrativa.

Nada disso é exclusividade da política brasileira, mas aqui sabemos bem para que isso é usado. O alerta é da jornalista e fundadora da Agência Lupa Cristina Tardáguila: “Os ataques ao TSE e às urnas eletrônicas seguem um cardápio que está sendo servido internacionalmente e não têm nenhuma relação com a maneira como se vota”. Como já denunciamos aqui no Verdade na Rede, com o gabinete do ódio à frente da milícia digital bolsonarista para promover ataques à democracia e ao processo eleitoral, houve um aumento de 440% no volume de fake news envolvendo as eleições, o Supremo Tribunal Federal (STF), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e seus ministros. 

Por trás de cada desinformação há um interesse político, por trás de cada número de Zap há uma pessoa que merece ser tratada com respeito, que tem de ter sua opinião política e inteligência respeitada para tomar as melhores decisões e posicionamentos em sua vida. Brigar na internet não é a solução, mas dialogar.

Siga denunciando!

Nunca é demais reforçar: não compartilhe posts visivelmente falsos. Qualquer publicação, mesmo que em tom de denúncia ou indignação, ajuda a aumentar a propagação dessa mentira, que visa confundir o debate sério e mudar o foco para a discussão que realmente importa. Ou seja, a sua denúncia acaba virando divulgação daquele conteúdo com que você não concorda.

Por isso, reforçamos: ao notar um conteúdo falso, não compartilhe nem com seus amigos. Respire fundo, e lembre-se de que é essa justamente a estratégia do bolsonarismo. Então, responda à mentira com uma verdade. Basta buscar uma vacina em https://lula.com.br/verdadenarede para desmontar os argumentos falsos e as narrativas fantasiosas dos apoiadores do genocida.

Se não encontrar uma resposta para o caso em específico, clique no botão vermelho DENUNCIE AQUI. Produziremos novas vacinas, assim como este texto, a partir das novas cepas do bolsovírus. Além disso, nosso time jurídico irá avaliar a sua denúncia e, se for necessário entraremos em contato para maiores informações. E, para se manter informado, cadastre-se em um dos nossos grupos de WhatsApp. Estaremos sempre de olho. Procurando as mentiras que circulam nas redes e em grupos de WhatsApp e Telegram e trazendo a verdade.