Para Lula, investir em submarino nuclear impacta soberania, saúde e empregos de qualidade
Presidente acompanha avanço do Programa Nuclear da Marinha e destaca impactos do domínio tecnológico para o futuro do Brasil
Soberania, qualificação técnica, inovação, saúde e energia. Todas essas vertentes estão contempladas como consequência do trabalho realizado no Centro Industrial Nuclear de Aramar, em Iperó (SP). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou a estrutura nesta quarta, 19, para acompanhar os avanços do Programa Nuclear da Marinha (PNM) e do submarino com propulsão nuclear.
“Um país grande, do tamanho do Brasil, precisa ter capacidade para desenvolver tecnologia de ponta e construir projetos estratégicos para a sua soberania. O submarino a propulsão nuclear brasileiro é parte dessa capacidade. Investir nele é investir em soberania, desenvolvimento tecnológico, emprego qualificado e na produção de conhecimento aqui, formando profissionais que possam construir o futuro do nosso país”, afirmou o presidente, em postagem em seu canal oficial no X. “A gente não pode ser um país desse tamanho de cabeça baixa a vida inteira”.
“A gente fala do futuro do emprego qualificado. Do enriquecimento de urânio. Até para exportar para o país que quer usar ele para fins pacíficos. Significa o futuro da saúde. Da energia. O Brasil pode. É grande. Só falta acreditar nele mesmo. E eu acredito”
Luiz Inácio Lula da Silva
Desde 1979, a Marinha do Brasil desenvolve pesquisas voltadas ao domínio do ciclo do combustível nuclear. Ao longo desse período, desenvolveu tecnologia própria de separação isotópica por ultracentrifugação, usada no enriquecimento de urânio, e avançou no domínio de etapas estratégicas do ciclo.
O Centro Industrial Nuclear de Aramar reúne instalações voltadas ao desenvolvimento dessas capacidades, incluindo o Laboratório de Enriquecimento Isotópico (LEI), a Usina Piloto de Produção de Hexafluoreto de Urânio (USEXA) e o Laboratório de Materiais Nucleares (LABMAT).
Um país grande, do tamanho do Brasil, precisa ter capacidade para desenvolver tecnologia de ponta e construir projetos estratégicos para a sua soberania.
— Lula (@LulaOficial) August 19, 2026
O submarino a propulsão nuclear brasileiro é parte dessa capacidade. Não é apenas um projeto da engenharia da Marinha. É um… pic.twitter.com/mSGmpQrqBs
O LEI concentra o desenvolvimento da tecnologia nacional de separação isotópica por ultracentrifugação. Já a USEXA atua na conversão química do concentrado de urânio em hexafluoreto de urânio (UF6), gás utilizado no processo de enriquecimento. O LABMAT desenvolve e caracteriza materiais e combustíveis nucleares utilizados nos sistemas do programa.
O domínio dessas tecnologias está diretamente relacionado ao desenvolvimento do futuro Submarino Nuclear Convencionalmente Armado (SNCA). Apenas seis países (Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido, França e Índia) dominam a tecnologia para projetar, fabricar e operar submarinos com propulsão nuclear. O Brasil desenvolve o projeto sem possuir armas nucleares e dentro do compromisso constitucional de utilização da tecnologia nuclear para fins pacíficos.
“Discutir o funcionamento do Centro Industrial Nuclear Aramar e a gente terminar esse navio, e o Brasil ser um dos poucos países do mundo, junto com todos os que estão no Conselho de Segurança da ONU, a produzir o submarino nuclear, não é pouca coisa”, disse Lula. “O submarino também é importante para gerar emprego qualificado para meninas e meninos que estudaram e se formaram e querem continuar produzindo no Brasil”, pontuou.
Ao defender a manutenção dos investimentos, Lula ressaltou que o programa representa uma aposta de longo prazo na capacidade brasileira de produzir conhecimento, tecnologia e oportunidades.
LABGENE – Um dos principais marcos do Programa Nuclear da Marinha é o Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica (LABGENE), que também foi visitado pelo presidente. A estrutura funciona como protótipo em escala real e em terra da planta de propulsão que será instalada no futuro submarino, permitindo simular e testar o reator e os sistemas eletromecânicos integrados.
OUTRAS ÁREAS – Quando estiver em plena operação, o LABGENE contará com uma planta nuclear de 48 megawatts de potência térmica, capacidade suficiente para alimentar os sistemas de propulsão do submarino e, em termos comparativos, equivalente à demanda necessária para iluminar uma cidade de aproximadamente 20 mil habitantes. O domínio tecnológico desenvolvido para a propulsão nuclear pode contribuir para aplicações futuras em outras áreas, incluindo energia elétrica, medicina e agricultura.
ORÇAMENTO – O presidente defendeu que projetos estratégicos de longo prazo tenham previsibilidade orçamentária para que possam avançar de forma contínua. “Nós não estamos pensando em fazer o submarino só porque é bonito fazer, não. É porque desenvolver o submarino vai desenvolver múltiplas coisas nesse país. Ele tem que ser prioridade”.
De acordo com Lula, os conhecimentos desenvolvidos pelo programa podem gerar oportunidades em diferentes áreas e ampliar a capacidade brasileira de utilizar e comercializar tecnologias nucleares para fins pacíficos. “O submarino é importante para que a gente tenha tecnologia para dar e para vender, para que a gente possa enriquecer o urânio para fins pacíficos, como está na nossa Constituição, para vender para o mundo”, afirmou.
FÁRMACOS – A agenda de Lula em Aramar também incluiu a visita ao local onde está sendo construído o Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), projeto estratégico para ampliar a autonomia do país na produção de radiofármacos.
Com potência de 30 MW, o reator deverá ampliar a produção nacional de radiofármacos utilizados no diagnóstico e tratamento do câncer. A expectativa é quadruplicar a capacidade de produção destinada ao Sistema Único de Saúde (SUS), reduzindo a necessidade de importações.
“A gente fala do futuro do emprego qualificado. Do futuro do enriquecimento de urânio. Até para exportar para o país que quer utilizar ele para fins pacíficos. Significa o futuro da saúde. Significa o futuro da energia nesse país. O Brasil pode. O Brasil é grande. O Brasil só falta acreditar nele mesmo. E eu acredito”, concluiu.
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