Mortes por desnutrição caem 75,7% na Terra Indígena Yanomami
No primeiro semestre de 2026, não houve registro de óbitos por malária; considerando todas as causas, mortalidade caiu 29,5% em relação ao mesmo período de 2023
As mortes por desnutrição na Terra Indígena Yanomami caíram 75,7% no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2023, quando foi declarada Emergência em Saúde Pública no território. No período, também não houve registro de óbitos por malária, enquanto as mortes por infecção respiratória aguda apresentaram redução de 40,8%. Considerando todas as causas, o número de óbitos registrados caiu 29,5% na mesma comparação, passando de 224, entre janeiro e junho de 2023, para 158 no primeiro semestre de 2026.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, se manifestou nas redes sociais desmentindo recente “matéria” que diz que as mortes no território aumentaram. “Tudo isso aconteceu, gente, porque desde 2023, com a volta do Mais Médicos, nós quase dobramos o número de médicos na região. Mais de 50% do número de profissionais de saúde. Mais da metade das unidades de saúde estavam fechadas até o último ano do governo Bolsonaro. Agora estão reabertas. O governo Bolsonaro tinha abandonado os indígenas e a região”, apontou.
No início de 2023, chocaram o país cenas dos indígenas em estado de desnutrição. Inclusive, a foto usada na “matéria” é desta época. O que aconteceu é que o Governo Federal, desde 2023, retomou as notificações e registros na Terra Indígena Yanomami. “Não tinha profissionais de saúde, registro do que acontecia, monitoramento, medicamentos, nada. Não tem comparação séria na área da saúde com dados que sequer eram coletados. Não se esqueça, nós estamos falando de um governo que chegou a apagar os dados de mortes da pandemia durante a covid 19. Olha só, até a foto usada na ‘reportagem’ não é do governo, porque ele sequer aparecia lá. É de uma associação indígena que denunciava toda a situação”, continuou Padilha.
Não tinha profissionais de saúde, registro do que acontecia, monitoramento, medicamentos, nada. Não tem comparação séria na área da saúde com dados que sequer eram coletados. Não se esqueça, nós estamos falando de um governo que chegou a apagar os dados de mortes da pandemia durante a covid 19. Olha só, até a foto usada na ‘reportagem’ não é do governo, porque ele sequer aparecia lá. É de uma associação indígena que denunciava toda a situação
Alexandre Padilha, ministro da Saúde
Apagões de registros como aconteceu na época da pandemia de covid 19, em que o governo não informava o número de mortes, que era feito por um consórcio de jornais, também ocorreram com a falta de pesquisas do IBGE sobre a fome e os mais variados temas e a desorganização e sucateamento do Cadastro Único, mapa que traça o perfil das famílias de baixa renda no país e que serve como acesso aos programas sociais. “Ainda tem muita coisa para fazer para proteger os Yanomami e combater o garimpo ilegal. Mas esse movimento aí é o mesmo que quer reescrever a história da pandemia. Vamos mostrar que agora temos um governo que divulga os dados e que o povo brasileiro tem memória”, concluiu o ministro da Saúde.
COMBATE AO GARIMPO – Uma das primeiras medidas adotadas pelo presidente Lula, quando assumiu o seu terceiro mandato em janeiro de 2023, foi mobilizar, não só o governo, mas o Estado brasileiro para dar uma resposta humanitária à situação. Foi decretado estado de emergência na Terra Indígena Yanomami, que também abriga o povo Ye’kwana, localizada no Amazonas e em Roraima, para o envio imediato de médicos, cestas básicas, insumos de saneamento e infraestrutura de internação emergencial. Foi criada a Casa de Governo, que reuniu diferentes ministérios e órgãos públicos, e que coordenou 9 mil ações até o fim de 2025.
Além disso, foi feito um investimento direto via medidas provisórias e orçamento federal para garantir a fiscalização territorial contínua e ações preventivas contra invasões para todas as Terras Indígenas do país. O resultado foi a diminuição em 98,77% do garimpo ilegal, entre 2024 e janeiro de 2026, apenas na TI Yanomami. O prejuízo estimado ao garimpo ilegal no território supera R$ 642 milhões, atingindo desde os pontos de extração até as rotas de abastecimento e escoamento do ouro.
MALÁRIA – Entre janeiro e junho de 2026, foram confirmados 6,8 mil casos de malária na Terra Indígena Yanomami, redução de 50,6% em relação ao mesmo período de 2023. No primeiro semestre deste ano, não houve registro de mortes pela doença. No mesmo período, foram realizados 145 mil exames para detecção da malária, considerando a demanda espontânea e as ações de busca ativa nas comunidades. O número representa aumento de 85,4% em relação ao primeiro semestre de 2023.
As ações de controle da doença incluem ampliação da testagem, busca ativa, diagnóstico e tratamento. Entre as estratégias adotadas está o uso da tafenoquina para casos elegíveis de malária por Plasmodium vivax. O medicamento é administrado em dose única e atua na prevenção de recaídas da doença. Até o momento, 1.515 pessoas receberam o tratamento no território.
VACINAÇÃO E NUTRIÇÃO – O número de doses de vacinas aplicadas no primeiro trimestre passou de 11.273, em 2023, para 20.267, em 2026, aumento de 79,8%. Entre as crianças menores de um ano, a proporção com esquema vacinal completo passou de 28% para 57,6%. O acompanhamento nutricional alcançou 84% das crianças. As ações no território também incluem iniciativas de segurança alimentar, acesso à água e recuperação da produção tradicional das comunidades.
ESTRUTURA – O número de profissionais de saúde no território passou de 690, em 2023, para mais de 2,1 mil, em 2025. Sete polos-base foram reabertos e, atualmente, os 37 polos-base e as 40 Unidades Básicas de Saúde do território estão em funcionamento. A rede passou a contar também com o Centro de Referência de Surucucu, destinado ao atendimento de casos de maior gravidade e à estabilização de pacientes antes de eventuais transferências.
Dos 84 estabelecimentos de saúde no território, 76 contam com sistema de abastecimento de água, o equivalente a 90,5% da rede. Entre abril e agosto deste ano, foram concluídas as unidades de Maloca Paapiú e Kayanaú, além da reforma da unidade de Palimiú.
O monitoramento de medicamentos e insumos abrange atualmente 228 itens, acompanhados semanalmente para orientar a reposição dos estoques. As Casas de Saúde Indígena (Casai) também receberam intervenções em estruturas como banheiros, alojamentos, cozinhas, lactários, sistemas de efluentes e poços.
Para o deslocamento das equipes e o atendimento às comunidades, a estrutura logística conta com 90 embarcações próprias e 43 pilotos fluviais contratados, além de transporte aéreo para localidades de difícil acesso.
FINANCIAMENTO – Os valores empenhados para o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami foram de R$ 391 milhões, em 2025. Os recursos são destinados às ações e aos serviços de saúde desenvolvidos no território.