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Uma grande mesa de reuniões durante o G20 realizado no Brasil, com o presidente Lula em primeiro plano nos telões do evento
Fotógrafo: Ricardo Stuckert

Internacional • Agosto de 2026 • 8 min de leitura

De isolado à protagonista: Lula reposiciona Brasil como potência diplomática 

O Brasil voltou a ter destaque nos principais fóruns globais e retomou um papel de liderança na construção de consensos

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Após um período de isolamento internacional, o Brasil voltou a ocupar posição de destaque nos principais fóruns globais e retomou um papel de liderança na construção de consensos sobre temas estratégicos da agenda internacional.

Ao longo do terceiro mandato, o presidente Lula recebeu 86 chefes de Estado e de governo, de 68 países, entre visitas bilaterais e passagens pelo Brasil para eventos multilaterais. Manteve ainda 257 reuniões com chefes de Estado de 77 países no Brasil e no exterior e 130 conversas por telefone com líderes de 44 nações. Voltou a frequentar o G7 (é o único presidente brasileiro convidado na história). Um claro contraste com o período anterior: Jair Bolsonaro recebeu 20 chefes de Estado, e fez 35 telefonemas.

Com a volta do diálogo efetivo, a política externa restabeleceu parcerias históricas, defendeu o livre comércio e o multilateralismo, fortaleceu a soberania e ampliou a inserção internacional do Brasil. Foram 59 participações em cúpulas internacionais e 551 instrumentos de cooperação assinados até agosto de 2026, que ajudaram a abrir possibilidades de investimento em dezenas de setores. Ao longo do mandato, houve a abertura recorde de 675 novos mercados em 93 destinos para produtos do agro brasileiro (agosto de 2026). Quase três vezes os 242 mercados da gestão anterior.  

O comércio exterior, mesmo diante de um inédito e unilateral tarifaço imposto pelos Estados Unidos, atingiu os melhores resultados da série histórica, com superávit de mais de US$ 300 bilhões (em três anos e meio), contra US$ 222 bilhões durante os quatro anos da gestão anterior. Um crescimento de quase 38%, graças à diversificação de mercados promovida pelo presidente Lula.

Adicionalmente, o Brasil recebeu alguns dos principais eventos do cenário internacional, como a Cúpula do G20, a Cúpula do BRICS e a COP30. Eventos que, além de fortalecerem o soft power do país, movimentaram turismo, investimentos importantes em infraestrutura (especialmente em Belém) e a economia nacional. 

Para coroar o período, a diplomacia presidencial foi essencial na conclusão de três acordos estratégicos para o Mercosul, com União Europeia (após 25 anos de tratativas), com Singapura e com a Associação Europeia Livre de Comércio (EFTA), bloco formado por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça. 

ALGUNS DOS DESTAQUES 

CELAC – Em janeiro de 2023, poucas semanas após a posse, Lula participou da Cúpula da CELAC em Buenos Aires, sua primeira viagem internacional do terceiro mandato. O evento marcou o retorno do Brasil à Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos, bloco que reúne os 33 países da região.

CONSENSO DE BRASÍLIA  – O Brasil reuniu os presidentes da América do Sul em Brasília pela primeira vez em anos para reativar a cooperação regional e o diálogo pragmático, voltado a iniciativas concretas independentemente de viés ideológico.

ROTAS DE INTEGRAÇÃO – O projeto estratégico liderado pelo governo brasileiro se propõe conectar o Brasil aos oceanos Pacífico e Atlântico por meio de cinco rotas físicas de infraestrutura (rodovias, ferrovias e hidrovias), reduzindo custos logísticos com a Ásia e vizinhos.

ALIANÇA GLOBAL DE BIOCOMBUSTÍVEIS – Lançada junto com Índia e EUA no âmbito do G20, posiciona o etanol, o biodiesel e o SAF (combustível sustentável de aviação) brasileiros como soluções globais para a descarbonização dos transportes.

Cúpula da Amazônia, em 2023. Foto: Ricardo Stuckert

CÚPULA DA AMAZÔNIA – Em agosto de 2023, Belém sediou a 4ª Cúpula da Amazônia, reunindo os oito países da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (Brasil, Bolívia, Colômbia, Guiana, Equador, Peru, Suriname e Venezuela), a primeira reunião de cúpula da OTCA em 14 anos. O evento culminou na assinatura da Declaração de Belém, documento que estabeleceu uma agenda de desenvolvimento sustentável para a região, incluindo um plano de segurança com criação de bases fluviais e terrestres para proteger o bioma, além de eixos de inclusão social, ciência e tecnologia, e valorização de povos indígenas e comunidades tradicionais. 

G7 – O Brasil voltou a ser convidado para participar como convidado de honra nas reuniões de Cúpula do G7, demonstrando também o prestígio e o respeito do presidente Lula entre os líderes das maiores economias globais. Lula é o único presidente brasileiro a participar da Cúpula, e já compareceu a 10 desde o primeiro mandato. 

CHINA – Em abril de 2023, Lula fez a primeira visita de Estado à China do terceiro mandato, com comitiva de mais de 240 empresários. Foram assinados 15 acordos de parceria com o país que é o principal parceiro comercial do Brasil desde 2009. Em 2025, o comércio bilateral entre os países alcançou US$ 171 bilhões, crescimento de 8,1% em relação ao ano anterior. O saldo da balança comercial foi favorável ao Brasil: superávit de US$ 29 bilhões.

Brasil voltou a ser convidado para reuniões do G7. Lula é o único presidente brasileiro que já esteve nas reuniões do bloco. E esteve em dez oportunidades. Foto: Ricardo Stuckert

ORIENTE MÉDIO – O Brasil liderou o Conselho de Segurança das Nações Unidas durante a eclosão do conflito no Oriente Médio e ajudou a tentar  construir uma resolução para evitar a escalada da guerra. O texto obteve maioria absoluta dos votos, e só não prosperou em função de um veto dos Estados Unidos. O país teve posição firme em defesa do cessar-fogo e de crítica permanente tanto ao atentado cometido pelo Hamas quanto pela resposta altamente desproporcional de Israel sobre a população na Faixa de Gaza. Fiel a sua tradição, o Brasil defendeu a solução de dois Estados: Israel e Palestina.

VOLTANDO EM PAZ – Entre outubro e dezembro de 2023, com o início do conflito no Oriente Médio, o Brasil coordenou, com a Força Aérea Brasileira e pelo Ministério das Relações Exteriores, a Operação Voltando em Paz. Foram 13 voos que repatriaram 1.555 pessoas da zona de conflito no Oriente Médio. A primeira fase foi concentrada na saída de território israelense, resgatou 916 pessoas; as fases seguintes atenderam brasileiros que deixaram a Faixa de Gaza via Jordânia e Egito.

UNIÃO AFRICANA – Em fevereiro de 2024, Lula foi à Etiópia para a abertura da 37ª Cúpula da União Africana, em Adis Abeba, que reúne os 55 países-membros do bloco. Na ocasião, buscou apoio dos países africanos para a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, iniciativa que lançaria meses depois. A viagem incluiu ainda passagens por África do Sul, Angola, Cabo Verde, Egito, Moçambique e São Tomé e Príncipe. As escalas serviram para reaproximar os continentes e consolidar missões de cooperação técnica.

G20 – O Brasil presidiu o G20 em 2024. Colocou o combate à fome no centro da agenda econômica mundial e lançou a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. Outro destaque foi a proposta brasileira de tributação dos super-ricos e a criação do canal de financiamento climático global, marcos inéditos pautados pelo Brasil.

BRICS – À frente do BRICS em 2025, o governo brasileiro fortaleceu a articulação entre os países do Sul Global e impulsionou debates sobre desenvolvimento, saúde e reforma da governança internacional. Foi a quarta vez que o Brasil presidiu o bloco, mas a primeira à frente de um BRICS ampliado, com 11 países-membros.

Presidente Lula durante Cúpula do BRICS. Foto: Ricardo Stuckert

MERCOSUL – O Brasil assumiu a presidência pro tempore em julho de 2025, com prioridade em concluir o acordo com a União Europeia. As negociações avançaram decisivamente: em janeiro de 2026, o acordo Mercosul-UE foi assinado após 25 anos de tratativas. O acordo reúne 718 milhões de pessoas e um PIB combinado de US$ 22 trilhões. Garante a eliminação de tarifas europeias para mais de 5 mil produtos nacionais.

ASEAN – Em outubro de 2025, Lula fez uma aproximação histórica com o Sudeste Asiático. Foi a primeira vez que um presidente brasileiro pisou na sede da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e participou de uma reunião de líderes do bloco. O Brasil é o único Parceiro de Diálogo Setorial da ASEAN na América Latina. Em 2025, o bloco respondeu por 7% das exportações brasileiras e 5% das importações, gerando superávit comercial de US$ 10,3 bilhões para o Brasil. Em 2026, o Brasil foi novamente convidado a participar da cúpula do bloco. 

Lula na sede da Asean: a primeira vez que um presidente brasileiro esteve na sede do bloco asiático. Foto: Ricardo Stuckert

FUNDO AMAZÔNIA – Com a retomada de políticas sérias de preservação ambiental, o Brasil permitiu a reativação do Fundo Amazônia ainda em 2023, e atraiu novos doadores (EUA, Reino Unido, União Europeia, Dinamarca, Noruega e Alemanha). Com esses recursos adicionados e uma queda expressiva nas taxas de desmatamento na Amazônia e no Cerrado, o país deu o cartão de visitas necessário para legitimar o Brasil como líder da transformação ecológica global.

COP30 – Em novembro de 2025, Belém (PA) sediou a COP30, com mais de 55 mil participantes. Resultados incluíram a reafirmação do Acordo de Paris, a renovação das Contribuições Nacionalmente Determinadas (mais de 110 países atualizaram as metas), o lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), a criação do Mecanismo de Belém para Transição Global Justa, e o roteiro Baku-Belém para escalar o financiamento climático a US$ 1,3 trilhão ao ano até 2035.

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