Governo Lula reajusta Bolsa Família em 15%. Valor mínimo vai a R$ 691
Medida corrige inflação acumulada entre março de 2023, quando o programa foi relançado, e agosto de 2026. Valor médio recebido pelas famílias salta de R$ 675 para R$ 777 e já vale a partir de outubro
O presidente Lula assinou nesta quinta-feira (17) um decreto que corrige os valores do Bolsa Família em 15%, variação da inflação (INPC) entre março de 2023 (quando o programa foi relançado) e agosto de 2026. Com a atualização, o benefício mínimo passa de R$ 600 para R$ 691. O valor médio recebido pelas famílias avança de R$ 675 para R$ 777, segundo estimativa do governo. Os novos valores já serão válidos a partir do cronograma de repasses de outubro de 2026, que tem início no dia 19.
COMPONENTES – O decreto atualiza também os dois componentes adicionais do Bolsa Família. O Benefício Primeira Infância, atualmente de R$ 150, passa para R$ 173. Ele contempla cada criança de zero a sete anos incompletos do núcleo familiar. O Benefício Variável Familiar avança de R$ 50 para R$ 58. Ele chega a crianças de 7 a 17 anos, gestantes e nutrizes em cada família.
“Esse é um programa que mudou a vida de milhões de brasileiros. Mais de 25 milhões de pessoas já ascenderam na escala social e mais de 80% das novas vagas de emprego estão sendo ocupadas por beneficiários”, escreveu o presidente Lula em postagem nas redes sociais. “É nosso dever preservar o poder de compra de quem mais precisa. E estamos fazendo isso com responsabilidade: a atualização cabe no Orçamento, sem aumentar o limite total de despesas do governo”.
Quando retomamos o Bolsa Família em 2023, garantimos um mínimo de R$ 600 para as famílias, além dos valores adicionais para crianças, adolescentes e gestantes. De lá para cá, esses benefícios ainda não tinham sido atualizados.
— Lula (@LulaOficial) September 17, 2026
Hoje assinei o decreto que faz a primeira… pic.twitter.com/anetgJxAdG
AVANÇO – Entre 2023 e 2025, o número de pessoas em insegurança alimentar grave no Brasil caiu mais de 90%. Chegou a 0,6% da população, segundo informações da FAO/ONU. Um índice que chegou a 8,5% entre 2020 e 2022, quando o país havia retornado ao Mapa da Fome e milhares foram para a fila do osso. O resultado alcançado neste mandato do presidente Lula é retrato de uma imensa articulação de 80 ações e políticas com foco no acesso à renda, proteção social e apoio à produção e ao consumo de alimentos adequados, tudo em torno do Plano Brasil sem Fome.
RENDA E TRABALHO – O ministro da Fazenda, Dario Durigan, explicou que a recomposição integra um conjunto de medidas voltadas à melhoria da renda dos brasileiros. Ele citou a expansão do emprego e dos rendimentos do trabalho, além da valorização do salário mínimo, como frentes complementares à política de transferência de renda.
“O Bolsa Família é central na nossa estratégia de cuidar das famílias mais vulneráveis, garantir renda para que as pessoas saiam da pobreza e garantir renda para que as pessoas possam não ter insegurança alimentar. Nós temos nos debruçado por esse aumento da renda em várias frentes.”, afirmou.
PODER DE COMPRA – O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, destacou que a recomposição permite que as famílias continuem atendendo às suas necessidades diante da variação dos preços. “Essa recomposição é importante para que as pessoas possam prosseguir comprando com esse reajuste a condição do alimento”, pontuou.
Segundo estimativas do governo, o reajuste terá impacto estimado de R$ 5,8 bilhões em 2026 e de R$ 22 bilhões em 2027. De acordo com o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, a atualização será acomodada dentro do espaço fiscal disponível e respeitará as regras fiscais.
“Essa é uma medida de justiça social com as famílias, para que o programa seja cada vez mais eficiente na redução da pobreza, da fome, mas, do ponto de vista também fiscal, é importante que a gente lembre que isso está sendo feito absolutamente dentro das nossas regras”, ressaltou Moretti.
Para o ministro, a medida combina a proteção da população mais vulnerável com responsabilidade na condução das contas públicas. “De um lado, atender aos mais vulneráveis, à população que mais precisa do Estado e recompor o poder de compra. De outro, fazê-lo com absoluta responsabilidade fiscal”, disse.
BOLSA FAMÍLIA – O Bolsa Família é uma das principais políticas de transferência de renda do Governo Federal e atende famílias em situação de pobreza e extrema pobreza. O programa combina transferência direta de recursos com compromissos nas áreas de saúde e educação. Em agosto de 2026, 19,3 milhões de famílias receberam o benefício. A atualização determinada pelo decreto nº 13.120, de 17 de setembro de 2026, entra em vigor na data de sua publicação e produz efeitos financeiros a partir de outubro.