No Rio, Lula defende maior poder federal para atuar na segurança com PEC que está no Congresso
Aprovação no Senado do texto que já passou pela Câmara permitirá ao Executivo reforçar o auxílio aos estados no combate ao crime organizado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, neste sábado (22), em ato realizado no estádio de Moça Bonita, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, uma maior atuação do governo federal na segurança pública e o fortalecimento da indústria nacional de defesa.
Em evento de campanha ao lado da chapa majoritária no estado, com Eduardo Paes (governador), Benedita da Silva e Pedro Paulo (Senado), Lula afirmou que a aprovação da PEC da Segurança Pública permitirá ampliar a estrutura federal de combate ao crime organizado e devolver à população o controle de territórios hoje dominados por facções criminosas.
Lula lembrou que a Constituição de 1988 retirou o protagonismo do governo federal na segurança, e fixou nos estados boa parte da responsabilidade. Como a estrutura da criminalidade atualmente transcende fronteiras estaduais e nacionais, o Governo Federal enviou ao Congresso a PEC da Segurança Pública, que permite ao Executivo ter mais instrumentos de suporte às Unidades Federativas. O texto já foi aprovado pela Câmara e aguarda avaliação do Senado.
“Quando a PEC for aprovada no Senado, criarei o Ministério da Segurança Pública. Vou preparar mais a Polícia Federal, mais uma Força Especial Federal, mais a Polícia Rodoviária”, explicou Lula. “Quero olhar na cara desse povo aqui e dizer: vamos tirar os bandidos dos territórios de vocês e devolver o território ao povo”.
Lula ressaltou ainda que o enfrentamento ao crime organizado deve ocorrer de forma planejada, com presença permanente e sem ações de caráter espetacular. “Não vamos fazer carnaval, pirotecnia, matar 100 ou 200, não. Vamos prender e dizer: a rua é do povo, a vila é do povo, a escola é do povo, a padaria é do povo, não é dos bandidos”.

ANDAR DE CIMA – O presidente argumenta tendo como legado a condução atual do tema no Governo Federal, com atitudes importantes para desfalcar o patrimônio do crime organizado, desbaratar articulações e atuar no âmbito legislativo. Só em 2025 foram R$ 17 bilhões apreendidos, entre bens e recursos do crime organizado, contra R$ 1 bilhão em 2022, na antiga gestão (17 vezes mais). A Lei Anti-Facção, aprovada ao longo da atual gestão, facilita o confisco de bens do crime organizado e ampliou o tempo de punição para integrantes de facções.
A Operação Carbono Oculto, deflagrada para investigar um esquema bilionário envolvendo organizações criminosas e lavagem de dinheiro em fintechs e postos de gasolina, rendeu bilhões em confiscos e prendeu os chefes na linha de comando. .
Outra iniciativa é o programa Brasil contra o Crime Organizado, lançado em 2026, que atua em quatro vertentes: asfixia financeira, investimento no aumento da solução de homicídios, redução da entrada e circulação de armas e identificação de 138 instituições prisionais para serem transformadas em unidades de segurança máxima com financiamento federal. O investimento para 2026 é de R$ 11 bilhões, entre recursos da União e créditos via BNDES.
DEFESA – Ao falar sobre defesa nacional, Lula criticou a postura agressiva de outros líderes mundiais e defendeu a retomada da capacidade brasileira de produzir equipamentos e tecnologias estratégicas. O presidente ressaltou que o objetivo não é promover conflitos, mas garantir soberania e capacidade de resposta diante de ameaças externas, ao mesmo tempo em que incentiva a inovação tecnológica e gera empregos. “A gente não quer guerra, mas a gente quer dizer: não se metam com a gente, porque a melhor arma que a gente tem é o orgulho do povo brasileiro. Queremos apenas respeito, e para ter respeito as pessoas têm que saber que a gente está preparado”, explicou.