Após conversa entre Lula e Trump, negociações sobre tarifaço são retomadas
Medida unilateral e sem fundamento técnico dos EUA sobretaxou produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano
Autoridades de Brasil e Estados Unidos se reuniram nesta segunda-feira (31/08) para retomar as negociações sobre o chamado tarifaço. O diálogo é consequência da conversa telefônica entre os presidentes Lula e Trump, em 21 de agosto. A medida unilateral dos EUA sobretaxou produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano.
No encontro desta segunda, o lado brasileiro foi representado pelos ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços). Pelo lado americano, esteve o representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer.
Os brasileiros reafirmaram estar abertos ao diálogo, reforçaram que não concordam com as medidas unilaterais impostas e que elas não são compatíveis com as regras multilaterais de comércio. Eles indicaram que as justificativas do governo dos EUA não correspondem às efetivas práticas.
As partes concordaram em voltar a se reunir em nível ministerial para avaliar o progresso das tratativas nas próximas semanas. O governo brasileiro reiterou que seguirá perseguindo um acordo equilibrado e mutuamente benéfico com os EUA, pautando-se sempre pelo respeito ao diálogo e à soberania nacional.
DEFESA – O governo Lula já demonstrou que são tecnicamente descabidas as alegações contra o PIX e a regulação de plataformas digitais, bem como as acusações sobre desmatamento. “O PIX é um patrimônio do nosso povo e referência internacional de infraestrutura pública digital. No Brasil, não vamos abdicar de proteger nossas famílias e nossas crianças contra a ganância de um punhado de tecno-oligarcas. A liberdade de expressão não é carta branca para a criminalidade. O mundo inteiro sabe que, a partir de 2023, combatemos de forma incisiva os ilícitos ambientais e reduzimos drasticamente o desmatamento em todos os biomas brasileiros”, dizia trecho da nota publicada em 16 de julho, após a aplicação das tarifas.
Em entrevista no dia 23 de agosto, Lula comentou sobre o telefonema com Trump. “Eu conversei muito sinceramente com ele [Trump] e foi uma conversa muito boa, porque no mesmo dia ele ligou para o secretário de Comércio dele, que ligou para o meu ministro da Indústria e Comércio [Márcio Elias Rosa], e já marcaram uma reunião”.
O Governo Federal realizou diversas tratativas para evitar a aplicação de tarifas dos Estados Unidos às exportações brasileiras. Além de cartas oficiais e telefonemas, houve mais de 30 encontros, 11 deles com Jamieson Greer e o secretário de Estado, Marco Rubio, além dos presidentes dos dois países.
Cada argumento dos EUA para o tarifaço foi rebatido pelo Brasil: confira aqui.
Os Estados Unidos acumulam US$ 424 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos. Em 2025, 76% das importações originárias dos EUA entraram no Brasil sem pagar imposto de importação, incluindo oito dos dez principais produtos norte-americanos importados pelo Brasil.
BRASIL SOBERANO – Após o tarifaço, o governo Federal anunciou uma nova etapa do Plano Brasil Soberano, com R$ 18,5 bilhões em linhas de financiamento destinadas a apoiar empresas brasileiras que atuam em setores estratégicos para a balança comercial, afetadas pelas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos, por conflitos internacionais e pelo avanço de medidas protecionistas no comércio mundial.
Nota à imprensa MRE/MDIC
Como consequência das conversas mantidas pelos presidentes Lula e Donald Trump, os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços reuniram-se, de maneira virtual, na tarde desta segunda-feira (31/08), com o representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer.
O objetivo da conversa foi o de avançar nas negociações em torno de duas decisões recentes dos EUA em aplicar novas tarifas sobre produtos brasileiros com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
O lado brasileiro reafirmou estar aberto ao diálogo com as autoridades norte-americanas, em linha com os históricos laços de amizade e de comércio mutuamente benéfico que marcam as relações entre os dois países.
Os ministros reiteraram, ademais, que o governo brasileiro não concorda com as medidas unilaterais impostas contra o país, que não são compatíveis com as regras multilaterais de comércio. Uma vez mais, indicaram que as justificativas apresentadas pelo governo dos Estados Unidos nas conclusões das investigações conduzidas ao amparo da Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana não correspondem às efetivas práticas brasileiras, sendo injusto o tratamento discriminatório adotado contra o Brasil.
As partes concordaram em voltar a reunir-se em nível ministerial, em data oportuna, a fim de revisar o progresso alcançado nas tratativas bilaterais e nas reuniões técnicas que serão realizadas nas próximas semanas.
Admitiu-se, ainda, que as próximas reuniões sejam virtuais ou presenciais. O governo brasileiro reitera que seguirá perseguindo um acordo equilibrado e mutuamente benéfico com os EUA, pautando-se sempre pelo respeito ao diálogo e à soberania nacional.