Durigan cita juros como “milha final” para próximo ciclo de avanços na economia
Em debate com representantes da área econômica, Durigan destaca inflação e desemprego em baixas históricas, além de reforma tributária e responsabilidade fiscal como ativos da gestão
Depois de três anos e meio de reorganização das contas públicas, retomada dos investimentos e mudanças estruturais que geraram desemprego e inflação em baixa, o Brasil precisa percorrer a “milha final” do ajuste: os juros mais baixos. Foi esse o caminho apresentado por Dario Durigan durante o painel “Competitividade nos planos do governo”, do Agenda Brasil 2026, promovido pelo Movimento Brasil Competitivo (MBC) e pela Exame, nesta terça-feira (25/08), em São Paulo.
Representando a área econômica do presidente Lula no encontro que reuniu representantes dos candidatos à Presidência, Durigan apontou três prioridades para os próximos anos: preservar a estabilidade institucional, aprofundar o combate ao crime organizado por meio de inteligência financeira e tecnológica e concluir o ajuste econômico com justiça fiscal e tributária.
“Quando a gente olha para o desemprego, estamos com mínimas de desemprego. Quando a gente olha para a retomada do investimento, isso foi feito. De fato, falta olhar para a milha final, que é a taxa de juros”, afirmou.
Para Durigan, o próximo ciclo deve preservar o arcabouço fiscal, com aperfeiçoamentos para reduzir o peso das despesas obrigatórias e liberar recursos para investimentos. “Manter o arcabouço fiscal, aprimorando no que precisar ser feito, a partir, inclusive, do que vai ser apresentado já no orçamento do ano que vem, com redução de obrigatório, abrindo espaço para investimento. Esse é o caminho para o futuro”, disse.
ORÇAMENTO “SEM ARMADILHAS ” – Durigan afirmou que a estratégia fiscal deve seguir baseada em previsibilidade e diálogo com o Congresso. Segundo ele, o Orçamento do próximo ano prevê superávit primário e será entregue “em ordem, sem armadilha, sem nada escondido”.
“O fiscal é parte importante do projeto de nação, que tem sido construído com gradualismo e com debate da sociedade”, afirmou. O objetivo, acrescentou, é estabilizar a trajetória da dívida e recuperar o grau de investimento do país “sem dar cavalo de pau” na política econômica.
JUSTIÇA TRIBUTÁRIA – Durigan defendeu a continuidade da correção de distorções e citou a taxação de fundos exclusivos e das bets. “Agora se paga tributo, tanto os mais ricos quanto as bets”, afirmou.
A reforma tributária, aprovada após 40 anos de discussão, foi apontada como uma das principais entregas do governo. Segundo Durigan, o novo sistema reduzirá o acúmulo de créditos, dará mais transparência sobre os impostos pagos e adotará mecanismos como o split payment e inteligência artificial para simplificar obrigações e combater a sonegação.
DA PROMESSA À ENTREGA – Como exemplos da capacidade de transformar propostas em medidas concretas, Durigan citou ainda o marco de garantias, a reforma do setor de seguros, a proteção ao Pix, as concessões de rodovias e as renegociações com estados.
Ele também destacou a melhora na avaliação do Brasil pelas agências internacionais de risco nos últimos três anos e meio. Para os próximos anos, apontou a necessidade de avançar no combate aos supersalários e privilégios no serviço público, especialmente no Judiciário, Ministério Público e tribunais de contas.
EDUCAÇÃO E PRODUTIVIDADE – Durigan colocou a educação no centro da agenda de competitividade, com foco na permanência dos jovens na escola, no ensino médio profissionalizante e na integração entre universidades e empresas. “Não é atacando a universidade que nós vamos melhorar a qualidade do ensino no país”, afirmou.
Ele também destacou o Propag, que prevê investimentos em educação profissional como contrapartida à renegociação das dívidas estaduais, além do crédito aos pequenos empreendedores e das transformações digital e ecológica.
MAIS EFICIENTE E DIGITAL – Durigan defendeu a modernização do Estado, citando o Concurso Público Nacional Unificado, a centralização de serviços, o uso de inteligência artificial e a simplificação de obrigações tributárias. “Não é promessa vaga de campanha. São uma série de coisas que a gente fez, que nós vamos aprofundar”, afirmou.
COMBATE AO CRIME – Durigan apontou ainda a estabilidade democrática como condição para o desenvolvimento, com respeito ao resultado das urnas e diálogo entre os Poderes. No combate ao crime organizado, defendeu ampliar o uso de dados e inteligência artificial para atingir as estruturas financeiras das organizações criminosas.
“Não dá para negar o resultado eleitoral, não dá para fazer quebra-quebra. Nós temos que ter respeito institucional e trabalhar a partir das autoridades eleitas pelas urnas”, afirmou.