“Chegou a hora de fazer esse mesmo trabalho aqui no Estado de São Paulo. Nós temos que recuperar São Paulo para os paulistas.” A declaração de Fernando Haddad deu o tom da convenção partidária que oficializou sua candidatura ao governo de São Paulo em 2026. Em um discurso de forte contraste entre os resultados do Governo Federal e a gestão estadual, o ex-ministro da Fazenda do governo do presidente Lula afirmou que São Paulo perdeu protagonismo econômico e social e defendeu uma mudança de rumo para recolocar o estado na liderança do desenvolvimento nacional.
A federação partidária oficializou neste sábado (25.07), em Campinas (SP), a candidatura de Haddad (PT) ao Governo de São Paulo. Realizado na Arena Concórdia, o ato também apresentou as diretrizes do programa de governo da chapa, confirmou Márcio França (PSB) como candidato a vice-governador e oficializou Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) como candidatas ao Senado
Haddad relembrou o cenário econômico encontrado pelo presidente Lula em 2023. Segundo ele, o país herdou inflação elevada, desemprego alto, baixo crescimento econômico e contas públicas fragilizadas. Ao citar os resultados da gestão federal, afirmou que o Brasil alcançou a menor taxa de desemprego da série histórica, registrou a menor inflação acumulada em quatro anos e voltou a crescer acima de 3% ao ano. Para o candidato, a experiência do Governo Federal demonstra que é possível promover a mesma recuperação em São Paulo.
“O nosso dever é sair daqui com os números na cabeça para conversar com o estado todo e chamar a atenção dos paulistas sobre o desleixo do atual governo com a vida das pessoas”, afirmou, ao defender que a campanha seja baseada na comparação entre indicadores de gestão.
Ao apresentar um diagnóstico do estado, Haddad ressaltou que São Paulo vive um período de estagnação. Segundo ele, enquanto a economia brasileira cresceu cerca de 2% nos últimos 12 meses, São Paulo cresceu apenas 0,4%. Para o candidato, esse desempenho é incompatível com a dimensão econômica do estado e mostra a necessidade de uma nova estratégia.
Na educação, Haddad afirmou que os indicadores paulistas perderam espaço em relação à média nacional. Citou que a alfabetização na idade certa e a oferta de ensino médio integral estariam abaixo da média brasileira e criticou a política educacional do atual governo, afirmando que o magistério paulista vive um dos períodos de maior desvalorização da história recente. Ao recordar sua passagem pelo Ministério da Educação, lembrou a expansão das universidades federais, dos institutos federais e do Programa Universidade para Todos (ProUni), criado para ampliar o acesso de estudantes de baixa renda ao ensino superior.
SEGURANÇA – O candidato também concentrou críticas na área da segurança pública. Segundo Haddad, cerca de 20% dos roubos de celulares registrados no país acontecem na capital paulista. Ele também afirmou que o feminicídio caiu no Brasil, mas aumentou em São Paulo, e criticou o que classificou como ausência de respostas do governo estadual diante do avanço da violência e das denúncias envolvendo integrantes da administração pública.
Outro eixo do discurso foi a crítica às privatizações promovidas pelo governo estadual. Haddad afirmou que a transferência da Sabesp e de serviços metroferroviários para a iniciativa privada ocorreu sem o devido planejamento e sustentou que a população enfrenta aumento nas tarifas, problemas no abastecimento de água e deterioração dos serviços. Também mencionou a crise hídrica, os episódios recentes de enchentes e o corte de recursos para prevenção de desastres como exemplos da falta de planejamento da atual gestão.
Ao defender sua candidatura, Haddad afirmou que São Paulo precisa voltar a ser referência nacional em políticas públicas. Recordou o período em que disputava projetos com os então governadores José Serra e Geraldo Alckmin, dizendo que a competição era para saber “quem fazia mais” pela população, com abertura de escolas técnicas, universidades e investimentos em educação.
O candidato também fez críticas ao ambiente político nacional e ao uso das redes sociais para disseminação de desinformação. Defendeu a urna eletrônica, classificou o sistema eleitoral brasileiro como referência internacional e criticou discursos que, segundo ele, recolocam em debate direitos já consolidados, como a participação das mulheres na vida política e profissional.
Na reta final da convenção, Haddad afirmou que a disputa em São Paulo será decisiva para o futuro do país e convocou a militância a levar o debate para todas as regiões. Ao lado do presidente Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin, do candidato a vice Márcio França e das candidatas ao Senado Marina Silva e Simone Tebet, ele encerrou o discurso pedindo mobilização para a campanha. “Nós temos que resgatar o nosso Estado. Nós temos que apoiar as professoras, os policiais deste Estado e devolver São Paulo aos paulistas”, concluiu.


