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Flávio Bolsonaro e Javier Milei, presidente da Argentina
Fotógrafo: Reprodução

Notícias • Setembro de 2026 • 5 min de leitura

Enquanto oposição exalta “motosserra” que gerou fome e desemprego, Brasil coleciona avanços econômicos

Grupo político ligado a Flávio Bolsonaro exalta projeto argentino que cortou direitos, reduziu empregos, gerou fome e desigualdade no país vizinho

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A oposição não nega: enxerga em Javier Milei um modelo do que pretende adotar ao país. Nesta segunda-feira (14), Daniella Marques, coordenadora econômica de Flávio Bolsonaro, classificou o presidente argentino como “ótimo exemplo” e defendeu que o plano do candidato seja inspirado na experiência do país vizinho. O que ela não detalha é que a experiência argentina envolve corte de gastos a partir de fim de direitos trabalhistas, revogação de benefícios e alto custo social. A declaração expõe a opção de um grupo que pretende governar o Brasil a partir de um receituário que coloca o ajuste fiscal acima das condições de vida da população.

Como alertou o presidente Lula da Silva em postagem nas redes sociais, “já vimos esse filme antes e quem perdeu foi o Brasil”. A frase sintetiza o alerta sobre a repetição de políticas econômicas que prometem soluções fáceis, mas transferem  custos para a população, em especial a mais vulnerável. 

Enquanto a oposição acena com a “motosserra”, ignora que o Brasil apresenta alguns dos melhores resultados da história na redução da fome, da pobreza, da desigualdade e do desemprego, além de recompor a política de valorização do salário mínimo e isentar de Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil. 

O contraste coloca uma questão central para o debate eleitoral: qual projeto econômico deve orientar o futuro do país, aquele que protege a vida dos brasileiros ou o que transforma direitos e políticas públicas em despesas a serem eliminadas?

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, criticou a ideia de que a motosserra fiscal seja solução e relembrou que o governo anterior deixou um déficit primário de R$ 743 bilhões, o pior resultado em 29 anos de série histórica, e destacou a retomada da atuação do BNDES no apoio à economia e às exportações brasileiras. “Essa coisinha de motosserra é boa só para campanha”, resumiu.

Entre 2023 e 2026, o banco destinou R$ 73 bilhões ao apoio à exportação, mais de quatro vezes os R$ 17 bilhões registrados nos quatro anos anteriores. Os avanços sociais dos últimos anos tornam ainda mais difícil sustentar a ideia de que o país precisa importar um programa de austeridade radical. Em julho de 2025, o Brasil confirmou a segunda saída do Mapa da Fome da ONU. O indicador de subalimentação grave, que precisa ficar abaixo de 2,5% da população para que um país deixe o mapa, recuou para 0,6% no relatório mais recente da FAO, divulgado em 2026, o menor nível da série histórica.

O resultado ganha dimensão quando comparado ao cenário encontrado pelo atual governo. Em 2022, levantamento da Rede PENSSAN identificou 33 milhões de brasileiros em situação de insegurança alimentar grave. O país havia deixado o Mapa da Fome em 2014, mas voltou a figurar no levantamento no triênio 2018-2020, em um período marcado pelo enfraquecimento de políticas sociais.

A redução da fome na atual gestão veio acompanhada de queda expressiva da pobreza. O índice recuou de 31,6% em 2022 para 21,5% em 2025, enquanto a extrema pobreza caiu de 5,9% para 3,4%. São números que não se resumem a disputa estatística. Representam milhões de brasileiros que passaram a ter melhores condições de acesso à alimentação, à renda e às oportunidades.

INDÚSTRIA – A defesa do modelo argentino também contrasta com a experiência concreta da indústria do país vizinho. Desde agosto de 2023, o setor perdeu 90 mil empregos e registrou o fechamento de 30 mil empresas. Em junho de 2026, a indústria operava com capacidade ociosa de 40%, enquanto a produção manufatureira caiu 5% entre junho e julho, a maior retração em 16 meses. Na pobreza, o choque inicial promovido pelo governo Milei levou o índice a 57,4% no início de 2024, o pior em décadas. O indicador chegou a 38,9% no primeiro trimestre de 2026. 

ECONOMIA – A economia nacional também apresenta resultados que contrariam o discurso de “país quebrado” propagado pela oposição. A inflação acumulada entre janeiro de 2023 e agosto de 2026 foi de 17,9%, a menor desde o início da redemocratização, em 1989, e bem abaixo dos 25,3% registrados no mesmo intervalo do mandato anterior. O salário mínimo, que permaneceu estagnado entre 2017 e 2022, sem ganho real, acumula ganho real de 11,5% desde 2023. A inflação de alimentos do período anterior, de 56%, foi reduzida a 13% na atual gestão. 

ORÇAMENTO – A melhora das condições de vida também se reflete diretamente no orçamento das famílias, especialmente na capacidade de comprar alimentos e fazer o salário render mais no fim do mês. Segundo o Dieese, eram necessárias 138 horas e 2 minutos de trabalho para comprar a cesta básica em julho de 2022. Em julho de 2026, o tempo caiu para 124 horas e 11 minutos. São 14 horas a menos. 

CREDIBILIDADE – Na mesma fala em que elogiou Milei, Daniella Marques afirmou que o Brasil perdeu credibilidade nas relações externas e que o país precisaria “voltar à mesa” de negociação internacional. A afirmação desconsidera a atuação brasileira nos últimos anos e a ampliação das oportunidades comerciais e diplomáticas do país.

Desde 2023, o Brasil abriu 678 novos mercados de exportação em 93 países, um crescimento de 179% em relação aos mercados abertos durante os quatro anos do governo anterior. O país também sediou a Cúpula de Líderes do G20, no Rio de Janeiro, a COP30, em Belém, e assumiu a presidência do BRICS, ocupando posições de destaque nas principais agendas multilaterais.

No período do mandato, Lula manteve 257 reuniões com chefes de Estado de 77 países, teve 130 conversas por telefone com líderes de 44 nações e o Brasil voltou a frequentar o G7 (Lula é o único presidente brasileiro que já frequentou reuniões do bloco, e por dez vezes). À despeito da tarifação unilateral e sem respaldo técnico dos Estados Unidos, o Brasil bateu todos os recordes de exportações no período. 

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