Lula coloca brasileiros na tabela periódica e liga terras raras a emprego e soberania
Segundo programa eleitoral da coligação Brasil Pronto pra Mais aposta nas riquezas minerais do país para apresentar projeto de industrialização, tecnologia e geração de empregos qualificados no Brasil
Lítio, níquel, berílio, nióbio. Maria, João, Pedro, Ana. No segundo programa eleitoral de Lula, a tabela periódica ganhou novos elementos. Os brasileiros comuns. Entre símbolos de minerais estratégicos e fotografias de pessoas, a campanha resumiu em uma imagem a mensagem que conduziu o programa: “Se nossos minerais são valiosos, nosso povo é muito mais.”
Exibida pela coligação Brasil Pronto pra Mais, a propaganda colocou as terras raras no centro de uma discussão maior sobre soberania, crescimento econômico e geração de empregos qualificados. A proposta apresentada por Lula é aproveitar a posição estratégica do Brasil para mudar a lógica histórica de exportar matéria-prima e importar produtos de maior valor agregado.
“Desta vez, nós não vamos exportar pedra para depois comprar tecnologia. Vamos refinar aqui, industrializar aqui, gerar emprego qualificado aqui”, afirma o programa.
Presentes em celulares, baterias de carros elétricos, turbinas de geração de energia e outras tecnologias de ponta, as terras raras são apresentadas como uma das grandes riquezas do século XXI. E, para a coligação, ter esses recursos no subsolo não basta.
O desafio é fazer com que eles sejam processados e industrializados no Brasil, movimentando cadeias produtivas e criando oportunidades para trabalhadores brasileiros. “O mundo precisa do que o Brasil tem e a riqueza do Brasil é do povo brasileiro”, diz a propaganda.
RIQUEZA NO CHÃO, EMPREGO AQUI – Na prática, a proposta é fazer com que a riqueza mineral do Brasil se transforme em empregos, tecnologia e desenvolvimento dentro do país.
Refinar, pesquisar, desenvolver tecnologia e industrializar dentro do território nacional permitiria transformar recursos naturais em empregos de maior qualificação e ampliar a participação brasileira nas cadeias tecnológicas globais.
É nesse ponto que educação, ciência e desenvolvimento aparecem conectados. O programa cita o Pé-de-Meia, a expansão dos Institutos Federais e o fortalecimento das universidades como parte da preparação dos brasileiros para uma economia cada vez mais tecnológica. “Com mão de obra mais qualificada, o Brasil cresce e gera melhores empregos”.
A abertura de mais de 600 mercados para produtos brasileiros também é lembrada para sustentar a ideia de um país que combina presença internacional com fortalecimento da economia dentro de suas fronteiras.
O fio condutor é a soberania. Logo no início, Lula afirma que um país soberano precisa produzir alimentos, ter riquezas capazes de transformar a vida de sua população e, principalmente, liberdade para decidir seu próprio caminho.
“Soberania nacional também significa a gente ser livre e independente para tomar nossas decisões sem permitir que ninguém diga o que a gente tem que fazer”, destaca.
O segundo programa eleitoral de Lula e da coligação Brasil Pronto pra Mais, formada por PSB, PDT, Federação Fé Brasil (PT/PCdoB/PV) e Federação PSOL-Rede (PSOL/Rede), procura destacar que o Brasil tem no subsolo riquezas cobiçadas pelo mundo, mas é acima dele que está seu patrimônio mais valioso: os brasileiros.