24 de novembro de 2021

O uso de mentiras e desinformação tenta desviar o foco da realidade: nos tempos de Lula, o povo comia, havia emprego e perspectivas de futuro. O combate à fome e à miséria era o principal objetivo de um governo democrático, participativo e de concertação social, que colocava os pobres no centro do orçamento e fazia a economia crescer com distribuição de renda e diminuição de desigualdades. A situação é diametralmente oposta ao cenário de destruição dos tempos de Bolsonaro. O fim do Bolsa Família, substituído por um programa sem fonte orçamentária e sem duração assegurada é um exemplo disso, criticado ao redor do mundo. Não há distorção de falas que consiga esconder os fatos reais trazidos pelos dados.

Em 25 de novembro de 1946 Josué de Castro lançava a obra “Geografia da fome”, em que afirmava que a fome era fruto da ação humana e da condução econômica do país. Na época, as principais correntes teóricas atribuam a miséria às condições naturais e climáticas. A Geografia da Fome se tornou uma obra ícone não apenas dos estudos sobre a fome, mas principalmente para quem, como Lula, tinha como objetivo acabar com a fome no país. A partir das políticas e programas implantados por Lula e por Dilma Rousseff, o Brasil saiu do mapa da fome da ONU em 2014.

No Brasil de Bolsonaro, a inflação descontrolada – principalmente dos alimentos -, desemprego nas alturas e ausência de aumento real do salário mínimo levam ao triste quadro de volta galopante da fome e da miséria. Pesquisas apontam que 85% dos brasileiros deixaram de consumir algum alimento desde janeiro de 2021.

A realidade cruel importa por Bolsonaro é de uma inflação ainda maior para os mais pobres. A inflação acumulada dos últimos 12 meses ficou em 9,67% para os brasileiros que ganham acima de oito salários mínimos, mas foi de 10,63% para os mais pobres, que ganham entre um e três salários. É uma diferença de quase um ponto percentual. Já para a faixa que ganha entre três e oito pisos nacionais, o índice foi de 10,38%

Carne virou artigo de luxo

Em uma comparação direta de preços, o preço médio do quilo das carnes coxão mole, coxão duro e patinho, em outubro de 2011, era de R$ 15,94. Em outubro de 2021, o preço quase o triplo: R$ 44,02. Os dados foram levantados pelo Dieese e se referem a São Paulo. Segundo o Datafolha, 67% dos brasileiros deixou de consumir carne vermelha desde o início do ano. Imagens de pessoas na fila para receberem doações de ossos se juntam a vídeos de pessoas revirando o lixo de supermercados e açougues para conseguir comer. Nas palavras de Lula, “comer carne não deve ser um privilégio”.

Em sua sanha negacionista por disseminar ódio e mentiras, Bolsonaro não tem tempo para se preocupar com a fome que volta a assolar o Brasil. Mais de 19 milhões de brasileiros passam um dia inteiro sem comer, e 116 milhões de pessoas estão em situação de insegurança alimentar. Pessoas esperam horas em filas para receberem doação de ossos de boi (no estado brasileiro que mais exporta carne bovina) e cidadãos se desesperam ao perceber que a alta nos preços tirará a carne, o frango e o ovo de suas mesas. Enquanto isso, em sua melhor versão Maria Antonieta, Bolsonaro, aquele que jamais fala em fome, parece falar: “se não têm carne, que comam picanha a R$ 1800 o quilo”.

“O feijão tá caro, o arroz tá caro. Traz de volta o Lula e manda embora o Bolsonaro”

O preço médio do quilo do arroz em São Paulo em 2011 era de R$ 1,86, enquanto o do feijão era de R$ 3,45. Em outubro de 2021, os preços são R$ 4 e R$ 6,91, respectivamente. O aumento foi de 100% para o feijão e 115% para o arroz. Segundo o Datafolha, 36% das pessoas parou de comer feijão e o arroz deixou de aparecer nas panelas de 34% dos brasileiros desde janeiro de 2021.

Nas redes sociais, tem muita gente chamando o Lula de volta. Desde agosto tem viralizado no TikTok uma dancinha com o som feito pelos MCs Lil e Koban. “O arroz tá caro, o feijão tá caro. Traz de volta o Lula e manda embora o Bolsonaro”.

Sem café da manhã

Em outubro de 2021, um litro de leite custava R$ 5,18. Em outubro de 2011, o preço era R$ 2,49. O aumento foi de mais de 108%. Em seu discurso de posse como presidente da República, Lula afirmou: “se, ao final do meu mandato, todos os brasileiros tiverem a possibilidade de tomar café da manhã, almoçar e jantar, terei cumprido a missão da minha vida”. Infelizmente, com Bolsonaro, a fome voltou a ser uma realidade para grandes parcelas da população. O povo não tem nem mais comida para o café da manhã: 41% dos brasileiros precisou cortar o consumo de pão, item mais básico do cardápio matutino.

É o que mostra levantamento realizado pelo Datafolha entre 13 e 15 de setembro de 2021. Segundo a pesquisa, 51% das pessoas cortou o consumo de sucos, 46% parou de consumir leite, queijos e iogurte e 41% parou de comer pão (francês, de forma ou de qualquer outro tipo). Ou seja: tomar café da manhã não é mais possível.

A inflação descontrolada no país é ainda mais grave no setor alimentício: a alta de alimentos chega a 17% no acumulado de um ano.